3 metodologias ativas para apostar em 2018

3 metodologias ativas para apostar em 2018

O ensino brasileiro começa a caminhar em direção à inovação. Instituições, professores e especialistas estão se unindo para debater os rumos da educação daqui para frente. A meta comum é promover um ensino que agregue o conhecimento prático à tecnologia, valorizando a capacidade de ação e a pro-atividade dos alunos.

Entretanto, ainda há um longo trajeto a ser percorrido – tanto no ensino básico quanto no superior – para que se encontre uma nova forma de aprender e ensinar. O ano de 2018, por exemplo, começa com pautas importantes no âmbito político, trazendo possíveis impactos às instituições de ensino e às estratégias do segmento.

Nessa agenda, os destaques vão para três diferentes debates. Um deles diz respeito ao projeto de lei nº 5414/16, que autoriza a abertura de cursos a distância na área da Saúde. Outro assunto premente é a entrada em vigor do novo Fies, cuja medida principal reserva um fundo contra a inadimplência, mantido pelas IES. Por fim, as discussões sobre a Base Comum Curricular e o novo ensino médio também ganharão espaço.

O entendimento desses novos arranjos do cenário é essencial para quem deseja migrar para um currículo integrado com as metodologias de vanguarda. As estratégias de modernização, aliás, estão entre os diferenciais capazes de fazer com que uma instituição dê passos largos em direção ao crescimento.

Confira, a seguir, três conceitos inovadores que podem auxiliar nessa missão.

Peer Instruction
Criada no início da década de 1990 pelo professor de física holandês Eric Mazur, a metodologia do Peer Instruction (ensino por pares, em tradução livre) surgiu da necessidade de fazer os alunos compreenderem assuntos complexos de física e matemática. “Frequentemente, a disciplina de introdução à física é uma das maiores barreiras na trajetória acadêmica de um estudante”, afirma Mazur em Peer Instruction – A Revolução da Aprendizagem Ativa, lançado no Brasil pela Editora Penso.

O método consiste em tirar o foco da transferência de informações, estimulando a busca por conhecimento de forma autônoma. Apoiado em leituras pré-aula relacionadas ao tema proposto, o professor fomenta e medeia o debate entre os alunos, lançando questões conceituais baseadas nas dificuldades da turma. As aulas, assim, tornam-se direcionadas e efetivas, propiciando o auxílio mútuo entre os alunos no processo de aprendizagem.

Uma das mais importantes universidades do mundo, o Massachussets Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, adotou o modelo de Peer Instruction para desenvolver o TEAL/Studio Physics, um projeto que converteu as salas de aulas tradicionais em estúdios de física dedicados ao ensino ativo.

Flipped Classroom
O flipped classroom é uma das portas de entrada para as metodologias ativas e tem como pilar a inversão das atribuições tradicionalmente realizadas pelo estudante em sala de aula. Aqui, o estudo e os exercícios são feitos em casa, enquanto o tempo do aluno na universidade é destinado a atividades complementares. Mas o flipped classroom vai além dessa simples inversão. Para alcançar os níveis de absorção de conhecimento desejados, o aluno pode utilizar vídeos, jogos, apostilas, manuais interativos e diversos outros materiais que introduzem o conteúdo de maneira efetiva.

O método da sala de aula invertida é estudado desde os anos 1990, mas foi em 2007 que ganhou espaço nas instituições de ensino norte-americanas, impulsionado por diversos estudos de pesquisadores da pedagogia. Dois dos seus principais teóricos, Michael B. Horn e Heather Staker, tratam o assunto no livro Blended – Usando a inovação disruptiva para aprimorar a educação.  Na obra, os dois especialistas do Clayton Christensen Institute – organização dedicada ao estudo de inovações disruptivas – abordam temas relativos à preparação de uma instituição, tanto na parte burocrática quanto na operacional, para receber cursos que possibilitem o hibridismo entre sala de aula e EAD.

Mentalidades Matemáticas
Se todo ser humano é capaz de aprender matemática, por que tantos alunos têm dificuldade e até aversão à disciplina? A pesquisadora britânica Jo Boaler, professora da Stanford University, nos Estados Unidos, foi atrás de uma solução a esse dilema. Ela usou o questionamento como motriz para organizar um novo modo de ensinar ciências exatas. A disrupção no método de Boaler reside no estímulo ao potencial dos estudantes por meio da matemática criativa. O conceito, aqui, é fazer com que fórmulas matemáticas não representem apenas letras, números e uma inexplicável sensação de desconexão com o mundo real.

Para isso, as aulas idealizadas pela pedagoga abrem espaço à experiência e à experimentação, com o estudante assumindo o protagonismo do processo de aprendizagem. “O aluno se priva de pensar livremente em aula por ter medo de errar e não parecer inteligente o suficiente”, explica a professora. No Brasil, as ideias de Jo Boaler foram incubadas por instituições como o Instituto Sidarta, de Cotia, interior paulista. A escola investiga processos de aprendizagem que possam promover competências intelectuais e sociais, despertando o apreço dos alunos pelo conhecimento. Segundo a diretora pedagógica do Sidarta, Claudia Siqueira, a aversão à matemática pode não passar de uma grande falácia. “Será que as crianças têm mesmo dificuldade com a matemática ou isso é apenas um paradigma que a gente vem comprando há muito tempo?”, questiona ela.

Divulgador científico e autor de mais de 30 livros sobre o tema, o professor britânico Keith Devlin costuma afirmar que somos todos pensadores e usuários naturais da matemática. A busca por padrões no mundo e o incentivo à curiosidade são características que todo ser humano cultiva, especialmente na infância. Por isso, em um país onde os índices de aprendizado no ensino básico se mostram insuficientes, o incentivo às ciências exatas desponta como um fator extremamente necessário.