Fórum de Lideranças: entrevista com Carolina da Costa

Diretora Acadêmica de Graduação do Insper, Carolina da Costa é Ph.D em Educação pela Rutgers, The State University of New Jersey, além de bacharel e mestre em Administração de Empresas. Durante o Fórum de Lideranças: Desafios da Educação, realizado na sua instituição no início de agosto, Carolina falou um pouco das novas tecnologias pedagógicas e das oportunidades que surgem de modelos de ensino mais eficazes. Ao Blog Desafios da Educação, a gestora também falou de tecnologias, de soluções que vem experimentando e do futuro da educação no Brasil.

Como você vê o cenário de adoção da tecnologia no Brasil, especialmente no ensino superior?

Acho que ela afeta de forma diferente diversas instituições. Há instituições, por exemplo, que atendem o público em massa, e que vão aproveitar as novas funcionalidades em tecnologias de uma maneira que propicie ganho de custo, de escala, de acesso, o que é uma preocupação legítima que elas têm. Agora, tem faculdades que são mais focadas em um público menor e que, por isso, têm a possibilidade, por exemplo, de cobrar mensalidades maiores e, com isso, oferecer uma equação de faculdade diferente. Além disso, as tecnologias vão precisar ser bastante entendidas, no sentido de sabermos o que de fato elas estão oferecendo de novo, quais são as funcionalidades, quais são as oportunidades, o que será mais possível de fazer com elas do que sem elas. Aqui no Insper, por exemplo, estamos, neste momento, imersos em uma reflexão crítica, até porque o Insper tem um modelo de ensino em que o aprendizado está em primeiro lugar, a qualidade do ensino e a tecnologia têm que estar a serviço disto e saber qual tecnologia escolher exatamente vai nos ajudar nesta missão que não é trivial.

Que tecnologias o Insper vem utilizando?

Estamos fazendo vários experimentos, temos algumas soluções da Blackboard ainda a serem exploradas com os docentes. Tem muita funcionalidade de avaliação de interação que a gente ainda precisa aprender e engajar o docente para isto. Estamos experimentando na área de games e de simulações. Também temos explorado soluções com alguns fornecedores, o conceito de plataformas adaptativas, que são conjuntos de avaliações, e relatórios individualizados de lacunas de aprendizagem, mas, como eu disse, não é trivial. Não é só uma questão de montar um banco de questões, temos que fazer um referenciamento deste conteúdo com os objetivos de aprendizagem.

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Carolina da Costa foi uma das palestrantes do evento
FONTE: Divulgação

Como é que os professores têm absorvido estas novas tecnologias, eles são treinados?

A primeira grande frente do Insper, que vem acontecendo nesses últimos 10 anos, é a de engajar os professores numa discussão sobre aprendizado, independente do meio que você vai usar pra isto, as pessoas precisam estar conscientes de que o aprendizado é nossa missão principal, que a gente tem objetivos de aprendizagem definidos, mapeados, que é importante a gente conversar sobre o que o aluno tem aprendido ou não. Aí eles vão participar do fórum, porque eles são as pessoas na sala de aula, lidando com os desafios, com as barreiras. Essa conversa perpassa muitos temas: motivação do aluno, engajamento, natureza dos problemas, natureza das questões, e, uma vez que temos avançado, alguns professores naturalmente têm sido mais entusiastas sobre o uso da tecnologia voltado a esse fim. Com esses professores, a gente tem feito um trabalho mais intensivo de treinamento, de preparação, de montar pequenos grupos para compartilhar experiências. Com o grupo mais geral, temos, pouco a pouco, deixado que eles entrem em contato com, por exemplo, a Blackboard e suas funcionalidades, para que eles consigam de fato ver um valor agregado neste uso de metodologia versus o que naturalmente eles usam. Se esse valor não for percebido, dificilmente vai ser com treinamento que vamos convencer o docente a usar.

Que resultados e benefícios vocês têm observado com o uso das soluções da Blackboard?

Tem sido muito bom para criar, para começar a esboçar comunidades de aprendizagem até entre docentes, porque a gente tem dentro da Blackboard comunidades de docentes compartilhando material, discutindo via blog, então isto tem sido muito bom para a gente unir o corpo docente, criar temáticas em comum. Para os alunos, há, sem dúvida nenhuma, várias conveniências e facilidades como a de fazer download, de acessar o material sem impressão. Temos tido experiências com as avaliações da Blackboard que permitem atualizar questões, correções, mas isso precisa ser acompanhado. Temos uma preocupação muito grande, aqui no Insper, de rubricas e critérios de avaliações, não adianta simplesmente o aluno ver que acertou X e errou Y, ele precisa entender o que errou e porque errou, então esse trabalho tem que ser complementar, mas acho que, de maneira geral, é isto: as comunidades têm acesso a informações bem organizadas, permitindo ao aluno entender o conteúdo, saber por onde ele tem que navegar, porque, às vezes, quando ele está sozinho, ele se perde. Mas os modelos de avaliação e as ferramentas que a Blackboard traz tendem a ser muito úteis para avaliações formativas.

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Fórum de Lideranças realizado em São Paulo reuniu mais de 200 gestores
FONTE: Divulgação

Qual você acha que é o principal desafio da educação no Brasil?

Essa é uma pergunta bastante ampla, porque você tem diversos públicos. Para cada público, o desafio é um. Posso falar pelo Insper, sobre como é o desafio de uma faculdade que tem uma mensalidade prime, que tem como missão a ambição de formar pessoas que vão fazer a diferença onde quer que elas atuem, de formar a liderança de um país. Nosso principal desafio é avaliar continuamente se a gente tem atingido isso, se nós, como grupo docente e direção, temos nos valido das melhores ferramentas, dos melhores meios para atingir nosso objetivo e esta conversa não pode deixar de incluir o mercado de trabalho.

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*entrevista a Luísa Ferreira.