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A diferença entre faculdade, centro universitário e universidade

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Campus da UFN, em Santa Maria. Crédito: Mark Braustein/divulgação.

Elas são consideradas sinônimos com frequência, mas na verdade não são. Faculdades, centros universitários e universidades, embora instituições de ensino superior (IES), podem ter funções e status diferentes.

Conforme o decreto 5.773, de 2006, faculdades e centros universitários são entidades com foco na oferta de graduação, sob forte supervisão do Ministério da Educação (MEC). Já as universidades têm mais autonomia e ofertam não apenas graduação, mas também pesquisa e extensão. Entenda melhor:

Os tipos de IES

Faculdade >> As faculdades são a raiz de tudo. Isso porque universidades e centros universitários nada mais são do que complexos formados por faculdades. Elas atuam, geralmente, em um número menor de áreas – o mais comum é que as faculdades sejam especializadas em um único ramo do conhecimento. Um exemplo, já abordado no Desafios da Educação, é o da Faculdade Rudolf Steiner, que oferece curso de pedagogia a partir da metodologia Waldorf. Para criar novos cursos, toda faculdade precisa de autorização expressa do MEC.

Centro universitário >> Para estabelecer um centro universitário é necessário que um terço do corpo docente seja formado por mestres ou doutores. Outra exigência em relação aos professores: pelo menos um quinto deles deve ter contrato em regime integral com a instituição. Centros universitários podem abranger uma ou mais áreas do saber – via de regra, são maiores que faculdades e menores que universidades. Têm autonomia para criar novos cursos de graduação e programas de ensino. Exemplos retratados neste Desafios da Educação: Católica de Santa Catarina, centro universitário com forte foco em empregabilidade e EAD; UniProjeção, recentemente alçada ao status de centro universitário; e Centro Universitário Ítalo Brasileiro, também conhecido como UniÍtalo.

Universidade >> Ligada a atividades de ensino, pesquisa e extensão – em diferentes áreas do saber –, a universidade é o tipo de IES que mais recebe autonomia do MEC. É o caso da Unisinos, IES perfilada recentemente pelo Desafios da Educação. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, um terço dos professores das universidades deve ter dedicação integral. Além disso, um terço dos docentes tem de ser mestres ou doutores. Esse tipo de instituição também oferece no mínimo dois programas de doutorado e quatro de mestrado. Apesar dos requisitos, atualmente uma em cada três universidades no Brasil não pode ser considerada como tal – segundo levantamento inédito do jornal Folha de S. Paulo.

Leia mais: Fusões e aquisições desafiam pequenas instituições de ensino superior

Como virar universidade

A obtenção do status de universidade pode representar uma longa caminhada para faculdades e centros universitários. Tome-se como exemplo a Unifra, da cidade gaúcha de Santa Maria. Em março de 2018, após 18 meses de solicitação junto ao MEC, a instituição finalmente teve reconhecido o título de universidade. Passou a se chamar Universidade Franciscana (UFN).

Fachada da UFN, em Santa Maria (Foto: Divulgação)

Fachada da UFN, em Santa Maria (Foto: Divulgação)

A UFN levou mais de seis décadas para atingir o grau máximo de estrutura acadêmica. Fundada na década de 1950, começou a operação com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Imaculada Conceição (FIC). Naquela mesma época, a instituição expandiu e criou uma nova faculdade, a Escola de Enfermagem Nossa Senhora Medianeira (Facem).

Essas duas instituições corriam em paralelo. Enquanto a FIC formava professores para licenciatura, a Facem formava enfermeiros. Foi assim por mais de 40 anos, até que, em 1995, FIC e Facem se uniram. Da integração surgiu a Faculdade Franciscana, que posteriormente originou o Centro Universitário Franciscano (Unifra).

Em meados 2016, a Unifra solicitou ao MEC seu reconhecimento como universidade. Quando oficializou o novo status, após 18 meses, a UFN oferecia 34 cursos de graduação e sete de pós-graduação.

Santa Maria, sede da Universidade Franciscana, é conhecida como “cidade universitária”. Além da UFN, tem pelo menos outras sete IES privadas. Elas atendem, juntas, mais de 10 mil alunos e ofertam quase 8 mil vagas por ano.

A maior instituição da cidade, no entanto, é a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Conforme o jornal Zero Hora, a UFSM tem uma comunidade acadêmica superior a 37 mil pessoas.

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