Ensino Básico

3 autores indígenas para trabalhar em sala de aula

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No dia 19 de abril, é celebrado o “Dia do Índio” – está em andamento no Senado e na Câmara dos Deputados um projeto de lei para mudar o nome da data para “Dia dos Povos Indígenas”. Nessa época, ao realizar atividades alusivas, muitas escolas reforçam estereótipos negativos sobre os povos originários.  

No Brasil, existem mais de 300 etnias indígenas. Celebrar essa diversidade, conhecer suas histórias e aprender com suas sabedorias a como lidar com questões pertinentes à escola – como o respeito aos diferentes, aos mais velhos e à natureza – é uma forma, inclusive, de ensinar sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) nas instituições. 

Usar a literatura indígena como método pedagógico é uma ferramenta potente para abordar o tema durante todo o ano. Especialmente, por se tratar do próprio sujeito falando sobre si e seus costumes. Ou seja, uma visão diferente da história contada em livros didáticos – e capaz de fazer refletir sobre temas como bullying, família e a própria história nacional.  

Não sabe por onde começar? O Desafios da Educação indica três autores indígenas e algumas de suas obras para trabalhar em sala de aula. Confira!   

Daniel Manduruku – Foto Divulgação

Daniel Munduruku 

Daniel Munduruku é um escritor e professor paraense, pertencente ao povo indígena Munduruku. Autor de 56 livros publicados por diversas editoras no Brasil e no exterior. É graduado em Filosofia e tem licenciatura em História e Psicologia. Tem Mestrado e Doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo e Pós-Doutorado em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos. 

Crônicas Indígenas para Rir e Refletir na Escola – Editora Moderna – 88 páginas 

Segundo autor, o objetivo da obra é causar espanto com aquilo que parece óbvio, mas não é. “Não é, porque pouco sabemos sobre essas populações (indígenas). O que nos ensinaram tem a ver com a tal da história única contada por uma voz estridente que nunca nos ofereceu outras versões, e por conta disso acabamos por aceitar o que nos era ensinado”, explica na apresentação da obra. 

Coisas de Onça – Editora Mercuryo Jovem – 40 páginas  

Em “Coisas de onça”, os velhos pajés e a sábia Kaluhã contam histórias que ensinam às crianças como superar desavenças e hostilidades, por meio da negociação, evitando o confronto e o enfrentamento – e que a respeitabilidade é mais duradoura se conquistada em grupo, e não individualmente.  

Coisas de Índio – Editora Callis – 56 páginas 

Ainda hoje, os povos indígenas são mal compreendidos porque têm um jeito próprio de viver. Neste livro, o autor não só explica o que é ser índio, mas também elucida o leitor acerca de particularidades da sua cultura. As aldeias, a língua e as artes são alguns dos temas abordados, explicados de maneira simples e atrativa, e ilustrados de forma a transmitir toda a riqueza da cultura indígena às crianças. 

Graça Graúna 

Indígena potiguara, Graça Graúna (Maria das Graças Ferreira) nasceu em São José do Rio Campestre, no Rio Grande do Norte. Escritora, poeta e crítica literária, é graduada, mestre e doutora em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco e pós-doutora em Literatura, Educação e Direitos Indígenas pela Universidade Metodista de São Paulo. Participa de várias antologias poéticas no Brasil e no exterior. 

Graça Grauna – Foto: Irís Cruz

Flor da Mata – Editora Mazza – 48 páginas 

Em pequenos versos, com simplicidade e sensibilidade, o livro de poesias aborda a instantaneidade do momento e a transitoriedade do sentimento através de imagens do dia, palavras, cores e sons do cotidiano.  

Criaturas de Ñanderu – Editora Amarilys – 24 páginas 

Trata-se da história da mais bela cunhã, que teve o nome trocado por seu pai para um nome de pássaro. Quando estava com seu povo, os ombros dela se recobriam de uma vasta plumagem negra. Mas, quando saia da aldeia, a plumagem se transformava em belos cabelos negros para não atrair a atenção das outras pessoas.  

Yaguarê Yamã 

Escritor, professor, geógrafo, artista plástico e líder indígena nascido no Amazonas. Formado em Geografia pela Universidade de Santo Amaro. Por seis anos, morou em São Paulo, estudando, lecionando e dando palestras de temática indígena e de meio ambiente. Pertence ao clã Aripunãguá, dos Maraguá e também descende dos Sateré-Mawé por parte de pai. 

Yaguare Yama – Foto Arquivo Pessoal

Contos da Floresta – Editora Peirópolis – 77 páginas 

Neste livro, o autor recria mitos e lendas do povo indígena Maraguá, conhecido na região do Baixo-Amazonas como “o povo das histórias de assombração”.  

As três primeiras histórias são mitos sobre animais fantásticos que protegem as florestas. As três seguintes são lendas que enredam a rotina da tribo em acontecimentos mágicos – todas narradas em pequenos textos cheios de ritmo e suspense.  

Ao final, há um glossário com termos da Língua Regional Amazônica e do idioma Maraguá para contribuir para o registro da cultura de um povo que hoje vive em apenas quatro pequenas aldeias e conta 250 pessoas.  

Os Olhos do Jaguar – Editora Jujuba – 24 páginas

“Os olhos do jaguar” é uma história oriunda das culturas dos povos Sateré-Mawé e Maraguá, passada de geração para geração. Com ilustrações com cores que valorizam as riquezas da floresta, o livro narra o relacionamento do jaguar, todo esperto, com os outros animais. O autor acrescentou ao texto várias palavras da língua maraguá e, ao final da obra, é possível saber mais sobre seu povo, que vive no estado do Amazonas. 

Leia mais: Como promover o acolhimento emocional na escola 

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