

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit
Apenas
94 pessoas com diagnóstico de Síndrome de Down já concluíram ou estão cursando o ensino superior no Brasil. A informação é do
Movimento Down, de 2019, que coleta dados há mais de uma década com base no que é noticiado pela imprensa ou informado por pais, instituições e associações.
Entre 2018 e 2019, o crescimento foi de 48%. Desde que a potiguar Débora Seabra se tornou a primeira professora com síndrome de Down habilitada a dar aulas na América do Sul, em 2004, o Brasil teve pelo menos outras 73 pessoas com essa síndrome matriculadas numa IES.
“O problema é que não sabemos quantas pessoas se formaram”, diz
Patricia Almeida, cofundadora do Movimento Down. “Teve gente que estudou com ajuda da mãe, que contou com apoio de um núcleo de inclusão ou de aluno-anjo. Muitos seguiram adiante, mas outros ficaram pelo caminho.”
O Brasil não tem política específica para atendimento ao aluno com Down no ensino superior. O Ministério da Educação (MEC)
extinguiu a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi),
sequer sabe informar a quantidade oficial dessas pessoas na faculdade.
No Censo da Educação Superior, o grupo é classificado
de forma imprecisa pelo termo “pessoas com deficiência intelectual” — o que, em 2017, representava um total de 2.043. A evasão não é calculada.
Entre as carreiras preferidas pelo grupo estão educação física, gastronomia e pedagogia, segundo o Movimento Down. A maioria dos estudantes (24%) reside no estado de São Paulo.
A síndrome de Down é uma alteração genética caracterizada pela presença de três cromossomos, em vez de dois, no par 21 das células do organismo. Daí o nome científico trissomia do 21 e a data de celebração do Dia Internacional da Síndrome de Down, em 21 de março (21/3).
O traço comum aos indivíduos que têm essa disfunção cromossômica é o
déficit intelectual. Baixa estatura e desenvolvimento físico mais lento também são frequentes.
Síndrome de Down não é doença.
Amanda Falcão Pereira, de 22 anos, é
uma das 270 mil que nasceram no Brasil com a alteração genética. A característica, porém, não a impediu de prosseguir os estudos. Graduou-se, em fevereiro de 2018, no curso de Ciências Biológicas pela Estácio, em Castanhal (PA).
Pereira fez o curso ao longo de quatro anos. “No início, ela se sentia insegura e fazia as provas numa sala separada e sozinha, mas na metade do curso já fazia questão de estar ao lado da turma e acompanhar tudo”, diz a mãe, Mariza Falcão, numa entrevista à própria faculdade.
Na sala de aula e nas atividades, a
aluna quase sempre estava acompanhada por um membro da família. Também recebeu acompanhamento pedagógico e psicológico da instituição. “Esse apoio foi muito importante.”
Quem também conquistou o diploma foi Marina Gutierrez Viana, de 19 anos.
Ela tem síndrome de Down e se formou em Gestão de Recursos Humanos pela Estácio, em Belém. “Quero ser exemplo e mostrar para todos que podemos superar qualquer obstáculo quando nos esforçamos”, diz.
A Estácio afirma seguir os
critérios de inclusão e acompanhamento aos alunos com deficiência (física, sensorial ou intelectual), transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. Isso inclui
condições de acessibilidade arquitetônica e espaço de atendimento adaptado, além de palestras explicativas e aluno-anjo, que é a oferta de bolsas para estudantes que aceitam acompanhar os colegas com necessidades especiais.
“Outra questão importante é a capacitação dos professores, que muitas vezes não estão preparados para receber esses alunos”, explica Marinalda Santos, diretora da Estácio em Castanhal. “O que esperamos é chegar o dia em que a pessoa com deficiência irá entrar na faculdade como cada um de nós, com menos dificuldades.”
Escolas, faculdades e cursos privados
não podem negar matrícula nem cobrar taxa-extra de alunos com síndrome de Down, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Esses estudantes também têm direito a provas adaptadas em concursos, vestibulares e no Enem.
“O caminho é a inclusão”, defende Patricia Almeida, do Movimento Down. Ela fala com propriedade. Primeiro porque tem uma filha adolescente com síndrome de Down e que enfrentou dificuldade numa escola especial, “onde as expectativas eram menos ambiciosas”.
A segunda razão é que todas as pessoas com a disfunção cromossômica que entraram na faculdade, segundo seu levantamento, vêm de escolas regulares. “Nenhuma veio de instituição especial ou de Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).”
Por Leonardo Pujol
Gostou deste conteúdo? Compartilhe com seus amigos!
MAPA DO SITE