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Como aplicar metodologias imersivas na educação superior

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Estudantes experimentando realidade virtual na 14ª Edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, no Rio de Janeiro. Crédito: Cecília Bastos.

Por Thuinie Daros

Você já ouviu falar de “curva de esquecimento”? É o nome dado por Hermann Ebbinghaus, um psicólogo alemão, ao fenômeno de esquecer-se de aproximadamente 50% das informações recebidas uma hora atrás.

A constatação é de um estudo do próprio Ebbinghaus. Nele, também se descobriu que 70% dessas mesmas informações são esquecidas em 24 horas. E que 90% do conteúdo é esquecido em um mês.

O cérebro humano age assim: se não são relembrados ou colocados em prática, os conhecimentos são desmemorizados. Considere isto e reflita sobre a famosa frase atribuída a Albert Einsten: “Aprendizado é aquilo que fica após esquecermos o que nos foi ensinado”.

Os profissionais da educação se perguntam, então: como gerar maior aprendizagem? Quais metodologias são capazes de fazer com que o estudante não esqueça imediatamente o que está aprendendo? Como colocar em prática os conteúdos relevantes para a formação do estudante?

As metodologias ativas são excelentes alternativas. Elas são capazes de gerar maior aprendizagem devido à prática de seus princípios, como protagonismo estudantil, trabalho em grupo e resolução de problemas.

Mas as metodologias ativas não são as únicas possibilidades. Existem outras abordagens capazes de gerar um aprendizado efetivo por meio de processo de verdadeira imersão.

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Metodologias imersivas: tendência

As metodologias imersivas despontaram na educação. Cada vez mais praticadas, elas crescem a partir do avanço das tecnologias de realidade virtual, de realidade aumentada, simuladores e softwares específicos.

Esses recursos, associados a uma metodologia de ensino devidamente planejada, provocam uma verdadeira imersão do estudante no contexto da sua profissão – sem sair da sala de aula.

Uma metodologia imersiva, contudo, não se caracteriza tão somente pela tecnologia. Estudo de casos, storytellings aprendizado baseado em desafios e roleplay também são exemplos de metodologias imersivas. Ver-se dentro de uma história ou assumir um papel profissional para resolução de problema proporciona uma experiência empática que gera engajamento e estimula a autonomia do aluno. Ele aprende através da simulação.

Como as metodologias imersivas são atividades pedagógicas com foco na aprendizagem experiencial e prática do estudante em situações do contexto da profissão, o primeiro passo é colocar o estudante para se deparar com uma situação concreta relacionado ao conhecimento que precisa ser adquirido.

Os conhecimentos podem ser técnicos, específicos, de novas habilidades ou comportamentais. O foco é levar o estudante a levantar hipóteses de soluções construindo ou descontruindo o conhecimento para tomar a melhor decisão.

Assim, o estudante efetivamente aplica o conhecimento e melhora sua performance – verificada por meio do feedback imediato do professor sobre as consequências das ações tomadas em um ambiente simulado e seguro.

Como o objetivo das metodologias imersivas está em proporcionar ao estudante uma experiência muito próxima ou real da atuação profissional, o diferencial está na apresentação do conhecimento por meio de uma situação/problema.

Imagine um estudante observando o sistema esquelético no ar e identificando diferentes partes dele, aplicando um experimento de laboratório e tomando decisões sobre o que fazer e quais recursos utilizar. Tudo isso quantas vezes for necessário para aprender.

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Imersão a partir de desafios

Os desafios, quando bem planejados, contribuem para mobilizar as competências desejadas –sejam elas intelectuais, emocionais, comportamentais. Uma aprendizagem baseada em desafios também permite:

  • Atrair a atenção dos alunos para o conteúdo
  • Experimentar e “aprender fazendo”
  • Possibilitar aos estudantes praticarem o conhecimento quantas vezes for necessário
  • Promover a atenção focada
  • Ofertar experiências de aprendizagem que estejam ligadas as diferentes formas de aprender dos alunos
  • Planejar de forma personalizada e acompanhar individualmente cada aluno
  • Aproximar a realidade com o cotidiano do aluno.

A preparação para atuação profissional por meio da educação superior precisa acontecer de forma significativa para o estudante, que deve ser capaz de estabelecer relação entre o que aprende no plano intelectual e as situações reais do cotidiano.

Sendo assim, as metodologias imersivas são um campo a se explorar. Elas são capazes de desenvolver as competências pessoais e profissionais necessárias para atuação profissional. Feitas em sala de aula, o estudante dificilmente esquecerá o que é ensinado.

Leia mais: Webinar: como as metodologias ativas podem ajudar sua instituição de ensino


Sobre a autora

Thuinie Daros é head de metodologias ativas e cursos híbridos da Unicesumar, co-fundadora da Téssera Educação e autora do livro A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para fomentar o aprendizado ativo (editora Penso, 2018).

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino superior.

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