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4 lições do Vale do Silício para o ensino superior brasileiro

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O Vale do Silício é o berço mundial da inovação. A região, na costa oeste dos Estados Unidos, na Califórnia, abriga as principais empresas do ramo da tecnologia – as gigantes conhecidas big techs. Por lá, também estão localizadas universidades que são referência em ensino e pesquisa.

Recentemente, uma missão de empresários brasileiros foi até o Vale do Silício para conhecer de perto a cultura e a organização interna de companhias como o Google, IBM, Zendesk, Amazon e Salesforce. Além disso, a viagem passou pelas universidades de Stanford e Berkeley.

Na bagagem, eles trouxeram tendências e insights que podem fomentar práticas de inovação no Brasil, especialmente na área da educação.

O que as instituições de ensino superior brasileiras têm a aprender com as big techs e universidades que são palco da formação de líderes globais?

1) Foco na experiência do cliente

Segundo Jackson Fernandes, que esteve na missão e é gerente executivo de tecnologia e inovação da +A Educação, maior edtech para ensino superior e profissional da América Latina, o que torna o Vale do Silício tão pujante na criação de novos negócios é o foco das empresas na experiência do cliente.

Nesse sentido, a lição para as IES brasileiras é conhecer seus alunos e identificar suas dores. Isso em um contexto de crescimento do ensino híbrido, onde o desafio é proporcionar experiências integradas e imersivas aliadas ao uso de tecnologias como realidade virtual e aumentada.

“Dessa forma, a sala de aula ganha o papel de facilitadora do aprendizado, não apenas centralizando o conhecimento, mas usando múltiplas plataformas para promover uma experiência completa, com a sociedade cada vez mais conectada com o conceito de lifelong learning” afirma Fernandes.

Leia mais: 6 maneiras de criar uma experiência de aprendizagem inesquecível

2) Desenvolvimento de soft skills

O desenvolvimento de soft skills nos alunos está no cerne do sucesso das universidades de Stanford e Berkeley. O objetivo, com isso, é formar um perfil de gestor facilitador, preocupado com o bem-estar das equipes – sem, entretanto, deixar de lado as habilidades técnicas.

Nesse caso, a prioridade está no estímulo às habilidades socioemocionais de liderança. Entre elas, por exemplo, a capacidade de tomar decisões de forma rápida e efetiva, comunicação estratégica, flexibilidade, negociação, cultura colaborativa e inteligência emocional.

A estratégia tem dado resultados. Para se ter uma ideia, conforme a Times Higher Education (THE), Stanford e Berkeley são, respectivamente, a primeira e a terceira colocadas entre as instituições de ensino superior com maior número de vencedores do Prêmio Nobel no século 21.

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Leia mais: Ranking da THE 2022: quais são as melhores universidades brasileiras

3) Formação de profissionais de TI

Um estudo da Universidade de Brasília (UnB) estima que, até 2026, 54% das mais de 2 mil profissões formais do Brasil serão substituídas por robôs ou programas de computador até 2026. Entretanto, no Vale do Silício, a crença é que as posições perdidas para a inteligência artificial serão substituídas por novos postos de trabalho relacionados à tecnologia.

De qualquer maneira, o cenário envolve um desafio para as IES: garantir a formação de profissionais suficientes e qualificados na área de tecnologia da informação (TI). Afinal, o mercado de trabalho já sofre com a falta de profissionais da área. Para se ter uma ideia, no Brasil, a escassez de mão de obra gera um déficit anual de 50 mil vagas não preenchidas.

“Com a população ficando cada vez mais longeva, o cenário de escassez de mão de obra se impõe e cria-se a necessidade de formar indivíduos em robótica e engenharia de software, por exemplo”, projeta Fernandes.

Leia mais: Ensino superior não supre falta de profissionais de TI no Brasil: como mudar esse quadro?

4) Atenção às tecnologias diruptivas

Hoje, muitas IES estão em processo de transformação digital. Mas as mudanças tecnológicas são rápidas e não esperam que os gestores se adaptem a elas. Ou seja, é preciso que o ensino superior fique atento às tecnologias e práticas disruptivas para se adequarem constantemente a elas.

Direto do Vale do Silício, a missão de empresários destacou, por exemplo, o advento de NFTs e blockchain, o que impactará na produção e disseminação de conteúdo autoral na internet. No ensino superior, essas novidades podem levar à criação de plataformas e formatos disruptivos e a um reforço no controle e distribuição de conteúdos autorais.

A web 3.0, por sua vez, descentralizará a gestão da internet e, consequentemente, do conhecimento, abrindo a possibilidade de criação de novas instituições de ensino e cursos. Além disso, nas universidades norte-americanas, as tecnologias estão integradas ao Metaverso, o que aumenta as chances de interação e imersividade para alunos da educação a distância (EAD).

Leia mais: Como será a educação aplicada a um metaverso

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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