Ensino Superior

Como usar a curricularização da extensão para apoiar os ODS da ONU

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Unir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), às práticas inovadoras em educação pode parecer algo distante para muitas instituições de ensino superior (IES). Mas não é.

Com o uso inteligente da curricularização da extensão, de tecnologias educacionais e de parcerias com organizações e universidades estrangeiras, é possível inserir os ODS nos currículos e ajudar a sociedade a conquistar as metas estabelecidas pela ONU.

Criados em 2015 como um plano ousado de ação, os ODS visam o enfrentamento dos maiores desafios do mundo até 2030. Entre eles, o combate à desigualdade social, a proteção do planeta e a garantia da paz e da prosperidade.

Para falar sobre o tema, a Plataforma A realizou, na quinta-feira (18), o webinar “Curricularização da extensão a partir dos ODS e projetos”. O evento contou com a participação do gerente de negócios da Plataforma A, Fábio Paz; do diretor e mantenedor da Faculdade Multiversa e presidente da Neoperspectiva Consultoria Educacional, Ryon Braga; e da cofundadora da Hub 528Hz, Janaina Mortari.

A seguir, o Desafios da Educação apresenta um resumo do evento, com dicas para as IES implementarem os ODS no ensino superior a partir das oportunidades abertas pela curricularização da extensão.

Webinar da Plataforma A debateu como usar a curricularização da extensão para apoiar os ODS da ONU.

Pense global, atue local

Falando sobre integração internacional, Mortari lembrou que o site ONU tem um espaço dedicado à formação de parcerias entre instituições para a adoção dos ODS. “É como um registro global de todos os compromissos voluntários e parcerias”, explica.

Atualmente, a plataforma conta com apenas três universidades brasileiras – todas elas públicas: a Universidade Federal de Pernambuco, a Universidade Estadual de Campinas e a Universidade Federal Fluminense.

Além de facilitar a implementação dos ODS em um momento crucial para o planeta, fazer parte dessa rede de integração pode trazer uma série de benefícios para as IES. Entre eles, é possível destacar os seguintes aspectos:
  • A formação de parcerias para a inovação;
  • A convergência do conhecimento científico;
  • E a entrega de soluções para os problemas da comunidade.

Formando profissionais para a transformação

O conhecimento gerado nas universidades pode ser aproveitado por empresas e governos para cumprir a agenda da ONU. Para isso, um dos caminhos é colocar a curricularização da extensão a serviço dos ODS, criando trilhas de aprendizagem que envolvam a superação de desafios para um mundo melhor.

Ao mesmo tempo, essa é uma maneira de desenvolver nos estudantes competências necessárias no futuro do trabalho. Uma pesquisa da consultoria McKinsey e Company, por exemplo, mostrou que as habilidades tecnológicas, sociais, emocionais e cognitivas serão fundamentais para quem busca uma posição no mercado de trabalho.

A dica de Mortari é propor cada vez mais projetos que estimulem a interdisciplinaridade, promovendo a colaboração e a diversidade para gerar inovação. “Existem habilidades que precisam de experiência para serem desenvolvidas. São habilidades socioemocionais que precisam ser experimentadas, como o trabalho em equipe”, aponta.

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Novos modelos de ensino

De acordo com Ryon Braga, que foi reitor da Uniamérica, a instituição foi a primeira do Brasil a curricularizar a extensão. Isso aconteceu há cerca de nove anos, quando as disciplinas foram retiradas do currículo para dar lugar aos projetos e ao desenvolvimento de competências.

“Nós construímos um modelo educacional onde a extensão captura e problematiza a realidade, a pesquisa busca soluções para os problemas e o ensino dá subsídios para a pesquisa e a extensão”, afirma Braga.

Com um foco maior no desenvolvimento de competências, a Uniamérica passou por uma profunda reestruturação. Afinal, a instituição transformou a lógica de formatação curricular, a estrutura de custos e seu organograma.

“Esse processo trouxe economia e um efeito de aprendizado aplicado muito significativo, impactando também na empregabilidade dos estudantes”, disse Braga.

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Flexibilidade

Na Uniamérica, com as mudanças implementadas, teoria e prática se unem na aplicação do conhecimento. Não há linearidade e nem pré-requisito de um módulo para outro.  A sala de aula deixou de ser o único lugar de aprendizagem.

Tudo gira em torno de projetos, alguns simulados e fechados, nos quais o professor tem o controle. Outros atendem às necessidades da comunidade. “Dentro desta realidade, a gente vê o processo da extensão de forma completa, com uma carga horária maior que os 10% exigidos na lei”, pontua Braga.

O currículo da instituição passou a ter arquitetura aberta e flexível. Dessa forma, cada egresso tem um histórico escolar diferente, pois os estudantes participam de projetos de acordo com os seus objetivos pessoais e profissionais.

Atualmente, muitos desses projetos estão intimamente ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Trata-se de um exemplo para as IES brasileiras de como é possível inovar atuando na comunidade local e, ao mesmo tempo, sendo parte do esforço global para cumprir os ODS.

Leia mais: FAQ: respostas para suas dúvidas sobre curricularização da extensão

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1 Comment

  1. Parabéns! Informações muito importantes para as Instituições de Educação Superior. Grande contribuição.

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