Opinião

Thuinie Daros: 8 tendências da educação a partir de 2022

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A educação está mudando mais rápido do que nunca. Imprevisibilidade, exponencialidade e transformação digital são as forças disruptivas que impulsionam essa significativa metamorfose.

As adaptações impostas pela pandemia de Covid-19 ainda moldam e aceleram a mudança em curso. A crise sanitária gerou uma experiência de aprendizagem incomum (para dizer o mínimo) para professores, estudantes, mantenedores e gestores. E a tecnologia – e o suporte técnico – desempenharam um papel central em sala de aula.

Com base nesse cenário, elaborei uma lista das 8 principais tendências da educação a serem observadas nas instituições brasileiras a partir de 2022:

  1. Sala de aula digital

Ser digital vai muito além do aparelhamento tecnológico. Trata-se de uma mudança paradigmática que se reflete na cultura e no mindset educacional. No fim das contas, impacta na organização curricular e se concretiza nas práticas pedagógicas.

Em síntese, estou falando do desenvolvimento de um conjunto de atividades realizadas por meio da tecnologia. Elas se integram e interconectam, otimizando processos, favorecendo e intensificando o aprendizado dos alunos. Além disso, essas soluções integradas de aprendizagem se articulam com os demais setores das instituições de ensino.

Recursos, tecnologias, metodologias, foco no desenvolvimento de competências e habilidades, análise de indicadores gerados por evidências. Todos esses fatores trabalham em conjunto para melhorar os resultados acadêmicos, otimizar o tempo do professor e de outros setores das instituições e preparar os estudantes para as necessidades sociais atuais.

A confiança na tecnologia cresceu exponencialmente nos últimos dois anos. Entretanto, nos próximos anos, os profissionais da educação ainda esperam por plataformas e recursos tecnológicos que tenham a simplicidade como característica.

Leia mais: A sala de aula do futuro é digital

  1. Aprendizagem online e telepresencialidade ativa

Segundo uma pesquisa publicada pelo Research and Markets, a indústria da educação online vai movimentar 319 bilhões de dólares até 2025. Entre os benefícios criados pelo mercado do aprendizado online, na comparação com o presencial, estão o custo, a flexibilidade e a escala.

Outro dado relevante vem do relatório de Tendências de Educação Online do Best Colleges. Conforme o documento, 94% dos alunos que fazem cursos online estão satisfeitos com a experiência.

O dado chama a atenção, uma vez que muitas universidades começaram a oferecer cursos online e telepresenciais como uma medida de emergência durante a pandemia. É natural que boa parte delas siga investindo neles no futuro.

No conceito de sala de aula online, estão as ferramentas de encontro síncrono entre professores e estudantes. Entre elas, o Teams, da Microsoft; o Meet, do Google; e o Collaborate, da Blackboard. Quanto mais robusta em termos de possibilidades de uso, melhores as condições dessas plataformas garantirem a aprendizagem telepresencialmente.

É por isso que a sala de aula do século 21 pode ser 100% online. E mais: potencializada pelo uso de microlearning, serious games, gamificação e simuladores integrados. Tudo isso para desenvolver as habilidades dos estudantes por meio de interações online e telepresencialidade ativa.

Leia mais: Como promover a aprendizagem ativa em uma sala de aula virtual

  1. Aprendizagem visível

Aprendizagem visível é tornar o processo e as evidências de aprendizagem claras e conscientes para professores e estudantes. O objetivo é fortalecer o engajamento, a criação de sentido e a reflexão sobre a própria aprendizagem. .

John Hattie e sua equipe desenvolveram uma síntese de medição dos fatores que impactam diretamente na educação. Eles estão condensados em seu livro “Aprendizagem Visível para Professores: Como Maximizar o Impacto da Aprendizagem”.

Pela definição de Hattie, “o ensino e a aprendizagem visíveis ocorrem quando os professores olham a aprendizagem pelos olhos dos alunos e quando os alunos veem como seus próprios professores”.

Ainda no contexto da aprendizagem visível, Mark Church apresenta as disposições de pensamento por meio de rotinas. As rotinas de pensamento são estratégias que auxiliam a tornar visível o aprendizado para os estudantes e para os educadores. Elas podem ser podem ser usadas sozinhas ou em grupo e são aplicáveis em qualquer área do conhecimento e em qualquer idade, colocam o aluno no centro do aprendizado e desenvolvem o meta-aprendizado.

Leia mais: Os 10 princípios da aprendizagem visível

  1. Personalização do Ensino

O aprendizado personalizado permite que os estudantes se encarreguem da sua educação. Ao mesmo tempo, ajuda os professores a atender às necessidades específicas dos alunos ao invés de forçar uma solução em “tamanho único”.

