EAD

Vetar alunos formados a distância é controverso em pleno século 21

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Para Fernanda Furuno, conselhos profissionais não consideram a seriedade com que atuam muitas instituições de ensino superior. Crédito: Marcos Santos/USP Imagens.

É provável que, em 2023, as instituições de ensino superior (IES) privadas comecem a receber mais alunos para estudar a distância do que presencialmente.

Mas mesmo cientes do alto potencial de alunos e da oferta de cursos na modalidade de EAD, pelo menos quatro conselhos profissionais se manifestaram contrários à oferta e ao reconhecimento desse tipo de formação.

As entidades – que representam as áreas de Arquitetura e Urbanismo, Farmácia, Odontologia e Medicina Veterinária – aprovaram resoluções que vetam, em todo Brasil, o exercício da profissão a egressos da modalidade EAD sob argumento de que disciplinas online são insuficientes para uma formação de qualidade.

Leia mais: Conselhos de Saúde e Arquitetura vetam alunos formados por EAD. E agora?

Ao que parece, os conselhos profissionais não levam em consideração a seriedade com que muitas instituições de ensino superior (IES) atuam – seguindo os regimentos e regulações do Ministério da Educação (MEC).

Generalizar a formação a distância como sendo de baixa qualidade, interação e/ou aprendizagem são argumentos muito fracos e controversos em pleno século 21. Convivemos com movimentos disruptivos, que alteram nossos hábitos e promovem cada vez mais a combinação do real com o digital.

É importante frisar que todos os cursos superiores, independentemente da modalidade, devem cumprir as DCNs (Diretrizes Curriculares Nacionais). Essas diretrizes estabelecem toda a carga horária prática necessária, assim como os estágios curriculares (dependendo da área).

Ressalta-se também que a maioria das instituições que ofertam cursos EAD já os oferecem presencialmente – e contam com toda a infraestrutura necessária para as atividades práticas obrigatórias da graduação a distância.

Por óbvio, é impossível afirmar que a EAD garante uma carreira com maestria. Mas quem garante que um profissional formado presencialmente há 20 anos – e que não se especializou ou acompanhou a evolução da sua área – é melhor do que um profissional recém-formado em contato com o que há de melhor e mais moderno?

Acredito na melhoria de instrumentos que possam avaliar a qualidade dos cursos e dos seus formandos, como o Enade. Não creio em “pré-conceitos” ou “pré-julgamentos” que vetam o exercício da profissão.

Leia mais: MEC amplia carga horária online de cursos presenciais, exceto para Saúde e Engenharia

Fernanda Furuno
Fernanda Furuno é co-fundadora do Guia EAD Brasil, consultora da área de Sucesso do Cliente no Grupo A e membro do Conselho de Inovação da Abed.

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