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Você já parou para pensar o quão complexa é a logística para manter um polo de educação a distância (EaD) funcionando?
A maioria das pessoas imagina que, por estar associada a atividades online, a gestão de um polo EaD seria muito mais simples que a de um núcleo presencial.
Mal comparando, é como minimizar o trabalho que envolve a criação de um e-book. Embora a publicação digital elimine custos inerentes ao livro físico — como impressão, distribuição e armazenamento — ela não pode abrir mão dos processos de edição, revisão, diagramação e divulgação, entre outros.
O contexto da educação a distância é um pouco diferente, mas a complexidade do trabalho não é menor. A operação dos polos EaD envolve uma série de desafios, que vão desde a gestão de plataformas digitais até o suporte contínuo dos estudantes. Além disso, há a necessidade de coordenar tutores, professores e equipes de apoio e resolver questões técnicas que possam surgir no caminho.
Neste texto, vamos mostrar como funciona a gestão de polos EaD e por que ela ajuda a tornar a experiência de aprendizagem da modalidade mais fluida e eficiente.
Publicado em outubro de 2024 pelo Ministério da Educação (MEC), o Censo da Educação Superior aponta que há quase 10 milhões de brasileiros matriculados em universidades. Metade desses alunos está na EaD, que registrou um salto gigantesco nos últimos anos, especialmente após a pandemia.
Uma consequência direta disso é o aumento no número de polos da modalidade, que, entre 2018 e 2024, saltou de 15 mil para 47 mil. Essa proliferação veio acompanhada de questionamentos sobre a qualidade do ensino oferecido, a ponto de o MEC estabelecer um novo marco regulatório para a educação a distância, que deve entrar em vigor até o início de abril.
A despeito das mudanças, a gestão dos polos EaD sempre foi um grande desafio. Seja para as instituições de ensino superior (IES) nativas digitais, seja para as que vieram do modelo presencial, a coordenação desses núcleos exige um esforço contínuo para oferecer educação de qualidade a todos os estudantes.
O polo EaD é uma unidade credenciada pelo MEC para oferecer atividades presenciais relacionadas aos cursos oferecidos a distância. Funciona como uma extensão da IES, e geralmente fica distante da matriz.
A gestão do polo envolve planejamento, coordenação e controle das atividades acadêmicas, administrativas e operacionais. Além de atender aos requisitos regulatórios, essa atividade precisa assegurar a qualidade do suporte acadêmico e administrativo da unidade, seja qual for sua localização.
Segundo o diretor comercial da consultoria Hoper Educação, Samuel Treicik, um polo EaD se comporta como uma empresa: para torná-lo funcional, é preciso ter uma uma organização baseada em processos e indicadores bem definidos.
“Por se tratar, em sua grande maioria, de polos relativamente pequenos, o olhar nos detalhes faz toda a diferença na rentabilidade final — que é o que vai dizer se o polo tem ou não sucesso”, afirma. “Tudo engloba a gestão. É ela que fará o polo ser promissor e ter sucesso na região em que atua.”
Os polos devem garantir que os alunos tenham acesso à infraestrutura necessária para seu aprendizado, como tutoria, bibliotecas, laboratórios e suporte tecnológico. Seus principais aspectos envolvem:
Ou seja, a gestão de polos EaD envolve muito mais do que apenas disponibilizar conteúdos online. É preciso desenvolver um trabalho estratégico para assegurar a qualidade do ensino oferecido, o suporte adequado aos estudantes e a sustentabilidade do formato.
Cada IES tem características próprias. Portanto, os cargos dentro de um polo EaD podem variar, desde que essa composição respeite as exigências do MEC.
De modo geral, a estrutura organizacional contempla algumas funções essenciais. A seguir, o coordenador de Negócios da Plataforma A, Diego Weiland destaca os cargos e responsabilidades mais comuns em um polo EaD.
É o responsável pelas operações diárias do polo, o guardião das políticas vindas da matriz, e que tem como papel fundamental ser o ponto de contato. São sua liderança e seu conhecimento na EaD, atrelados à capacidade de comunicação, que fazem com que essa engrenagem gire de forma eficiente. A comunicação com a matriz geralmente é organizada com visitas presenciais, reuniões online e o compartilhamento de indicadores de performance acadêmicas e administrativas.
Tem como objetivo apoiar os estudantes do polo no uso das plataformas EaD, facilitar o apoio pedagógico e atuar na mediação entre alunos e professores. Em resumo, é o principal interlocutor com o aluno.
Fundamental no dia a dia da operação, o profissional de suporte técnico é quem apoia e garante o correto funcionamento da infraestrutura tecnológica (computadores, internet, impressoras etc.), além de realizar as manutenções preventivas necessárias.
Em muitos casos, o suporte técnico conta com o apoio de um monitor, que auxilia nos eventos de avaliação ou no uso de laboratório.
Atua principalmente na manutenção de registros acadêmicos, suporte a dúvidas relacionadas a ofertas, transferências, cancelamentos etc.
É responsável pela efetivação de matrículas no sistema e pela prestação de apoio em coordenações e eventos.
