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A aposta das faculdades para compensar a perda de alunos no 2° trimestre

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Unisociesc, associada à FGV, IES de Santa Catarina pertencente à Ânima Educação. Crédito: divulgação.

As matrículas nos cursos presenciais seguem minguando. No segundo trimestre de 2018, três dos grupos de ensino superior de capital aberto registraram queda no número de alunos da modalidade, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A maior perda ocorreu na líder no segmento, Kroton, que teve queda de 6,3% – saindo de 420 mil alunos matriculados em cursos presenciais para 393,5 mil. As informações são do Valor Econômico.

Embora consideráveis, as perdas na graduação presencial são compensadas parcialmente. A grande aposta está nos cursos EAD: apesar do valor da mensalidade custar até um terço do cobrado na graduação presencial, os balanços das empresas revelam um aumento expressivo de matrículas no ensino a distância, o que pode resultar em maior receita.

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Na Estácio, o crescimento foi de 21,1% nas matrículas EAD: hoje são 206,2 mil alunos, ante os 170,3 mil do segundo trimestre de 2017. Já a Ser Educacional praticamente dobrou de tamanho no ensino a distância: saiu de 7,4 mil alunos, no segundo trimestre do ano passado, para 14,7 mil no segundo trimestre de 2018.

Na Kroton, o crescimento das matrículas em EAD no período foi quase nulo (0,3%). Nesse caso, para compensar, a empresa – assim como as demais – tem promovido reestruturações como fechamento de unidades ociosas, renegociação de contratos com fornecedores e mudanças nos processos de captação e retenção de alunos.

Além disso, a Kroton tem investido fortemente em expansão orgânica. Para ainda este ano, está programada a abertura de 25 campi. Para o ano que vem, prevê outras 30 unidades.

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Para interpretar os dados da Ânima, que completa o rol das quatro companhias educacionais de capital aberto no Brasil, é preciso considerar que a empresa substituiu parte dos cursos a distância por graduações de ensino híbrido, que misturam aulas presenciais e online. Assim, os cursos híbridos passam a ser contados com os presenciais, cujo aumento de matrículas entre abril e junho deste ano foi de 5,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior – saltou de 91,5 mil para 96,1 mil alunos. Em EAD, a queda foi de praticamente 51% – saiu de 3,7 mil estudantes para 1,8 mil.

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Mesmo em meio a um cenário mais adverso, com alta competitividade, fuga de alunos e redimensionamento do Fies, o programa de financiamento estudantil do governo federal, todas as quatro empresas aumentaram o valor de suas mensalidades, tanto nos cursos presenciais quanto nos de graduação online.

Leonardo Pujol
Leonardo Pujol é editor do Desafios da Educação e sócio-diretor da República – Agência de Conteúdo.

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