Volta às aulas 2023 e o desafio da saúde mental no pós-pandemia

Nicoli Silveira • 17 de março de 2023

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    Durante a pandemia de Covid-19, estudantes e professores foram forçados a lidar com mudanças abruptas em suas rotinas, como o fechamento dos espaços físicos das instituições de ensino superior (IES) e a transição para o ensino remoto.

    Essas transformações e a necessidade de isolamento social elevaram a sensação de solidão e os níveis de estresse e ansiedade de boa parte da população. Muitos alunos também enfrentaram dificuldades financeiras e problemas com moradia durante a crise sanitária.

    Os impactos de todos esses efeitos na saúde mental dos estudantes ainda não podem ser totalmente mensurados. Porém, estudos como o desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Ensino em Biociências e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) dão um indicativo. Realizada com seis mil alunos de pós-graduação de todo o País, a pesquisa constatou que:

    • 45% dos entrevistados foram diagnosticados com ansiedade generalizada;
    • 17% apresentaram depressão durante o primeiro ano da pandemia;
    • Mais de 60% tiveram crises de ansiedade e dificuldade para dormir;
    • 80% relataram falta de motivação e problemas de concentração.

    Volta às aulas é desafio para IES. Crédito: Gustavo Diehl/ UFRGS.

    Os jovens são a parcela da população mais afetada pela crise de saúde, segundo relatório anual do Estado Mental do Mundo , divulgado em março pela organização de pesquisa sem fins lucrativos Sapien Labs.

    O levantamento registrou as percepções de 407.959 entrevistados em 64 países e fornece uma visão de como o bem-estar mental do mundo se saiu em 2022 em relação aos anos de pandemia.

    No Brasil, o estudo mostrou que existem 39% mais pessoas de 18 a 24 anos relatando queixas de saúde mental quando comparadas à faixa etária de 55 a 64 anos. Isso porque a pandemia trouxe mudanças significativas na forma como os jovens se relacionam e interagem socialmente, especialmente após a privação do ambiente escolar por conta do isolamento social.

    “Uma das coisas que marca a adolescência é essa separação do núcleo familiar para uma constituição do sujeito. E, nesse contexto, o convívio entre jovens que acontecia na escola deixou de existir por conta das restrições e do isolamento social”, explica a psicóloga Mariana Azevedo à Agência Brasil.

    Acolhimento e apoio na volta às aulas

    Apesar de o momento mais agudo da pandemia já ter passado, as consequências para a saúde mental podem perdurar por muito tempo. Especialmente na volta às aulas, é importante que as IES tomem medidas para ajudar os alunos a lidar com esse tipo de problema.

    O diretor presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior ( Abmes ), Celso Niskier, aponta que houve aumento no atendimento psicopedagógico e psicológico. Ele acredita que oferecer suporte e recursos de bem-estar mental deve ser a prioridade nesse momento.

    “Conversas pessoais e atendimentos psicossociais são formas de entender questões desafiadoras pelas quais o aluno pode estar passando. A partir disso, é preciso construir ambientes que aliviem a pressão dos estudantes, além de estimular sua aprendizagem”, afirma.


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    Saúde mental dos professores

    A transição do presencial para o remoto e as pressões para manter a qualidade do ensino também afetaram o corpo docente. “Os professores tiveram um desgaste muito grande durante a pandemia. As ações de acolhimento devem ser estendidas a eles também”, pondera Niskier, que também é reitor da Unicarioca.

    A pesquisa Saúde Mental dos Educadores 2022 , realizada pela Associação Nova Escola em parceria com o Instituto Ame Sua Mente, revelou que o número de educadores que consideram sua saúde mental “ruim” ou “muito ruim” aumentou, indo de 13,7% em 2020 para 21,5% em 2021.

    Entre as consequências negativas da pandemia, as mais citadas pelos profissionais são sentimentos intensos e frequentes de ansiedade (60,1%), seguidos por baixo rendimento e cansaço excessivo (48,1%) e problemas com sono (41,1%).

    Nesse período de volta às aulas, os professores continuarão a enfrentar desafios significativos, incluindo a readaptação a uma nova normalidade. “Todas as IES estão buscando recuperar a aprendizagem perdida durante a crise sanitária. Mas ainda é necessário que essas instituições enriqueçam suas abordagens, tanto para os discentes quanto para o próprio corpo docente”, ressalta Niskier.

    As IES podem adotar várias estratégias para cuidar da saúde mental dos professores no pós-pandemia. Por exemplo, fornecer programas de apoio e aconselhamento psicológico àqueles que precisam de ajuda para lidar com o estresse e a ansiedade. Esses programas podem ser oferecidos por meio de parcerias com profissionais da saúde mental ou de serviços de saúde disponíveis nas próprias instituições.

    Também deve ser oferecida capacitação para o desenvolvimento profissional, a fim de ajudá-los a lidar com as novas demandas e desafios da educação. Esse treinamento pode incluir habilidades online, gerenciamento de carga de trabalho e estratégias eficazes de comunicação.


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    Por Nicoli Silveira

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