Personalizar não se trata, unicamente, de ofertar uma experiência exclusiva de aprendizagem para cada estudante. É também sobre o modo como uma instituição acompanha os percursos individuais, analisando estilos de aprendizagem e reunindo dados e preferências.

Ou seja, a personalização extrai indicadores-chave de desempenho e resultados da análise de dados para personalizar a jornada do aluno. Isso os ajuda a aprender mais rápido, reter melhor os conteúdos e aplicar os novos conhecimentos e habilidades para resolver as atividades propostas, favorecendo o sucesso e a permanência em sala de aula.

  1. Novas abordagens híbridas

Se 2021 foi, definitivamente, o ano de maior abrangência do modelo híbrido, essa tendência se estenderá daqui para frente.

Quando falamos em modelo híbrido para 2022, destaco dois aspectos fundamentais:

  • Capacidade ofertar um modelo híbrido organizado por meio de uma estruturação adequada às necessidades desta abordagem;
  • A criação e catalogação novas modelagens híbridas.

Após os aprendizados gerados pela flexibilização e adaptabilidade do cenário pandêmico, é possível afirmar que os modelos catalogados não são suficientes para registrar todas as possibilidades de combinação que a integração do presencial com o online pode oferecer.

Entre os exemplos de modelagem na educação híbrida, estão combinações dos seguintes objetos de aprendizagem: microlearning, vídeos, conteúdos em áudio, ensino presencial, ensino telepresencial, atividades síncronas e assíncronas, laboratórios virtuais, roteirização de atividades, semanas de imersões presenciais e online e meetups.

Leia mais: 2022 será mais híbrido do que nunca

  1. Neuroeducação

Os últimos anos trouxeram algumas lições. Determinadas atividades, convencionalmente praticadas na educação, tiveram seus resultados questionados. Por exemplo, palestras presenciais sem interação, aulas em tamanho e formato único, provas baseadas em memorização e lições de casa não guiadas.

A neuroeducação é um subcampo onde as abordagens de ensino são apoiadas pelos princípios da neurociência. Sua força está, justamente, no fato de apresentar o que funciona melhor quando se trata de aprender novos conhecimentos e habilidades.

Personalizar o processo de aprendizagem é um dos pilares da área, seja ensinando em grupos ou usando a inteligência artificial por meio do learning analytics para atender necessidades específicas. Sempre respeitando os estilos e interesses, mas ampliando o escopo de aprendizagem dos alunos.

  1. Desenvolvimento de soft skills

As hard e soft skills terão o mesmo grau de importância no enfrentamento aos desafios que se apresentam no futuro de nossas vidas pessoais e profissionais. O relatório The Future of Jobs destaca algumas habilidades socioemocionais essenciais no século 21: pensamento crítico, resolução de problemas, gerenciamento de pessoas e criatividade. Ou seja, para garantir um futuro melhor aos seus alunos, escolas e professores devem ter um sistema que desenvolva soft skills.

Leia mais: Como desenvolver essas 5 soft skills em sala de aula

  1. Microcertificações

Serão necessárias várias e pequenas competências para se destacar no mercado de trabalho. Em um cenário de mudanças cada vez mais velozes, a empregabilidade ao longo da vida depende disso. As microcertificações melhoram e aceleram o processo de desenvolvimento da carreira. Sendo assim, elas devem visar o desenvolvimento de habilidades específicas nos estudantes que serão aproveitadas no mercado de trabalho.

Olhando para essas 8 tendências, é instigante observar para onde a educação caminha. Embora algumas abordagens permaneçam constantes, a transformação digital expande as habilidades educacionais sem aumentar os custos. E, ao mesmo, tempo, novas estratégias ampliam e qualificam a experiência de aprendizagem para estudantes de todas as idades.

Por fim, as abordagens pedagógicas para mais relevantes para 2022 têm a capacidade de gerar grande impacto na vida de professores e estudantes. Elas vão fazer com que aprendam mais e melhor, dando a chance de desenvolverem habilidades e competências que ampliarão seu repertório de possibilidades.

Thuinie Daros
Thuinie Daros é co-fundadora da Téssera Educação, Head de Cursos Híbridos e Metodologias Ativas da Unicesumar EAD, gestora, palestrante, consultora e autora de diversos livros na área da educação, entre eles “A Sala de Aula Inovadora: estratégias pedagógicas para fomentar o aprendizado ativo (selo Penso). Escreve regularmente no Desafios da Educação.

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