Big data reduz evasão e melhora performance de alunos nas IES

Tatiana Reckziegel • 22 de maio de 2019

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    Em mercados competitivos, como o de educação superior privada, inovar é imperativo. Só que, historicamente, boa parte das faculdades recorre a terceiros em busca de soluções. As soluções, no entanto, podem estar diante dos próprios gestores.

    O tempo dispendido às tarefas do ambiente virtual de aprendizagem (LMS), o número de reservas na biblioteca, a assiduidade nas aulas, as notas do histórico escolar: toda e qualquer informação já captada e armazenada pela instituição de ensino superior (IES) pode orientar ações para melhorar a aprendizagem dos alunos ou tornar a gestão mais assertiva.

    O processo de extrair e analisar grandes quantidades de dados é conhecido como big data. Muito comum no setor bancário, varejista e tecnológico, a análise de dados tem um enorme espaço a conquistar na educação.

    Segundo o relatório Toward Data Driven Education Systems, lançado pela Brookings Institution em 2018 — e que analisou os sistemas educacionais em 133 países, entre eles o Brasil —, 61 ambientes pesquisados não dispõem de um banco de dados ou possuem informações precárias. Quarenta e três coletam informações pouco abrangentes.

    Através dos dados, por exemplo, é possível identificar os gargalos que aumentam o abandono da faculdade. Se a aula de geometria analítica tem uma desistência 30% maior que a média, vale olhar com mais atenção para a disciplina. O big data também vem aperfeiçoando a seleção de bolsas de estudo.

    Ensino adaptativo

    Alunos de IES orientadas por dados tem mais chances de obter bom desempenho. É o caso dos estudantes da graduação de Serviço Social da Uniasselvi – universidade de Santa Catarina pertencente à Kroton.

    A instituição utiliza um sistema de ensino adaptativo baseado em dados. Ou seja, oferece aprendizagem de acordo com o nível de conhecimento do aluno. Em uma grande turma, à medida que os estudantes fazem uma prova online, o sistema aponta os pontos fortes e fracos de cada pessoa. Dessa análise derivam planos individualizados de estudo.

    Discentes da Uniasselvi que usaram a tecnologia tiveram um desempenho 12,5% superior aos demais no Enade, a prova do governo que avalia o conhecimento de quem acaba a faculdade.

    Softwares especializados em análise e organização de dados fervilham no mercado, especialmente com o crescimento das edtechs. Cabe à IES descobrir o sistema que melhor atende suas necessidades.

    Três casos de sucesso

    Purdue University

    A instituição localizada em Indiana, Estados Unidos, desenvolveu um sistema de análise que indica os estudantes mais propícios a largar a faculdade. Em vigor desde 2007, o programa cria um perfil de risco para cada aluno.

    Os dados observados partem da preparação acadêmica: ao identificar que o desempenho do aluno começou a cair, uma notificação é disparada tanto para o estudante quanto para os professores — para buscarem desenvolver novas abordagens de aprendizado. A iniciativa aumentou em até 28% as notas dos estudantes em algumas disciplinas.

    Georgia State University

    Big data também é transformação social. Na Universidade Estadual da Georgia, em Atlanta (EUA), o objetivo foi fazer com que estudantes integrantes de minorias atingissem bons resultados acadêmicos e conseguissem concluir seus cursos com sucesso.

    Em apenas três anos, a IES equiparou a taxa de conclusão de curso de minorias com a dos demais alunos. Ou seja, negros, latinos, alunos de baixa-renda ou que são a primeira geração da família a ir ao nível superior agora se formam na mesma medida que os demais.

    Nottingham Trent University

    Engajamento é um fator fundamental para entender o desempenho acadêmico e a evasão de alunos. Mas o desafio é transformar algo subjetivo em um indicador confiável. Foi nisso que a universidade de Nottingham, na Inglaterra, trabalhou.

    Depois de muita pesquisa, a IES chegou a quatro métricas: uso da biblioteca, entradas nas catracas dos prédios da instituição, acesso ao ambiente virtual de aprendizagem (LMS, sigla em inglês) e entregas de trabalhos. Se esses indicadores estiverem baixos, sinal de que o estudante precisa de ajuda.

    Como na Purdue University, o tutor da Nottingham recebe um e-mail. É o alerta para conversar com o aluno e entender a falta de engajamento, além de obter informações que levem a uma abordagem educacional mais personalizada.

    Quais dados analisar

    Um dos desafios de implementar o big data é eleger os dados a serem analisados. Algumas IES miram em informações presenciais, como a quantidade de visitas ao laboratório e o envolvimento em atividades extracurriculares.

    Já faculdades com disciplinas e cursos de educação a distância têm uma infinidade de métricas para serem avaliadas. A EaD disponibiliza dados aluno a aluno, como hora e local de acesso, que recursos foram usados, quanto tempo ficou na plataforma e, claro, o desempenho nas tarefas.

    Não existe uma fórmula mágica que indique quais são as melhores informações para levar em conta. Mas cada instituição pode criar seu mix. “O principal é combinar acompanhamento acadêmico, financeiro e índice de satisfação”, indica Daniel Infante, da Educa Insights.

    Por Tatiana Reckziegel

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