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Com a expansão da educação a distância no ensino superior, uma dúvida passou a incomodar universidades e reguladores: até onde a prática pode ser digitalizada sem comprometer a formação profissional? Foi para responder a esse questionamento que a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) divulgou, em 19 de novembro, a Nota Técnica nº 1/2025, posicionando-se a favor dos laboratórios virtuais — desde que usados com rigor pedagógico e respeito às regras de presencialidade.
O documento chega em um momento de pressão. O
novo marco regulatório da EaD, publicado em 19 de maio, tornou mais clara a exigência de práticas presenciais guiadas pelas
Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs). E, enquanto IES apostam em simulações como estratégia para ampliar o acesso a cursos em regiões sem infraestrutura, conselhos profissionais veem riscos de precarização e declínio da qualidade.
À parte da disputa regulatória, o uso de laboratórios virtuais já mostra resultados positivos. Como o
Desafios da Educação tem acompanhado em reportagens recentes, a tecnologia vem permitindo que
estudantes de Engenharia e outras
áreas STEM realizem experimentos complexos com segurança e repetição ilimitada — dois fatores que ajudam a elevar a qualidade da aprendizagem prática.
É justamente nessa intersecção que se posiciona a ABMES: laboratórios virtuais não servem para tudo, mas tampouco devem ser tratados como substitutos de segunda categoria. A proposta é que
simulações e experiências físicas caminhem juntas, cada uma cumprindo o papel que a formação profissional exige.
Na visão da entidade, a simulação tem o seu lugar. “Há situações em que o estudante deve estar fisicamente presente, em local e tempo determinados, para exercer uma atividade essencial à sua formação”, registra o texto. Mesmo quando o ambiente digital estiver presente, a lógica deve ser de
integração, não de
substituição.
O desafio, então, é decidir o que cabe em cada esfera. Para a ABMES, práticas cognitivas — como experimentos de física e química — podem ocorrer integralmente em ambiente virtual. Algumas habilidades psicomotoras também podem ser treinadas previamente por simulação, preparando o aluno para o encontro com o laboratório tradicional. Já as vivências profissionais que envolvem risco, relação com pacientes ou manipulação real de materiais permanecem obrigatoriamente presenciais, conforme a legislação.
Por isso, o
Projeto Pedagógico do Curso assume protagonismo. É nele que as instituições precisam detalhar, com transparência, onde e como ocorrerão as práticas presenciais, o que poderá ser simulado e por que essa decisão garante qualidade equivalente. A nota enfatiza que avaliadores do MEC seguirão verificando essa coerência — tanto no papel quanto na infraestrutura disponível.
Ao justificar seu posicionamento, a ABMES recorre a argumentos de inclusão e qualidade: laboratórios virtuais democratizam o acesso à prática científica, reduzem as desigualdades regionais, ampliam a segurança em etapas iniciais de aprendizagem e inserem os estudantes em contextos digitais que já fazem parte do mundo do trabalho. Além disso, permitem acompanhar o progresso individual do aluno por meio de dados e evidências — algo que tende a fortalecer processos avaliativos.
Ainda assim, a entidade reconhece que há uma fronteira incontornável. EaD não é ausência de corpo, contato ou realidade tangível. A tecnologia pode expandir o alcance do laboratório, mas não anular o que só existe quando alguém
pega, vê, sente e se responsabiliza pelo que está fazendo. A mensagem é clara:
nem tudo cabe na tela.
No limite, não se trata apenas de uma discussão técnica, mas de um reposicionamento da EaD em um momento de reacomodação das regras do jogo. A ABMES faz defesa pública do uso responsável da tecnologia e tenta se manter no centro do debate, num equilíbrio delicado entre inovação, regulação e a pressão de um setor que cresce, disputa legitimidade e precisa responder à sociedade sobre quem está formando.
Por Redação
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