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Peter Kronstrøm: “O lifelong learning é o futuro da educação”

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Peter Kronstrøm, head do Copenhagen Institute for Futures Studies, é um dos palestrantes confirmados para o Fórum de Lideranças: Desafios da Educação 2019. Crédito: divulgação.

Membro do conselho consultivo do Consulado Geral da Dinamarca, em São Paulo, e head do Copenhagen Institute for Future Studies (CIFS) na América Latina, Peter Kronstrøm é um dos convidados do Fórum de Lideranças: Desafios da Educação 2019.

O encontro reúne, todos os anos, cerca de 300 profissionais da educação – entre gestores, professores e representantes de instituições de ensino superior, entidades e demais players do setor. Neste ano, acontecerá em São Paulo no dia 11 de abril, no campus Vila Olímpia da Universidade Anhembi Morumbi.

Não há mais vagas abertas para o evento, que é gratuito. Inscreva-se na lista de espera.

Palestrantes do Fórum de Lideranças

Peter Kronstrøm, head do Copenhagen Institute for Future Studies (CIFS) na América Latina
Daniel Infante, sócio-diretor da consultoria Educa Insights
Guilherme Junqueira, CEO da Gama Academy
Gustavo Borba, diretor de graduação da Unisinos
Susana Salaru, analista de equity research no Itaú BBA
Stephan Younes, diretor do Slash Education na PUC-PR

Kronstrøm vive há oito anos no Brasil. Profissionalmente, atua na Europa, nos Estados Unidos, em países da América do Sul e na Austrália ministrando palestras e workshop em eventos da ONU, Banco Mundial e diversas multinacionais.

Suas falas ao redor do mundo abordam insights e tendências futuras aplicadas a um cenário atual. No Fórum de Lideranças, Kronstrøm trará as mesmas perspectivas para a educação. A seguir, os melhores trechos da entrevista que ele concedeu recentemente ao portal Desafios da Educação.

Você tem experiência em apontar tendências futuras a diversos setores. Qual é a projeção para a educação? Não posso antecipar todas as projeções – para isso, é preciso participar do Fórum de Lideranças e ver minha palestra (risos). Mas posso dizer que o futuro reserva várias mudanças. Uma delas é a forma de se fazer a educação.

Hoje, há um único bloco corrido de estudos reservado ao início da vida – que vai do ensino fundamental à pós-graduação. Você o termina e deu. Isso vai mudar à medida em que o lifelong learning ganhar espaço. Em vez de fazer uma graduação de cinco anos, você começa como um curso de menor duração e muito mais focado. Com o passar dos anos, ao perceber a necessidade de desenvolver um novo skill, você vai lá e faz um novo curso.

Com todas as transformações da sociedade, nosso conhecimento fica desatualizado de maneira muito rápida. Será necessário aprender por toda a vida.

Leia mais: Lifelong learning: o conceito de aprender por toda a vida

Sobre que tipo de transformações você está se referindo? A automatização, por exemplo. Sabe-se que ela fará desaparecer muitos empregos, mudando o mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, a tecnologia tem forte impacto na educação. Já existem edtechs e ferramentas tecnológicas muito poderosas e adequadas a esse novo tempo.

Você acha que o setor universitário já entende a importância do lifelong learning? Essa é a provocação que deve ser feita aos gestores, professores e educadores em geral. A universidade não será o único caminho para a vida profissional plena. No entanto, a universidade seguirá relevante, especialmente se conseguir desenvolver nos alunos as habilidades sociais, comportamentais e intelectuais para que eles aprendam ao longo da vida.

De certa forma, esse conceito vai ao encontro da atual agenda brasileira – que inclui a reforma da Previdência e, por consequência, a população trabalhando e estudando por mais tempo. O conceito de aposentadoria como conhecemos hoje no Brasil deve mudar com ou sem reforma [da Previdência]. Se você substituir a ideia de um único bloco de estudos e aplicar o de microblocos ao longo da vida, você poderá se “aposentar” muitas vezes. São miniaposentadorias. Você tem um emprego e trabalha por um tempo, depois você sai para um período sabático, seja para viajar ou preparar-se para uma nova carreira.

Quem nasce hoje não será criado como nossos pais, tendo uma única carreira por toda vida. Ele terá seis, oito, nove carreiras. As pessoas terão flexibilidade profissional. E é também por isso que precisamos ensinar a aprender.

A universidade não será o único caminho para a vida profissional plena. Mas ela seguirá relevante – especialmente se desenvolver as habilidades sociais, comportamentais e intelectuais para que os alunos saibam aprender ao longo da vida.

Qual é a principal diferença entre a educação brasileira e a educação da Dinamarca? A grande qualidade da Dinamarca é que o sistema prepara os alunos para serem críticos. O foco está na formação de indivíduos que pensam por si mesmos, que agem conforme as próprias convicções. Hoje, no Brasil, é difícil diagnosticar. Mas ainda há um paradigma dominante de educar números. Deveria ser algo mais focado nos indivíduos.

Leia mais: 8 estratégias para uma sala de aula inovadora

Há algum ponto específico que o Brasil possa explorar na educação? Eu acredito que a incerteza é um enorme potencial a ser explorado no Brasil. Os educadores poderiam elaborar metodologias e planos de aula com base nas dificuldades enfrentadas nas cidades, a partir de problemas reais, e incentivar os estudantes a criar soluções. Isso prepara melhor o aluno, torna-o mais inteligente, mais crítico. Ele chega bem mais preparado ao mercado de trabalho. Acho que esse modelo é bem alinhado com futuro e poderia dar muito certo no Brasil.

Quem nasce hoje não será criado como nossos pais, tendo uma única carreira por toda vida.

Leia mais: Aprendizagem baseada em desafios é chave para um ensino ativo

Qual é a sua expectativa para o Fórum de Lideranças: Desafios da Educação 2019? Será um privilégio participar de um fórum que discutirá a educação superior no Brasil. Quero sair de lá inspirado e melhor orientado, e espero que as análises do Copenhagen Institute for Future Studies também inspire a criação de um futuro educativo melhor no Brasil. O fator mais importante de um país é a sua educação. É o que determina o futuro. É a melhor solução.

Fórum de Lideranças: Desafios da Educação 2019

Data: 11 de abril (quinta-feira)
Horário: 8h às 14h
Local: Universidade Anhembi Morumbi (R. Casa do Ator, 275, Vila Olímpia, São Paulo – SP)
Link para a lista de espera: Inscreva-se na lista de espera

Leonardo Pujol
Leonardo Pujol é editor do Desafios da Educação e sócio-diretor da República – Agência de Conteúdo.

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