Machine learning, IA, big data: novas tecnologias dão impulso à aprendizagem

Redação • 28 de março de 2019

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    Gabriela Vidigal, de 17 anos, sempre teve dificuldade em história. Mas no ano passado, quando cursava o terceiro ano do ensino médio, recebeu ajuda de Tati. E tudo mudou.

    Tati indicou videoaulas, montou uma bateria de exercícios nos assuntos em que Gabriela tinha mais dificuldade e ainda elaborou uma rotina de estudos. Ademais, acompanhava a amiga em todos os lugares.

    Não podia ser diferente. Afinal, Tati é um aplicativo de smartphone. Desenvolvido pela Conexia Educação, um hub de soluções educacionais do Grupo SEB, o app funciona por meio de computação cognitiva, simulando o atendimento virtual de um ser humano e auxiliando os jovens a estudar.

    Como Tati aprende o que deve transmitir? Através de machine learning, conceito também conhecido por aprendizado de máquina. É o nome dado à capacidade dos softwares de observar grandes quantidades de dados, analisá-los, aprender e transmitir o conhecimento adquirido.

    Utilizando a mesma metodologia, a Sagah, ferramenta educacional integrada pelo Grupo A, desenvolveu uma plataforma adaptativa para nivelamento em português e matemática dos alunos do ensino superior.

    A plataforma fornece uma lista de exercícios para identificar os principais pontos de carência do aluno assim que entra na graduação.

    No nivelamento em matemática, por exemplo, há questões de logaritmo, exponencial e regra de 3. Se o sistema identificar que o aluno não acertou nenhuma das questões de algoritmo, indica vídeos e outros materiais que ajudam o aluno a preencher o gap:

    “Funciona como um professor que está vendo quais são os problemas de cada aluno”, diz Rodrigo Severo, gerente da Sagah. Tudo isso em uma dinâmica de jogos, em que o aluno vai somando pontos à medida que acerta as questões ou desafia seus colegas.

    Professores não são substituíveis

    A tecnologia se adapta e se revela cada vez mais indispensável para a aprendizagem. Ferramentas como Tati, do Grupo SEB, e a da Sagah, no entanto, não surgem para substituir o professor. Elas vêm para agregar.

    Ter um professor que saiba explorar o potencial das tecnologias educacionais é um benefício para os alunos que chegam à faculdade. A competência torna as aulas mais atrativas, dinâmicas e eficazes, criando uma aproximação entre discente e docente. Também melhora o desempenho de ambos.

    Para Glauco Cortez, diretor acadêmico do Centro Universitário Moura Lacerda, de Ribeirão Preto (SP), a adoção de tecnologia é algo inevitável. Os novos alunos cresceram envoltos a ela.

    “O sistema de ensino atual, como está construído, é desestimulante [para os alunos] porque é uma geração imediatista que não sabe como é um mundo sem internet”, disse Cortez ao portal Desafios da Educação.

    “Esse aluno que chega às universidades, vindo da geração Y e da Z, demanda muito. Eles têm uma forma diferente de entender e aprender”, acrescenta Andrey Lima, diretor executivo da Faculdade Ari de Sá, de Fortaleza.

    Encontrando a ferramenta certa

    Arthur Igreja, da FGV, diz que, ao estruturar um plano de adoção de tecnologia educacional, o primeiro passo é encontrar a ferramenta certa.

    “Não adianta apenas recomendar um vídeo no YouTube ou em um site. Tem que ser um processo em que os alunos vão para o online para aprimorar o aprendizado. Tem que ser uma experiência educacional”, defende.

    Ferramentas de big data, geralmente instaladas em ambientes virtuais de aprendizagem (LMS, na sigla em inglês), também são fonte de aperfeiçoamento da educação. Elas podem identificar padrões para melhorar notas, servir de subsídio para a criação de plataformas de aprendizado personalizadas e mesmo à integração ao contexto dos alunos nativos digitais.

    Para acertar na escolha da tecnologia, é preciso fazer um diagnóstico local, e muito realista, dos objetivos e gaps da instituição, levando em conta se o corpo docente já está adaptado à tecnologia. A receita que deu certo em outros lugares pode não dar em outros.

    Outro passo importante é testar. Alguns professores, ao usar tecnologia na sala de aula, podem se sentir expostos aos alunos. Outros, ao verem os benefícios da tecnologia, tornam-se entusiastas do modelo.

    “Nem todo mundo vai gostar da mudança promovida pela tecnologia”, reconhece Igreja. “Mas ela é inevitável.”

    Por Redação

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