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Com EAD em 40% da carga horária, ensino híbrido ganha espaço

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Os gestores ganharam mais um motivo para credenciar as instituições de ensino superior (IES) na modalidade EAD. No apagar das luzes de 2018, o governo federal editou uma portaria de 2016 que amplia para 40% a carga horária a distância de cursos presenciais de ensino superior. O percentual anterior era de 20%.

Com a nova regra, faculdades e universidades poderão ofertar disciplinas a distância em até dois dos cinco dias de aula na semana. A ampliação, no entanto, é permitida apenas para instituições nota 4 no Conceito Institucional – indicador que vai de 1 a 4, sendo 3 o mínimo de qualidade esperado – e para cursos com nota 4 ou 5 no Conceito de Curso, segundo o Ministério da Educação (MEC). Graduações presencias das áreas de Engenharia e Saúde não entram no novo sistema.

A expansão da EAD tem sido estratégica entre instituições de ensino superior privadas. Cursos não-presenciais, em geral, permitem redução de custos com professores e infraestrutura. Com a operação mais enxuta, muitas IES tornam-se mais competitivas – pois também ganham margem para reduzir o valor das mensalidades e atrair novos alunos.

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Ensino híbrido

Além de aquecer o mercado de EAD, a portaria favorece a consolidação do ensino híbrido no Brasil. Também conhecido por blended learning, o ensino híbrido é uma das principais tendências da educação do século 21. Em sua raiz está a combinação do ensino presencial com o aprendizado remoto.

Um estudo interno do grupo Ânima Educação, que congrega instituições como a Universidade São Judas Tadeu, de São Paulo, e o Centro Universitário Una, de Minas Gerias, apontou que a nota média dos alunos de cursos híbridos foi 16% maior em comparação com o desempenho dos estudantes matriculados em cursos presenciais.

O resultado levou a Ânima a investir no ensino híbrido como único modelo de formação. Nenhuma das instituições ligadas ao grupo oferece aulas totalmente a distância, tampouco 100% presenciais.

Leia mais: Ensino híbrido reduz custos e aumenta aprendizagem

A questão é que o conceito “híbrido”, enquanto norma, ainda não é reconhecido no Brasil. Na prática, as instituições que apostam no modelo geralmente oferecem graduações a distância com atividades práticas presenciais obrigatórias. Na Estácio, por exemplo, esses cursos são conhecidos como Flex – e contempla, inclusive, as áreas de Engenharia e Saúde (EAD).

“Nós acreditamos muito no hibridismo”, afirma Adriano Pistore, vice-presidente de operações de EAD da Estácio. “Nesse conceito, autonomia é a palavra de ordem: o aluno pode estudar à maneira dele, no tempo dele, com suporte do ambiente virtual de aprendizagem e de atividades presenciais que não são engessadas.”

Em junho de 2018, durante o congresso anual da Associação Brasileira das Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), a consultoria Educa Insights indicou que a fatia dos cursos híbridos no Brasil aumentaria de 4% para 21% até 2023. Com a nova portaria, tudo leva a crer que o crescimento será ainda maior.

Leia mais: Após boom, número de polos EAD pode reduzir nos próximos anos

Bruno Weiblen
Bruno Weiblen é diretor comercial do Grupo A e membro do conselho editorial do portal Desafios da Educação.

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