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Após boom, número de polos EAD deve reduzir nos próximos anos

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Presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), Fredric Michael Litto foi direto ao assunto na abertura da 24ª edição do Congresso Internacional Abed de Educação a Distância (Ciaed): “O que realmente interessa sobre o desempenho dos alunos de EAD são os resultados. Eles são a melhor evidência de sucesso do modelo”.

De acordo com Litto, o Enade e outros indicadores demonstram que a comunidade brasileira de EAD está fazendo um bom trabalho. “Temos que botar a boca no trombone. Até porque, enquanto o número de matriculados no ensino presencial diminui, no EAD eles aumentam consideravelmente.”

Um dos fatores responsáveis pelo boom no ensino a distância tem a ver com a regulação do setor. Por conta disso, Litto elogiou o Ministério da Educação, cuja atuação em favor do ‘desengessamento’ da modalidade permite que as instituições experimentem mais o EAD. “Temos que aproveitar essa nova liberdade, inclusive para a extensão de atividades para o ensino médio”, disse ele.

O reflexo desses movimentos pode ser visto na expansão vertiginosa na quantidade de polos de ensino superior EAD no último ano: entre maio de 2017 e maio de 2018, a oferta saltou de 6.583 para 15.394. O aumento, de 133%, é uma consequência direta do decreto 9.057, que flexibilizou as diretrizes do segmento.

Expansão e depuração

A abertura foi seguida por um painel que debateu os impactos do crescimento dos polos de apoio presencial e o credenciamento de novas IES para EAD. Presidindo a mesa, Janes Tomelin, pró-reitor de EAD da Unicesumar, de Maringá (PR), lembrou que em 2014 havia menos de 5 mil polos de apoio no Brasil, três vezes menos que hoje. Baseado nesse “boom”, o professor convidou Carlos Longo, pró-reitor acadêmico da Universidade Positivo, a refletir sobre a nova realidade.

“A mudança é importantíssima, pois aumenta a inclusão e oportuniza às IES menores a fazer EAD. Até então, elas tinham que esperar em média quatro anos para entrar na modalidade”, lembrou Longo. Ele mencionou, ainda, a oportunidade de a sociedade fazer escolhas.

Apesar de destacar os aspectos positivos dessa conjuntura, Longo não deixou de atentar para a saturação do próprio mercado. “Não existe demanda para todas essas ofertas, e isso complica o processo.” Na opinião do pró-reitor acadêmico da Universidade Positivo, deverá haver uma depuração natural do mercado de EAD, fazendo com que os mais de 15 mil polos existentes reduzam à casa dos 7 mil dentro de dois ou três anos.

Os efeitos colaterais dessa expansão também foram questionados a Luciano Sathler, reitor do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, de Belo Horizonte (MG). Para ele, há um fenômeno global de crescimento da população universitária.

Nesse sentido, disse Sathler, a Unesco defende que países de renda média (como o Brasil) têm que dobrar seus indicadores. “A entidade aponta a educação a distância como grande resposta para isso, seja no blended ou na EAD pura”, declarou. Para Sathler, a convergência digital oferece a possibilidade de o país surfar a onda certa – a despeito de suas dificuldades ou inconsistências.

“Trata-se de uma pesquisa-ação, uma reflexão-fazendo”, afirmou Sathler, referindo-se ao modelo como um trabalho em constante aperfeiçoamento. O professor condena a ideia de que exista uma receita já formulada para o sucesso das IES. “Para enfrentar os desafios, cada instituição tem que adotar uma estratégia própria, ver qual é a sua vocação – se é regional, nacional, municipal. O mais importante é fazer algo diferente.”

Sem polos presenciais?

Professor, pesquisador e orientador no mestrado em Educação e Novas Tecnologias da Uninter, do Paraná, João Augusto Mattar Neto trouxe um contraponto ao debate: é possível fazer EAD de qualidade sem um polo presencia? Segundo ele, sim. “Fiz mestrado online nos Estados Unidos sem nenhum encontro presencial e foi uma experiência renovadora em minha vida.”

Para ele, a discussão sobre os polos é uma particularidade brasileira. Ainda assim, o cenário de franca expansão não deve ser visto com olhos negativos. Motivo: existe demanda reprimida, há um consequente aumento na competição e existe regulação.

“Tenho visto um monte de IES entrando no mercado e certamente vão fazer EAD diferente de como se faz. Tem gente querendo muito se diferenciar dos grandes players. Por isso, penso que o mercado vá se ajeitar.”

A opinião vai na linha do que disse, na sequência, a consultora educacional Margarete Lazzari Kleis: é preciso incentivar a experimentação.

“Apesar de crescer vertiginosamente, ainda estamos aquém na EAD, e o polo é uma forma de aproximar o aluno. Há pessoas com dificuldade de acessar a internet ou mesmo ter um computador”.

Por fim, Kleis destacou que não se deve confundir a função do polo com a de uma IES presencial – “não se deve fazer do polo uma minifaculdade”. Por isso, concluiu, “temos de fazer com que o EAD se expanda com qualidade”.

 

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