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Em #A escola do futuro , livro recém-lançado em parceria com o comunicador Marcos Piangers, Gustavo Severo de Borba analisa a função do professor nas instituições de ensino do século XXI.
Para ele, que é diretor da unidade de graduação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (
Unisinos ),
a função dos educadores passou mais de 2 mil anos sem transformações significativas . Mas o curso dessa trajetória mudou, especialmente com a popularização da internet e dos smartphones.
Dessa forma, o perfil do jovem que ingressa na faculdade também sofreu modificações. A consequência disso é um movimento que vai da transformação dos espaços físicos, pelo design, à mentalidade dos professores — que “precisam ouvir mais os alunos”.
Borba palestrou sobre universidade do futuro na edição 2019 do Fórum de Lideranças: Desafios da Educação, em São Paulo e concedeu uma entrevista ao portal sobre o tema. Confira.
A disseminação da internet ocorreu na década de 1990, o que ampliou o acesso à informação. Mas foram as mudanças tecnológicas mais recentes que potencializaram esse processo de transformação.
Até meados de 2007,
não tínhamos acesso disseminado a smartphones. Naquele momento, então, recebemos uma ferramenta com imenso potencial, que causou impacto direto nos processos de busca de informação e de disseminação e construção do conhecimento. A IES, um espaço tradicional, com perspectiva de um professor para muitos alunos, ficou
potencializada em razão da tecnologia. Ampliou-se o acesso à perspectiva informacional do professor. Assim, o nosso papel se transformou. Na realidade, também se ampliou.
Os alunos da geração Z têm chegado à universidade cada vez mais com desejo de transformar e de fazer a diferença.
Em 2018, realizamos uma pesquisa com universidades brasileiras (especialmente as comunitárias do Rio Grande do Sul) que tinha entre seus objetivos identificar características dessa geração. Conseguimos a resposta de 1.919 alunos.
Eles se definem como leais, mente aberta, responsáveis e determinados. Quando questionados sobre o que mais os motiva, a maioria deles respondeu “ver os frutos do meu trabalho” e “fazer o bem para os outros”.
Hoje, no Brasil, temos excelentes instituições de ensino superior.
Aquelas que investem forte em pesquisa possuem uma maior possibilidade de construir conhecimento. Percebo que, atualmente, a perspectiva ‘pesquisa, extensão e ensino’ está ainda mais conectada. E os currículos que formam os profissionais para o século 21 possuem características transversais, que contemplam esses três pilares.
O papel dos professores cresce em importância. Para atuar em sala de aula,
precisamos de mais competências do que no passado. Em minha opinião, o contexto atual demanda uma transformação em nós, professores, não apenas pelas tecnologias, mas pelas mudanças sociais que tivemos ao longo dos tempos.
O engajamento do aluno, por exemplo, passa pelo sentido percebido na aula, pela conexão prática, e também pela escuta. Um bom professor precisa ouvir mais os alunos.
Essa é uma das competências que precisamos desenvolver para gerar empatia e engajamento. O processo de inovação e construção do conhecimento não é estritamente dependente de tecnologia, mas de metodologia.
Dos laboratórios às áreas de convivência, os ambientes acadêmicos estão sofrendo grandes transformações.
O design dos espaços é um fator central para gerar engajamento. Muitas vezes, a sala de aula é o gargalo para uma boa aula. Precisamos de
espaços flexíveis, adaptáveis e que contemplem as necessidades de alunos e professores. Projetar esses espaços para gerar conexão é um dos desafios centrais que temos.
Por Ricardo Lacerda
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