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Desde 2023, as instituições de ensino superior têm mais alunos matriculados na modalidade EaD que no presencial. Foram mais de dois milhões de alunos matriculados no ensino a distância naquele ano. Em 2026, o número de estudantes matriculados em cursos de graduação EaD superou a marca de 5 milhões, representando mais de 50,7% do total de alunos no ensino superior.
O movimento se deve, sobretudo, aos seguintes fatores:
Ou seja, a tendência é que nos próximos anos haverá mais polos, mais cursos e mais IES ofertando EAD. O que torna quase obrigatória, com algumas raras exceções,
a entrada das IES no jogo da educação a distância.
Mas como entrar em um jogo em que 70% das matrículas estão nas mãos de apenas 5 grupos? A resposta é simples. Fazendo algo diferente!
O jogo da escala já tem dono.
Dificilmente uma pequena ou média IES conseguirá ter a mesma eficiência e, consequentemente, adotar os mesmos preços dos grandes grupos educacionais. Para entrar no jogo, as pequenas e médias IES devem oferecer uma proposta de valor diferenciada. Como fazer isto?
Sem dúvida, há bons caminhos que ainda não foram potencialmente considerados no Brasil. Pragmaticamente, há cinco diferenciais a serem explorados pelas IES (novas entrantes) que desejam fazer parte da nova era da EAD.
Pesquisas mostram que os alunos preferem estudar em IES que possuem fortes marcas locais do que em uma grande IES de marca nacional.
A grande maioria da oferta de EAD no Brasil acontece em polos minimamente estruturados, geridos por um parceiro que não possui infraestrutura universitária. A oferta de educação a distância dentro de um campus acaba sendo um diferencial, pois permite que o aluno conviva e experimente um ambiente universitário, mesmo que com menor frequência em relação a um curso presencial.
Na prática, os encontros presenciais e boa parte da interação online de um curso tradicional de EAD são moderados por tutores menos qualificados do que um professor. Em alguns casos, possuem graduação em uma área diferente da disciplina que ministra. Sem dúvida, uma tutoria realizada por docentes pode trazer mais qualidade à oferta — desde que tenham vocação para a modalidade, claro.
Aí está, na minha opinião, o principal aspecto de diferenciação. Estamos caminhando para um modelo de ensino híbrido, que utiliza tecnologias de informação e comunicação que já funcionam relativamente bem na EAD tradicional, mas isso conciliado com momentos presenciais.
Quando trabalhamos com o modelo híbrido, a oferta do conteúdo se dá através de um ambiente virtual de aprendizagem (em inglês, learning management system — LMS). Isso permite que o aluno acesse o conteúdo, disponibilizado em vários formatos, em qualquer hora, em qualquer lugar.
Essa flexibilidade permite ao aluno que, porventura, tenha maior dificuldade na assimilação de um determinado conceito, dedique mais horas de estudo àquele problema.
Um dos possíveis formatos de ensino híbrido é a sala de aula invertida.
A inversão da sala de aula prevê que tudo que diga respeito à oferta de conteúdo aconteça online, respeitando o ritmo individual de aprendizagem de cada aluno. Isso permite que os momentos presenciais sejam utilizados para a aplicação desse conteúdo, através de metodologias ativas de aprendizagem, em vez da prevalência da exposição de conteúdo.
Neste modelo, a aula acontece em casa. Ou seja, pelo ambiente virtual de aprendizagem. Já os momentos presenciais, em sala de aula,
são utilizados para a aplicação das metodologias ativas. Ou seja, a lição de casa é feita na escola e a aula acontece em casa.
Daí, o termo sala de aula invertida, ou flipped classroom. Pesquisas mostram que a sala de aula invertida, se bem utilizada, funciona melhor do que o ensino presencial tradicional e muito melhor do que o EAD tradicional, quase exclusivamente instrucional.
O que falta no Brasil é iniciativa. Iniciativa para mudar. Iniciativa para se diferenciar. Enfim, a entrada na EAD é uma questão de sobrevivência, algo imperativo. No entanto, a EAD de escala já tem dono. A diferenciação é fundamental para a entrada nesse jogo que só tende a crescer. A boa notícia é que o caminho está mapeado. Agora, é fazer acontecer.
Por Gustavo Hoffmann
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