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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) está revisando o modelo de avaliação para regulação de cursos de ensino superior, com impacto direto nos cursos de ensino superior, presenciais e a distância (EAD). Em junho, o Inep abriu uma consulta pública para receber contribuições à proposta. A expectativa é que as mudanças sejam homologadas até o final de outubro.
O novo instrumento substitui os antigos 50 indicadores fixos por 60 objetos de avaliação. E a comissão deixa de atribuir diretamente notas ou conceitos subjetivos, como "atende parcialmente" ou "atende excelentemente". Em vez disso, cabe aos avaliadores atestar as evidências documentais e práticas apresentadas pelas instituições de ensino superior (IES). As informações são inseridas em um sistema do Inep, que gera o conceito final.
Essa mecânica altera a preparação das IES. A mobilização focada apenas na iminência da visita in loco dá lugar à necessidade de gestão e organização contínua de dados. "Na prática, acaba essa questão de preparar a instituição para visita, porque agora é caracterização de evidências", explica o professor Carlos Longo, vice-presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED).
O novo instrumento de avaliação exige mais do que o cumprimento formal das diretrizes do Inep. É preciso comprovar que elas estão implementadas e geram impacto na rotina acadêmica.
Documentos como o Projeto Pedagógico do Curso (PPC), Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e o Projeto Pedagógico Institucional (PPI) precisam refletir a prática diária da IES. As evidências devem demonstrar a articulação entre o que está registrado nos projetos e o que ocorre nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) e na atuação docente.
Esse arranjo busca aproximar a regulação da realidade operacional da instituição. Ao afastar a margem de interpretação pessoal das comissões avaliadoras, o processo torna-se mais focado em dados concretos fornecidos pelo Núcleo Docente Estruturante (NDE), pelas coordenações e, especialmente, pela Comissão Permanente de Avaliação (CPA), que assume papel de liderança estratégica.
Um dos novos eixos de avaliação é voltado à Responsabilidade Social e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Para cumprir o requisito, as IES precisam apresentar evidências documentais e práticas das suas atuações nesses dois campos.
Para o professor Carlos Longo, esse é o maior desafio imposto pelo novo instrumento de avaliação. "Embora todas tenham um discurso muito bonito em relação aos objetivos de desenvolvimento sustentável, poucas instituições os levam para a prática”, diz. “Vai ter que ser feito um realinhamento para discutir qual nível de profundidade as IES querem adotar em relação às ODS e ESG”, completa.
Nesse sentido, Longo defende que o Inep e a Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior) forneçam um prazo de adaptação a esse eixo.
O novo instrumento de avaliação também deve alterar a distribuição das notas. No modelo antigo, mais de 80% das visitas in loco resultavam em conceitos 4 e 5. Com a checagem por evidências, a tendência é uma reacomodação da maioria das instituições no conceito 3 (satisfatório), reservando as notas superiores àquelas que demonstrarem padrão de excelência.
O professor Carlos Longo avalia positivamente o novo instrumento de avaliação. "Ele tira uma série de subjetividades que existiam anteriormente. E a forma como foi construído mostra amadurecimento tanto dos reguladores como da comunidade acadêmica”, destaca. “Além disso, resgata o papel das instituições de ensino, que é fazer um planejamento acadêmico e mensurar se ele está acontecendo na ponta.”
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