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Realidade aumentada e virtual: tecnologias que engrandecem a educação

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A realidade aumentada (RA) e a realidade virtual (RV) revolucionaram o ensino, o aprendizado e o mercado. Veja o exemplo da Upskill, uma empresa americana de treinamento de software. Desde que passou a utilizar ferramentas em realidade aumentada, a partir de 2014, a companhia registrou uma melhora de 32% no trabalho de seus clientes. Já a Virtual Speech, desenvolvedora de aplicativos especializados RA e RV, afirma que 92% dos usuários sentem mais confiança após as aulas em um ambiente virtual imersivo.

Embora tenham aplicações distintas, ambas as tecnologias são complementares. Realidade aumentada e virtual são ferramentas adicionais aos professores que, se bem utilizadas, têm tudo para elevar a qualidade de ensino. Cada uma à sua maneira.

Alunos da Bond University, Austrália: realidade aumentada e virtual contribuem para experiências imersivas. (Foto: divulgação)

A realidade virtual (foto acima) é imersiva. Ela recria pelo computador a sensação de realidade, estimulada sobretudo pela visão e pela audição. Ou seja, tudo isso é possível sem que seja preciso tirar os pés do chão. Mesmo que o aluno esteja em sala da aula, a ferramenta permite que ele se sinta nas ruas do Rio de Janeiro, numa aula de História do Brasil, ou a bordo de uma nave espacial para observar as constelações numa aula de Astronomia.

Essa imersão acontece graças a estímulos visuais, sonoros e até táteis. Para especialistas, as aplicações são amplas e os profissionais com conhecimento da nova linguagem podem encontrar – ou criar – campos de trabalho em um mercado cada vez mais tecnológico. “A imersão contribui para um melhor entendimento do conteúdo e uma aproximação da realidade profissional. Os impactos na aprendizagem são significativos, pois proporcionam ao aluno uma vivência mais próxima do real”, analisa Daiana Rocha, gerente de produção de conteúdo digital da SAGAH.

Já a realidade aumentada combina os elementos virtuais e reais. É como se a tecnologia desse uma forcinha à aprendizagem, tornando a experiência mais completa e dinâmica. É o caso do Google Glass – dispositivo semelhante a um par de óculos que disponibiliza uma pequena tela acima do campo de visão. “Os elementos em realidade aumentada complementam o conteúdo escrito com uma experiência 3D, aprimorando o entendimento do conteúdo estudado”, diz Daiana.

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Realidade aumentada e virtual no Brasil

Desde outubro de 2016, o Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo, conta com um laboratório de experiências imersivas. Nele, os alunos de graduação e pós-graduação têm contato com a tecnologia de realidade virtual. “Há um movimento dos próprios professores de inserirem questões ligadas à imersão dentro das disciplinas e estamos estudando disciplinas específicas sobre isso”, explicou ao Estadão o professor Gustavo Henrique Montesião, coordenador do laboratório.

“Não vejo um curso que não poderia se beneficiar. [Com o recurso de RV] você ganha uma capacidade de comunicar experiências que não tinha antes. Cria empatia”, acrescentou.

Os óculos de realidade virtual já estão presentes nas atividades pedagógicas de algumas escolas de São Paulo. Os estudantes são levados (visualmente) para qualquer local do mundo quando colocam o cardboard, os óculos de papel desenvolvido pela Google. Os comandos visuais transmitidos pelo celular – que é fixado na parte interna do visor – são controlados pelo professor a partir de um tablet no qual está instalado o programa Google Expeditions.

Também em São Paulo já foi testado o aplicativo BioExplorer, criado pelo Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Computação, da escola Politécnica da USP. Inspirado no Pokémon Go, que chegou a ser uma das maiores febres entre os jogos de realidade aumentada, o app leva os alunos para a Mata Atlântica. Lá, eles se deparam com animais típicos como o lobo-guará, a capivara e a onça-pintada. A cada encontro, as características do animal são apresentadas em áudio e texto. “Quando eu vi a garotada procurando pokémons, quis criar algo que levasse as pessoas a aprenderem mais sobre a nossa biodiversidade com o mesmo entusiasmo”, diz Antônio Saraiva, professor da USP e um dos desenvolvedores do aplicativo.

Além de desenvolver soluções, as universidades também estão de olho no interesse e na necessidade de capacitação dos profissionais para a tecnologia. A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), por exemplo, já fez cursos de extensão em Realidade Virtual e transformou o tema em módulo na pós-graduação em Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação na Educação. As disciplinas debatem o uso tecnologia tanto em aula como seu potencial para a sociabilidade no ensino a distância (EAD). “A ideia é mostrar novas formas de ensinar e enriquecer o conteúdo com a realidade virtual”, explica o coordenador Diogo Cortiz.

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Um laboratório no bolso

Para o professor Romero Tori, da Universidade de São Paulo (USP) e do Centro Universitário do Senac, a realidade aumentada transforma os momentos de ensino em uma espécie de “caldeirão de experiências”. Isso acontece porque a RA possibilita diferentes tipos de simulações práticas a partir da simples leitura de um livro ou da interação com um jogo. “A realidade aumentada oferece uma nova maneira de acessar informações e formar conhecimento teórico e técnico”, disse, em entrevista ao Canal Futura.Jovens usam óculos de realidade aumentada 3D, com base em celular em simulador de prancha de surfe. (Foto: George Campos/USP Imagens)

Ele continua dizendo que os alunos não têm medo das novas tecnologias. Pelo contrário, sentem-se motivados quando são apresentados às novidades. “Os estudantes carregam um laboratório dentro do próprio bolso”, afirma, referindo-se ao smartphone. “Temos muitas ferramentas a serem exploradas de realidade aumentada e virtual. Temos tecnologia no Brasil, falta saber usá-la da forma mais adequada.”

Boa parte das ideias e do que está sendo feito na prática em realidade aumentada e virtual está reunida no e-book Virtual, Augmented, and Mixed Realities in Education (Realidades Virtual, Aumentada e Mista na Educação, ainda sem tradução para o português), lançado no início do ano passado. Assinado por Dejian Liu, Chris Dede, Ronghuai Huang e John Richard – professores universitários dos Estados Unidos –, o livro aborda o nível de alcance dos vários tipos de aprendizagem imersiva.

O material é composto por artigos científicos que dissertam sobre as oportunidades e os desafios da educação por realidade virtual e realidade aumentada. “Esses novos meios de aprendizado oferecem oportunidades extraordinárias para aumentar a motivação e o nível de desenvolvimento de alunos”, defendem os autores. O problema, segundo eles, ainda é o custo – mais elevado e, portanto, um dos limitadores para a democratização da realidade virtual na educação.

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Redação
A redação do Desafios da Educação é composta de jornalistas, educadores e especialistas em educação superior.

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