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A regulamentação do governo determina que até 40% da carga horária dos cursos de graduação presencial seja ofertada a distância. A exceção fica por conta dos cursos das áreas da Saúde e Engenharias. Até então, o índice permitido era de 20%, a metade do que passou a valer.
A oportunidade abre maior espaço para a produção de conteúdo para educação a distância (EaD). Mas carrega consigo novos desafios ao segmento, principalmente para quem trabalha com curadoria e gestão da qualidade destes conteúdos. Nesse sentido, muitas IES costumam ficar em dúvida se produzem internamente ou terceirizam esses conteúdos. Caso escolham a segunda opção, a saída é contar com empresas de soluções educacionais.
As perguntas que farei a seguir são preocupações comuns em reuniões de negócios envolvendo a contratação (ou não) da produção de conteúdo educacional.
Neste artigo, apresento quatro pontos que devem ser considerados no momento de tomar essa decisão.
Algumas IES não contam com equipes de produção de conteúdo. Outras possuem, mas em sua maioria
essas equipes são pequenas e respondem não apenas pela produção de conteúdo, mas por toda a operação — incluindo a disponibilização do conteúdo no ambiente virtual de aprendizagem (AVA, ou LMS, na sigla em inglês) e a gestão dos dados, além da geração de relatórios de utilização dos usuários.
A terceirização, em situações assim,
pode ser uma saída econômica viável, pois as empresas de soluções educacionais estão preparadas para dar conta do recado. E não é à toa: elas dispõem de grandes equipes multidisciplinares capazes de dar escala à produção e entregar o conteúdo pronto para que as IES, com suas equipes internas, façam a gestão e a disponibilização dos conteúdos em suas plataformas.
No processo produtivo de construção do conteúdo,
as empresas de soluções educacionais já trabalham com etapas que preveem a curadoria do conteúdo. Além disso, há várias etapas que contemplam a gestão da qualidade e que compõem desde a própria curadoria até a diferenciação entre controle da qualidade e garantia da qualidade.
Por meio de equipes internas, muitas IES ficam responsáveis pela garantia da qualidade. Ou seja, elas analisam os conteúdos entregues para adicioná-los ao AVA. Outras IES, por sua vez,
preferem conhecer a fundo todas as etapas de produção
da empresa parceira para, assim, garantir o processo de qualidade em que vão investir.
Diversas parcerias firmadas entre IES e empresas produtoras de conteúdo resultam na
subutilização do capital intelectual das instituições. Isso porque as empresas contratam os professores das IES parceiras para produzir conteúdo,
trazendo maior segurança para as IES que já trabalham com esses profissionais. Fica sob a responsabilidade da empresa parceira a capacitação dos profissionais, assim como o gerenciamento do cronograma de entrega. Este, aliás,
costuma ser o grande desafio para quem trabalha com produção de conteúdo.
A gestão de riscos deve ser responsabilidade de ambas as partes — tanto a IES como a empresa terceira. A IES
se responsabiliza pela “encomenda do conteúdo” através dos pré-requisitos da sua necessidade. E a empresa terceira, claro, tem que cumprir os prazos de entrega, atender ao aparato tecnológico e contemplar todos os requisitos encaminhados pela IES.
Talvez este seja o segundo item mais relevante entre os quatro elencados — perdendo apenas para o escalonamento, item 1. Como se sabe,
o investimento em tecnologia por parte das empresas de soluções educacionais é enorme. Além de contemplar um abrangente estudo metodológico e didático, baseado no que há de mais disruptivo e inovador em educação, o conteúdo também deve contemplar um aparato tecnológico que vai
desde realidade aumentada e virtual até inteligência artificial. Não é nada simples.
Em pleno alvorecer do século 21, os recursos tecnológicos revelam-se cada vez mais fundamentais para apoiar e instigar a aprendizagem. Contudo,
eles requerem um investimento pesado, que individualmente muitas IES não suportam fazer por conta de seus budgets apertados. Ao contratar uma empresa parceria, dispondo de soluções completas, esses recursos acabam garantidos, mantendo em dia a cultura de inovação.
O que precisa ficar claro é que o retorno sobre o investimento deve ser substancialmente maior aos alunos.
Analisar os quatro itens acima é desafiador.
Conciliar a oferta que prevê um ganho na aprendizagem dos alunos e a garantia da manutenção da qualidade são aspectos vitais para o sucesso de uma IES. Por isso, é fundamental que as IES tenham em mente que a terceirização da produção do conteúdo pode garantir a oferta de mais cursos devido ao escalonamento.
Assim, é possível assegurar conteúdos mais atrativos e próximos da realidade tecnológica na qual os alunos estão inseridos. Além disso,
quando a autonomia acadêmica prevalece, garante-se a qualidade, mesmo que o conteúdo teórico seja terceirizado. O que determina a qualidade é o método de ensino e aprendizagem, e não a forma de como o ensino é entregue.
Alguns exemplos internacionais (coincidentemente, todos eles vindos da Califórnia, EUA) podem servir de inspiração para IES e empresas produtoras de conteúdo no Brasil.
Por fim, um benchmark nacional, bastante conhecido:
Vale lembrar:
há uma grande diferença entre empresas que se posicionam como fábricas de conteúdo e empresas de soluções educacionais. Para distingui-las, é importante atentar aos 4 itens citados no começo do artigo.
Antes de assinar um contrato, conheça bem a empresa parceira, sua história no mercado, clientes. Se possível,
visite os principais players da empresa e conheça as dificuldades que foram enfrentadas na implementação dos serviços e entrega do conteúdo. Essa troca vai fazer você identificar possíveis semelhanças no seu processo interno e evitar problemas básicos.
Além disso, investigue se a empresa conta com uma equipe de suporte e atendimento, pós-entrega do conteúdo. Este apoio pode fazer toda a diferença para sua equipe interna.
Por Daiana Rocha
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