Gustavo Borba: inovação não depende de tecnologia, mas de metodologia

Ricardo Lacerda • 14 de março de 2019

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    Em #A escola do futuro , livro recém-lançado em parceria com o comunicador Marcos Piangers, Gustavo Severo de Borba analisa a função do professor nas instituições de ensino do século XXI.

    Para ele, que é diretor da unidade de graduação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos ( Unisinos ), a função dos educadores passou mais de 2 mil anos sem transformações significativas . Mas o curso dessa trajetória mudou, especialmente com a popularização da internet e dos smartphones.

    Dessa forma, o perfil do jovem que ingressa na faculdade também sofreu modificações. A consequência disso é um movimento que vai da transformação dos espaços físicos, pelo design, à mentalidade dos professores — que “precisam ouvir mais os alunos”.

    Borba palestrou sobre universidade do futuro na edição 2019 do Fórum de Lideranças: Desafios da Educação, em São Paulo e concedeu uma entrevista ao portal sobre o tema. Confira.

    As transformações nas IES têm a ver diretamente com a massificação da internet?

    A disseminação da internet ocorreu na década de 1990, o que ampliou o acesso à informação. Mas foram as mudanças tecnológicas mais recentes que potencializaram esse processo de transformação.

    Até meados de 2007, não tínhamos acesso disseminado a smartphones. Naquele momento, então, recebemos uma ferramenta com imenso potencial, que causou impacto direto nos processos de busca de informação e de disseminação e construção do conhecimento. A IES, um espaço tradicional, com perspectiva de um professor para muitos alunos, ficou potencializada em razão da tecnologia. Ampliou-se o acesso à perspectiva informacional do professor. Assim, o nosso papel se transformou. Na realidade, também se ampliou.

    A universidade é engajamento, conexão e reflexão para os alunos, mas eles chegam preparados para isso?

    Os alunos da geração Z têm chegado à universidade cada vez mais com desejo de transformar e de fazer a diferença.

    Em 2018, realizamos uma pesquisa com universidades brasileiras (especialmente as comunitárias do Rio Grande do Sul) que tinha entre seus objetivos identificar características dessa geração. Conseguimos a resposta de 1.919 alunos.

    Eles se definem como leais, mente aberta, responsáveis e determinados. Quando questionados sobre o que mais os motiva, a maioria deles respondeu “ver os frutos do meu trabalho” e “fazer o bem para os outros”.

    As IES estão preparadas e equipadas para serem, de fato, meios de construção de conhecimento?

    Hoje, no Brasil, temos excelentes instituições de ensino superior. Aquelas que investem forte em pesquisa possuem uma maior possibilidade de construir conhecimento. Percebo que, atualmente, a perspectiva ‘pesquisa, extensão e ensino’ está ainda mais conectada. E os currículos que formam os profissionais para o século 21 possuem características transversais, que contemplam esses três pilares.

    Os professores já assimilaram esse novo contexto?

    O papel dos professores cresce em importância. Para atuar em sala de aula, precisamos de mais competências do que no passado. Em minha opinião, o contexto atual demanda uma transformação em nós, professores, não apenas pelas tecnologias, mas pelas mudanças sociais que tivemos ao longo dos tempos.

    O engajamento do aluno, por exemplo, passa pelo sentido percebido na aula, pela conexão prática, e também pela escuta. Um bom professor precisa ouvir mais os alunos. Essa é uma das competências que precisamos desenvolver para gerar empatia e engajamento. O processo de inovação e construção do conhecimento não é estritamente dependente de tecnologia, mas de metodologia.

    Qual é a importância do design na formação educacional atual?

    Dos laboratórios às áreas de convivência, os ambientes acadêmicos estão sofrendo grandes transformações. O design dos espaços é um fator central para gerar engajamento. Muitas vezes, a sala de aula é o gargalo para uma boa aula. Precisamos de espaços flexíveis, adaptáveis e que contemplem as necessidades de alunos e professores. Projetar esses espaços para gerar conexão é um dos desafios centrais que temos.

    Por Ricardo Lacerda

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