Viabilidade econômica: é caro investir em ensino ativo?

Viabilidade econômica: é caro investir em ensino ativo?

Seja entre docentes ou gestores, as metodologias ativas estão cada vez mais populares na educação. Sala de aula invertida, aprendizado baseado em projetos, ensino híbrido e outras técnicas e metodologias estão ganhando popularidade e revolucionando o ensino no mundo ao colocar o aluno como protagonista do processo de ensino-aprendizagem.

Encontrar novos caminhos para as instituições de ensino engajarem seus estudantes e alcançarem destaque no mercado é um passo importante para o crescimento da universidade – e a adaptação dela para os novos tempos.

Saiba mais
Universidades procuram alternativas ao novo Fies
Os ensinamentos do Chile, país com a melhor educação da América Latina
Gamificação: a evolução disruptiva que é tendência mundial

Entretanto, para que funcione, é necessário um trabalho conjunto entre coordenação pedagógica e gestão para manter o negócio sustentável e em crescimento. Projetados sobre um modelo semipresencial ou a distância, os cursos flipped como são chamados os cursos que se apoiam em estudo teórico EAD e práticas presenciais, não podem ser vistos como um simples corte de custos.

“Um curso que use o conceito de sala de aula invertida não precisa ser mais caro que um curso presencial. É possível criar um curso bem desenhado com um orçamento austero”, explica Robert Talbet, professor associado da State University of Grand Valley, em Michigan, Estados Unidos. “Mas é essencial desenvolver um suporte com estudo pré-aula de qualidade”, complementa.

Atenção aos alunos é essencial
Talbet, que é autor do livro Flipped learning: a guide for higher education faculty (“Ensino invertido: um guia para a educação superior”, inédito no Brasil), defende que, independentemente do nível de investimento, as instituições não podem esquecer que os cursos flipped não anulam a necessidade de apoio ao discente.

O planejamento estratégico é uma parte essencial para a adaptação ao modelo ativo. O curso invertido precisa ser apoiado por uma série de medidas administrativas e de mercado que apoiem a saúde financeira da instituição de ensino. Assim, simplesmente apostar em metodologias ativas para cortar custos pode ser um tiro no pé. O posicionamento da instituição frente aos novos investimentos deve ter resiliência no período de transição.

Para isso, o primeiro passo é consolidar objetivos a serem alcançados com a mudança. Nesta hora deve ser colocada no papel as expectativas quanto a captação e retenção de alunos, crescimento de receita, desenvolvimento da marca e todos os fatores que impactam a IES em um mercado de educação cada vez maior.

Para embasar as metas com segurança, é preciso entender o cenário onde a instituição está inserida, para traçar potenciais novos alunos e interpretar as necessidades daqueles que já estão matriculados.

O cenário brasileiro
No Brasil, o preço ainda é um fator decisivo para os alunos que buscam cursos não presenciais. O valor da mensalidade ainda é fator de escolha para 32% dos estudantes a distância, contra 17% nos alunos de cursos presenciais. A entrada em um novo mercado – em especial os mais concorridos – precisa equilibrar um produto de qualidade e um preço competitivo, o que faz inviável o aumento do ticket acima da média.

O mercado de educação superior vem abrindo, inclusive, espaço para novos tipos de negócios, como as empresas especializadas em soluções tecnológicas e em conteúdo especializado. O know-how adquirido por essas organizações pode impactar positivamente a qualidade dos cursos.

Quem já trilhou este caminho mostra que uma nova forma de aprender e ensinar é possível. Para isso, a cultura empresarial precisa se fazer forte e preparada para a modernização. Apostar no ensino ativo é, antes de tudo, deixar a passividade de lado e empreender.