Realidade mista aperfeiçoa aprendizagem em Saúde e Engenharia

Redação • 28 de janeiro de 2019

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    No princípio era a realidade virtual (VR, na sigla em inglês). Depois, a realidade aumentada (AR, em inglês). Agora, é a combinação de ambas que ganha espaço como inovação na educação.

    “A realidade virtual, bem como a inteligência artificial, são inovações que ainda precisam se consolidar. Até por isso, a realidade mista (RM) tem sido uma grande aposta”, diz Rodrigo Severo, gerente da Sagah, empresa de tecnologia e conteúdo aplicado à educação.

    A realidade mista nasceu no fim de 2014, quando duas instituições de ensino da área médica — a Case Western Reserve University (CWRU) e a Cleveland Clinic, nos Estados Unidos — uniram-se com o objetivo de construir um novo campus universitário.

    A premissa era fazer com que os cursos de Odontologia, Enfermagem e Medicina oferecessem o que de mais avançado havia em metodologias de ensino e tecnologias. O projeto incluía, por exemplo, a substituição de cadáveres reais nas aulas de anatomia e de cirurgia.

    Foi aí que a equipe responsável pelo novo campus se impressionou. Ao pesquisar uma tecnologia alternativa aos cadáveres, o grupo descobriu um projeto ainda em desenvolvimento na Microsoft chamado HoloLens. O dispositivo usava tanto a VR quanto a AR, permitindo aos estudantes um nível de interação com formas holográficas em 3D jamais visto.

    O HoloLens foi lançado comercialmente em 2015 — e um dos primeiros clientes, claro, foram as americanas CWRU e Cleveland Clinic. Desde então, o termo realidade mista ganhou popularidade — e o HoloLens também. Hoje, é utilizado por instituições de ensino e hospitais de diversos países como Noruega, França, Coreia do Sul e Brasil.

    Além disso, um número crescente de empresas tem procurado a Microsoft para o aperfeiçoamento da ferramenta. É o caso da CAE Healthcare, que atua especificamente no desenvolvimento de tecnologias baseadas em simulação, currículo e recursos que melhoram o desempenho clínico (veja no vídeo abaixo, em inglês).

    Na realidade mista, o usuário interage com objetos em 3D. É como na realidade aumentada, com a diferença que o usuário não precisa isolar os sentidos do “mundo real”, como ocorre com o uso dos headsets de realidade virtual.

    Ao projetar imagens virtuais em um cenário real, a realidade mista é, teoricamente, ideal para aprimorar processos de aprendizagem, treinamento e prática em setores que demandam precisão absoluta, como Engenharia e Medicina. A área da Saúde, no entanto, é a que mais se desenvolveu através da realidade mista.

    Exemplos de realidade mista

    No Brasil, a Digital Pages desenvolveu uma aplicação interativa para o planejamento cirúrgico usando o HoloLens, da Microsoft. “O aplicativo oferece aos estudantes, cirurgiões e profissionais de saúde uma nova perspectiva sobre modelagem e manipulação de objetos 3D físicos e virtuais”, escreve Lorraine Bardeen, gerente-geral de experiências de realidade mista, no site da multinacional.

    Chamado de Next Surgeries, a solução de RM proporciona inovação e segurança ao setor. As projeções holográficas ajudam na redução do tempo total de cirurgias, da exposição do paciente e da equipe à radiação, do risco de infecções, da perda de sangue, entre outros perigos.

    Outro exemplo é o HoloPatient, aplicativo lançado em abril passado, desenvolvido em parceria entre a Microsoft e a Pearson. O app utiliza hologramas de pacientes, representados por atores, para que enfermeiros e estudantes de enfermagem possam examiná-los.

    Na área das exatas, o HoloMath é voltado para aulas de ensino médio. Com ele, o ato de desenhar imagens geométricas no quadro negro ou expô-las em um Power Point é coisa do passado.

    “Agora, professores e alunos podem ver essas formas e interagir com elas. Trata-se de fornecer ferramentas digitais não para substituir o ensino e a aprendizagem, mas aprimorá-los”, disse Mark Christian, diretor de aprendizado e inovação da Pearson, à revista AV Magazine.

    Por Redação

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