Depois da STEM, a HECI: o humanismo e a criatividade na educação

Paulo Egídio • 1 de fevereiro de 2019

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    Nas últimas duas décadas, ganhou visibilidade no Brasil e em outros países a educação STEM (sigla, em inglês, para ciência, tecnologia, engenharia e matemática). O modelo propõe a revisão das metodologias tradicionais de ensino, unindo as quatro áreas do conhecimento de forma multidisciplinar.

    Mas com o avanço da automatização e da digitalização das atividades humanas, seria adequado que a STEM dividisse espaço com a chamada “HECI” (humanidade, ética, criatividade e imaginação). Quem defende a teoria é o futurista suíço Gerd Leonhard, CEO da The Futures Agency — com um portfólio de consultoria que inclui mais de 300 empresas, entre elas Unilever, Mastercard e Lloyds Bank.

    Durante passagem pelo Brasil, Leonhard defendeu que a sociedade invista em um “mix” da educação STEM com a HECI.

    Para ele, valores como intuição, criatividade, empatia, consciência e humanismo devem ser impulsionados na mesma medida em que são desenvolvidas competências técnicas. Por uma razão sintomática: em áreas como lógica e cálculo, por exemplo, os humanos dificilmente serão mais competitivos do que as máquinas; já os robôs jamais alcançarão as virtudes humanas.

    “Um computador pode ter todo o conhecimento médico, mas ele não consegue ter sabedoria e criatividade”, explicou o especialista, em entrevista ao jornal Valor Econômico.

    O estímulo à HECI, segundo Leonhard, também combate a defasagem de inovação. Afinal, um estudo de quatro pesquisadores norte-americanos (três da Universidade de Stanford e um do Instituto de Tecnologia de Massachusetts), publicado em 2017, apontou que a criatividade na indústria está em queda desde a década de 1930.

    Às faculdades, Leonhard garante que disciplinas ou capacitações voltadas à HECI vão forjar profissionais mais preparados para os desafios impostos pelo desenvolvimento tecnológico.

    Por Paulo Egídio

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