Metodologias de Ensino

9 maneiras de usar realidade virtual e aumentada em sala de aula

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realidade aumentada

Jovem usa óculos de realidade aumentada 3D, com base em celular. Crédito: George Campos/USP Imagens.

Instituições de ensino de diversas partes do mundo estão investindo em laboratórios e centros dedicados à pesquisa de realidade aumentada (RA), realidade virtual (RV) e imagens em 360 graus.

Enquanto no Brasil a área se desenvolve de forma incipiente, nos Estados Unidos há bons exemplos em curso. De acordo com dados da Educause, associação sem fins lucrativos que promove o uso da tecnologia no educação, as universidades norte-americanas devem incorporar a realidade aumentada ao currículo em até três anos.

Para a consultoria de tecnologia Gartner, 60% das instituições de ensino superior (IES) dos EUA usarão a realidade virtual em sala de aula até 2021.

Com o objetivo de estimular educadores brasileiros, e propor possíveis caminhos nessa área, o portal Desafios da Educação lista nove benchmarks norte-americanos.

1) A teoria na palma da mão

A Universidade de San Diego lançou em 2017 uma iniciativa de ensino imersivo e aprendizado virtual (VITaL, na sigla em inglês).

Desde então, dezenas de professores testaram o uso de AR, VR, realidade mista e ferramentas de vídeo em 360 graus em suas disciplinas. Entre eles, Gur Windmiller, professor no departamento de Astronomia da instituição.

Windmiller encontrou na RV “a forma perfeita” de ensinar astronomia. Conceitos de difícil assimilação de repente passam a fazer sentido quando os alunos os experimentam visualmente, explicou o acadêmico. “Você pode criar mundos onde os alunos brincam com objetos astronômicos e ver o que acontece.”

Leia mais: 4 caminhos para uma educação a distância eficaz

2) Recriando o passado

O tema da manipulação midiática reuniu estudantes da New School, universidade em Nova York, para uma aula diferente. Ministrada em parceria com o centro XReality, a tarefa desafiava os alunos a recriarem o primeiro episódio de “fake news” da história.

Em 1938, durante a transmissão da radionovela “Guerra dos Mundos”, escrita e dirigida por Orson Welles, inúmeros ouvintes acreditaram estar diante de uma verdadeira invasão alienígena. Oitenta anos depois, a tarefa dos estudantes foi recriar a mesma história utilizando os aparatos de realidade imersiva disponíveis no centro XReality.

Leia mais: Livro reúne experiências inovadoras e “radicais” na educação brasileira

3) Planejando grandes espetáculos

Um projeto da Universidade Husson, no Maine, ajudará profissionais do teatro a visualizar o design do palco para suas produções.

O departamento de tecnologia integrada da instituição está desenvolvendo o AR Stagecraft, um aplicativo para iPhones e iPads que oferece uma experiência imersiva em um palco vazio.

Os estudantes do programa de produção de entretenimento de Husson estão atualmente projetando cenários em uma aula de desenho assistida por computador, que será importada para o aplicativo para fornecer aos usuários a experiência de percorrer um cenário antes de começar a construção.

4) Reconstrução virtual da História

O Departamento de Antropologia da Universidade de Denver, no Colorado, trabalha desde 2005 na preservação de um campo de concentração nipo-americano da Segunda Guerra, próximo à cidade.

Como eles fizeram? Primeiro eles digitalizaram objetos encontrados lá, permitindo que fossem vistos de qualquer lugar do mundo. Agora, estão usando a captura de imagens por drones para produzir uma reconstrução em 3D do campo.

A ideia é criar um aplicativo de RV com o qual os visitantes poderão percorrer o local recebendo informações. Também será desenvolvido um aplicativo de RA que permitirá ao público ver o que de existia lá naquele período.

Leia mais: Como aplicar metodologias imersivas na educação superior

5) Melhores passeios espaciais

Durante uma caminhada pelo espaço, um astronauta mantém contato com o controle de missão exclusivamente por voz. Essa troca de mensagens é fundamental, pois é o único recurso para permanecer em segurança diante de um ambiente tão hostil.

Pensando em como melhorar essa interação, a NASA desenvolveu capacetes com displays interativos, que usam o Microsoft HoloLens para fornecer instruções aos astronautas via realidade aumentada. Para otimizar o processo, alunos do ensino superior foram convidados a contribuir com melhorias para o dispositivo.

Entre diversas sugestões, está um software criado pela Universidade Estadual de Boise. Ele permitiu ao controle de solo da NASA enviar instruções a um astronauta em atividade extraveicular, fornecendo imagens, rotas em 3D e informações sobre como navegar com segurança fora da Estação Espacial Internacional.

Leia mais: Como incentivar o aluno a produzir trabalhos em formatos não tradicionais

6) Reimaginando o futuro

Séculos antes das minas de urânio se tornarem um risco ambiental, Church Rock, no estado do Novo México, foi o lar dos Diné, povo navajo. Agora, os esforços de limpeza de resíduos estão levando as famílias de uma comunidade de Diné a buscar uma recolocação permanente em outro território.

Para ajudar os moradores a planejar esse novo assentamento, professores e alunos das escolas de Arquitetura e Engenharia da Universidade do Novo México estão usando renderizações em realidade virtual e em 3D para criar cenários que tornem a mudança o mais segura possível.

7) Formando os enfermeiros de amanhã

Alunos da Escola de Enfermagem da Universidade da Carolina do Norte testaram o uso de RV para o aprendizado de técnicas de emergência.

A ideia é ajudar os enfermeiros a ganhar experiência na condução de casos que não ocorrem com tanta frequência na vida real. Assim, a equipe pode praticar mesmo sem a presença de pacientes reais, garantindo que tenha o domínio dos procedimentos para a hora em que forem necessários.

Leia mais: 8 estratégias para uma sala de aula inovadora

Em um dos testes, os alunos colocaram capacetes de RV para entrar em um cenário onde um paciente chega ao hospital com uma forte reação alérgica. Com o tempo, o caso se agrava e os futuros enfermeiros precisam tomar decisões rápidas sobre que cuidados prestar ao paciente, podendo depois avaliar suas respostas em diferentes pontos da simulação.

8) Engenheiros com mão na massa

Um programa imersivo na Universidade Estadual da Pensilvânia está ajudando a preparar futuros engenheiros ferroviários. Softwares de RA permitem que os estudantes entrem campo, planejando a infraestrutura de ferrovias, vagões e locomotivas.

Com o simulador, além de projetar é possível receber o diagnóstico da própria ferrovia, para avaliar como ela estaria funcionando e em quais condições. Um recurso importante para a prevenção de erros fatais.

9) Sentir o impacto das decisões

Um curso no programa de MBA Executivo da Escola de Negócios Gabelli da Fordham University, em Nova York, expõe seus futuros líderes a exercícios de RV.

A ideia é ajudá-los a entender o poder da comunicação e do trabalho em equipe. Uma atividade propõe que, divididos em times, os alunos escolham alguém para receber instruções e desativar uma bomba.

Para William Allan, aluno do MBA, os exercícios oferecem oportunidades de desenvolvimento que permitirão abordar diversas situação no futuro. “Vi a importância de delegar tarefas e trabalhar em equipe”.

Leia mais: Realidade mista aperfeiçoa aprendizagem em Saúde e Engenharia

Texto originalmente publicado no portal Campus Technology, com edição e tradução do portal Desafios da Educação.

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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