Por que a OCDE “reprova” o modelo do Enade

Redação • 20 de fevereiro de 2019

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    Um relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma das principais cúpulas de fomento ao crescimento econômico mundial, não poupou críticas ao modelo de avaliação do ensino superior brasileiro.

    O parecer da OCDE é que o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) como um todo apresenta “significativas fraquezas”. A crítica vai desde a sua concepção até a avaliação dos resultados.

    A prova, aplicada em todo país desde 2004, tem como objetivo avaliar o aprendizado e as habilidades de estudantes de universidades públicas e privadas. O que, para a OCDE, é algo irreal: “Nenhum teste padronizado é capaz disso”.

    No Enade 2023, que avaliou 9.812 cursos (saúde, engenharias, arquitetura), apenas uma pequena parcela atingiu o conceito máximo, destacando-se a baixa porcentagem na modalidade EAD.

    O ciclo do Enade é trienal. A cada ano, uma área diferente é avaliada nas instituições. São 40 questões a serem respondidas, sendo 25% de formação geral, que leva em conta a atuação ética. O resto do exame é composto por questões específicas relativas ao conteúdo do curso.

    Os problemas do Enade

    Segundo o relatório da OCDE, um dos problemas do Enade é a forma de participação dos alunos. Embora o exame seja obrigatório, o resultado obtido não tem peso sobre o histórico escolar. A organização afirma que grande parte daqueles que fazem a prova deixam questões em branco.

    O relatório também aponta falhas na elaboração do exame, uma vez que os resultados não podem ser comparados entre diferentes edições. Assim, não é possível avaliar se um curso melhorou ou piorou de qualidade durante os anos. O relatório ainda faz críticas à maneira como o resultado é aplicado nas instituições, já que as faculdades e os professores não os aproveitam para identificar o que é preciso melhorar em seus cursos.

    Sobre a parte de formação geral, a OCDE lança mais dúvidas. Para a organização, é questionável que o exame exija que alunos de diferentes graduações saibam conhecimentos e tenham habilidades genéricas como as que são cobradas.

    Além disso, afirma que o conteúdo pode engessar os cursos, uma vez que as graduações podem se inspirar na última prova para os planos de ensino — com foco tão somente em tirar uma nota melhor no Enade seguinte. Isso levaria os cursos a inibirem a inovação.

    Outro ponto negativo é a forma como o desempenho dos alunos é avaliado. “As pontuações no Enade são simplesmente números. Não é possível saber se os alunos que estão em cursos que atingiram 50% ou 60% de acertos na prova apresentam desempenho bom ou ruim.”.

    O relatório da OCDE sugere, por fim, uma reformulação completa do Enade, de modo que instituições de ensino superior e professores sejam capazes de solucionar fraquezas percebidas e evitem desperdiçar dinheiro público.

    Por Redação

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