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Faculdades equilibram descontos para não perder margem e alunos

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Mais uma vez sem o Fies, o programa de financiamento estudantil do governo, os grupos de ensino superior buscam novas as estratégias para manter e aumentar a competitividade. A informação é do jornal Valor Econômico.

Tudo começou quatro anos atrás, quando a crise eclodiu. Uma das primeiras medidas para atrair alunos foi conceder grandes descontos nas mensalidades e isenção de matrículas. Mas essa guerra de preços mostrou-se equivocada. Embora com maior receita, a rentabilidade acabou caindo.

Desde então, os grandes grupos de ensino reduziram a política de descontos. A ideia era manter um número menor de alunos, desde que fossem bons pagadores e garantissem o lucro. Mas nem isso funcionou. No vestibular do meio do ano da Estácio, houve queda de 24,6% no número de calouros de graduação presencial. Na Ser Educacional, a redução foi de quase 11%.

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Agora, as empresas tentam se reinventar – de novo. Os grupos pretendem buscar um ajuste mais equilibrado na política de descontos, o que pode incluir promoções pontuais em cursos e localidades onde a demanda está mais baixa.

Só que a guerra de preço ainda persiste. Segundo o Valor Econômico, o site Quero Bolsa, por exemplo, oferece descontos de 30% a 50% em mensalidades de cursos presenciais. Detalhe: em cerca de 1,3 mil instituições. No país, são 2,1 mil instituições privadas de ensino superior.

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No cenário de crise econômica, uma parcela significativa de alunos tem deixado para efetivar a matrícula no fim do processo seletivo – ou seja, em março, no caso do vestibular de verão, e em setembro no vestibular de inverno. Muitos acabam conseguindo abatimentos ou parcelamento das primeiras mensalidades.

A Estácio montou um time exclusivamente para recuperar os alunos perdidos. “A gente tem um time que fica olhando 24 horas o preço. Para o primeiro semestre de 2019 a estratégia é manter tíquete, porém, estamos trabalhando para inverter essa tendência [de queda] na base de alunos”, disse Pedro Thompson, presidente da Estácio, ao Valor.

A Ser Educacional, líder no Nordeste, percebeu uma guerra de preço menor no segundo semestre quando comparado ao primeiro – embora o número de calouros tenha caído.

Na Kroton, por outro lado, o número de ingressantes na graduação presencial cresceu 5,3%. Líder do setor, a empresa tem uma política de descontos diferenciados e um programa de parcelamento de mensalidades que ajuda a atrair novos estudantes. “Trabalhamos com uma política de precificação dinâmica que muda conforme a demanda”, disse Carlos Lazar, diretor de relações com investidores da Kroton.

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Redação
A redação do Desafios da Educação é composta de jornalistas, educadores e especialistas em educação superior.

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