Não menos importante, esse time é responsável pela manutenção e limpeza do polo.
Gerir um polo de educação a distância é uma tarefa complexa, que vai muito além da simples administração dessas unidades de apoio. Alguns dos desafios recorrentes que os coordenadores precisarão superar são:
A oferta de EaD em larga escala exige que a qualidade do ensino seja consistente em todos os polos. Isso significa que os conteúdos, a metodologia e o suporte acadêmico precisam seguir os mesmos padrões, onde quer que o estudante esteja.
Além disso, os alunos podem ter diferentes graus de acesso à internet, equipamentos e condições de estudo. A capacitação dos tutores e a integração entre ensino digital e atividades presenciais precisam ser constantemente monitoradas para evitar discrepâncias no aprendizado.
Para que um polo funcione de maneira eficiente, seus processos acadêmicos e administrativos devem ser adequados às diretrizes da IES. Isso inclui desde o atendimento ao estudante até a aplicação de avaliações presenciais, passando pela emissão de documentos e pelo suporte acadêmico.
A expansão no número de polos e alunos exige que as soluções tecnológicas adotadas na gestão da EaD sejam eficientes e escaláveis. A partir do momento em que forem escolhidas as ferramentas a serem utilizadas, elas precisam ser implementadas de forma padronizada.
Ou seja, a tecnologia deve ser capaz de acompanhar o crescimento da IES e sustentar a qualidade do ensino em todos os polos, desde os maiores, em capitais, até os mais remotos, com menos alunos. A falta de padronização pode gerar inconsistências, afetando diretamente a experiência de aprendizagem e a credibilidade da instituição.
A comunicação é um fator determinante para o sucesso de um polo EaD. Desse modo, as equipes acadêmicas e administrativas precisam estar alinhadas para evitar falhas no atendimento e na gestão dos processos.
O suporte ao aluno também depende de canais de comunicação ágeis e acessíveis. Se as dúvidas forem resolvidas rapidamente, os estudantes se sentirão mais amparados ao longo do curso. A descentralização das operações pode dificultar essa interação, tornando fundamental o uso de tecnologias e plataformas que facilitem a troca de informações e o acompanhamento das demandas em tempo real.
O funcionamento adequado de um polo EaD depende diretamente de sua infraestrutura física e tecnológica. As unidades precisam contar com ambientes adequados para estudo, laboratórios e espaços para realização de provas presenciais. Além disso, a conectividade e os sistemas digitais devem ser confiáveis para permitir o acesso contínuo às plataformas educacionais.
Outro ponto de atenção é a necessidade de atualizações constantes em equipamentos e softwares, para que o suporte tecnológico acompanhe a evolução das metodologias de educação a distância. A manutenção preventiva e a rápida solução de problemas técnicos são essenciais para evitar interrupções que possam comprometer a experiência do aluno.
Como se vê, a gestão de um polo EAD no Brasil é repleta de desafios de diversas naturezas. Diego Weiland considera que ainda há outros — dos mais básicos, como encontrar mão de obra especializada, até os que requerem abordagens diferenciadas, como enfrentar a pesada concorrência na captação de novos estudantes.
Para o gestor, há várias formas de contornar essas dificuldades, sendo que uma delas é “o bom e velho atendimento ao estudante”. “Com o aluno bem atendido e assessorado, você terá seus problemas amplamente minimizados”, diz.
“É claro que, para um atendimento funcionar bem, a comunicação deve ser eficaz nos canais físicos e virtuais. Os sistemas de tecnologia precisam estar funcionais e serem aliados da área acadêmica durante toda a jornada do estudante, seja entregando conteúdos através do LMS ou apoiando em questões administrativas pelos portais.”
Com 30 anos de experiência nas áreas de relacionamento com clientes, implantação de tecnologia educacional e gestão de polos EaD, Treicik observa que a comunicação também deve ser ágil entre a matriz e o polo. Ele destaca que as IES geralmente contam com uma equipe de consultores de campo para fazer essa conexão.
“Costumo dizer que esta equipe é a mais importante do processo, pois ela entende o polo, visualiza as dificuldades e acompanha tudo o que é feito — de bom ou ruim. Depois, leva isso para a sede, que pode digerir as informações e transformá-las em boas práticas”, explica.
Para Weiland, a retenção dos estudantes é outro desafio dos polos. Logo, cada atendimento precisa ser especial, assim como o acolhimento. “Investimento em tecnologia e técnicas de sucesso do cliente certamente ajudam os polos a superar seus desafios”, complementa.
Já o diretor comercial da Hoper Educação alerta para o aspecto financeiro da gestão, com um conselho prático: é preciso levar tudo na ponta do lápis. Segundo ele, o pior erro é descuidar dos custos e levar ao endividamento.
“O gestor do polo precisa entender que lucro não é pró-labore ou salário. É necessário ter um caixa para situações fora do planejado, de modo a não mexer na estrutura financeira e sacrificar a operação. Três conselhos que dou aos gestores de polo: entenda o comportamento histórico da operação, cuide muito bem do caixa e fique de olho nas mudanças do mercado”, diz.
Por Redação
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