Aprendizagem Baseada em Desafios é chave para um ensino ativo

Alimentar a curiosidade e as visões de mundo sempre foi um dos papéis principais das escolas. Entretanto, o tempo em que o ensino ficava preso nos livros didáticos e entre as paredes de uma sala de aula está cada vez mais no passado. Hoje, o processo de aprendizado sai pela porta e se espalha por toda a comunidade acadêmica, atravessa o portão e encontra a comunidade.

Provocar questionamentos e exercitar a capacidade de encontrar respostas é o conceito principal do Aprendizado Baseado em Desafios (CLB, do inglês Challenge Based Learning). Ainda pouco difundido no Brasil, o método pedagógico busca incentivar a liderança e a autonomia, ao formar profissionais treinados para a resolução de problemas.

O CBL nasceu em 2008 como parte do projeto Apple Classrooms of Tomorrow-Today (ACOT2), uma iniciativa da gigante de tecnologia para aprimorar os caminhos do aprendizado no século 21. O ACOT2 deriva do projeto Apple Classrooms of Tomorrow, que entre 1985 e 1995 buscou integrar a tecnologia ao processo de ensino-aprendizagem. Na época, a Apple deu suporte tecnológico para escolas da Califórnia, estudando os benefícios do meio digital para o desenvolvimento dos alunos ao conduzir experimentos na área da gamificação.

Anos depois, nos anos 2000, o ACOT2 foi lançado para entender as necessidades do Ensino Médio nos Estados Unidos. O projeto, segundo a Apple, era auxiliar as escolas a criar o ambiente de aprendizagem que os alunos precisavam, queriam e esperavam, para diminuir os índices de evasão escolar. A empresa viu no ensino a necessidade de preparar pessoas para a sociedade altamente mutável dos dias atuais, e buscou refletir estas preocupações no desenvolvimento de métodos pedagógicos que pudessem ser replicados facilmente nas escolas.

Como funciona?

O CBL é adaptável a diferentes níveis escolares, desde o ensino fundamental até instituições de ensino superior. O método parte de uma tema geral, sobre a qual serão debatidas questões essenciais, questões norteadoras, atividades e reflexões. A cada questão básica levantada é necessário atrelar um desafio que possa ser convertido em uma ação prática pelos alunos. Para isso, é necessário que o tema geral seja amplo o suficiente para poder ser aberto em diversas questões.

As questões norteadoras, por sua vez, são levantadas pelos alunos. Elas formam a rota de aprendizagem necessária para o cumprimento da tarefa apresentada, e guiará o estudante por todo o processo. Para respondê-las vale a criatividade: podcasts, vídeos, recursos multimídia e apresentações podem ser amplamente adotadas para transmitir o conteúdo.

Deve-se procurar soluções variadas para os problemas apresentados. As soluções apresentadas devem ser claras e bem fundamentadas, além de aplicáveis no ambiente proposto, seja a sala de aula, a escola ou a comunidade.

É importante que as soluções propostas possam ser implementadas na vida real, em maior ou menor escala. Assim, o conteúdo estudado passa a fazer parte da vida do aluno, estimulando a turma a novas atividades. As avaliações devem ser feitas ao longo de todo o projeto, formal e informalmente, estabelecendo metas para a metodologia. Os critérios podem ser debatidos com as equipes, adaptados ao tipo de atividade a ser desenvolvida.

Ao adotar conceitos amplos, é possível que os times envolvidos possam desenvolver trabalhos em diferentes áreas. Escolhendo o tema “alimentação”, por exemplo, a questão essencial pode ter como base a importância da alimentação na saúde e explorar como desafio os meios de adotar uma alimentação saudável. Os alunos, neste caso, tem possibilidade de estudar a cadeia produtiva dos alimentos, sua composição biológica, as necessidades do corpo humano e muitas outras abordagens que embasam a utilidade de comer bem.

Resolvendo problemas
No Brasil, a resolução pedagógica de problemas tem sido usada pela Faculdade União das Américas (Uniamérica) como base do ensino ativo. “A proposta de aprendizagem da Uniamérica rompe com o paradigma de que a teoria vem primeiro e a prática depois”, explica Ryon Braga, diretor-presidente da instituição. Segundo ele, a educação tradicional está sendo constantemente desafiada pelo impacto das tecnologias, oferecendo novos mecanismos de aprendizagem, como a sala de aula invertida, blended learning, ensino híbrido e realidade aumentada, que auxiliam o estudante na absorção efetiva do conteúdo.

Na instituição, que conta com parcerias com empresas incubadoras e startups, e quer ser a primeira instituição privada 100% gratuita do Brasil, os alunos aprendem através de dinâmicas e trabalho em grupo. “Nesse método, o aluno inicia a prática desde o primeiro dia de aula, quando são desafiados por problemas reais, aplicando seus conhecimentos e habilidades adquiridos em aulas teóricas”, relata Braga.