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Como executar o ensino híbrido — do planejamento à prática — foi o tema do último webinar promovido pelo portal Desafios da Educação. A condução do encontro foi de Fernando de Mello Trevisani, professor de matemática do Colégio Sidarta e coordenador do Grupo de Experimentações em Ensino Híbrido, organizado pelo Instituto Península e a Fundação Lemann.
“Discutir os modelos, falar sobre práticas e sobre como dar o primeiro para a execução de aulas nesses modelos é fundamental para caminharmos em direção a um cenário de mudança na educação brasileira — o que é fundamental, urgente e necessário”, diz Trevisani.
Além de falar a educadores de todo o Brasil pelo webinar, o professor conversou com o
Desafios da Educação sobre planejamento e prática de ensino híbrido.
A seguir, confira os principais trechos da entrevista.
O ensino híbrido pode ser considerado um programa de educação formal no qual o aluno aprende por meio do ensino online — com algum elemento de controle sobre o tempo, lugar, ritmo e (ou) modo de estudo — e por meio do ensino presencial, na escola.
O ensino híbrido é dividido em dois tipos: sustentados e disruptivos. Os modelos sustentados
conservam algumas características da instituição escolar como a conhecemos e, no geral,
o ensino online e o presencial são feitos em sua maioria na escola, presencialmente.
Ou seja, em uma mesma aula o aluno tem um momento de aprendizagem presencial e em outro pode aprender com o uso de uma tecnologia digital que preferencialmente coleta seus dados para o professor utilizar na personalização do ensino ao final do processo.
Porém, ao considerarmos os modelos disruptivos de ensino híbrido, essa ampliação aumenta o leque de possibilidades de trabalho para as instituições. Alguns modelos os estudos online ganham força, como:
É importante e fundamental que, independente do modelo escolhido, a proposta seja consistente com o objetivo formativo que se pretende atingir.
Acredito que não. O que chamo de ensino híbrido,
a mistura entre um ensino presencial que usa tecnologias educacionais
para ser potencializado, engloba vários modelos de aula. Em alguns deles o
ensino presencial e o ensino a distância se combinam, podendo proporcionar uma educação mais interessante e personalizada, trazendo recursos e possibilidades diferentes do ensino presencial e sem o uso das tecnologias digitais.
O principal disso tudo é pensar nessas possibilidades do ponto de vista formativo, em como proporcionar uma formação sólida, consistente, que faça sentido para quem estudará por esses modelos.
Não é ofertar possibilidades somente do ponto de vista econômico, por exemplo.
O segredo é composto por formação de professores, que devem saber
acompanhar, interagir e se beneficiar de dados gerados pelo uso das tecnologias digitais para analisarem a aprendizagem dos alunos.
Também inclui a formação dos estudantes, que devem adquirir e construir uma outra postura frente ao aprendizado, se responsabilizando pelos momentos em que deverão ser mais autônomos na construção do conhecimento.
Além desse dois pontos é preciso uma grade formativa que faça sentido, construída a partir de um outro olhar formativo, que contemplará novas formas de se ensinar e se aprender.
Não considero que exista um modelo ideal. Acho que
o ensino híbrido deve ser pensado pela estrutura do curso que será oferecido, pela equipe de professores e gestores que irá se responsabilizar pela qualidade do curso proposto e pelo objetivo da formação.
De certa forma, isso foi considerado na portaria de 2018 que ampliou para 40% a carga horária a distância de cursos presenciais de ensino superior, pois ela
não foi considerada para cursos da área da Saúde nem Engenharias,
que precisam atender a outros critérios de qualidade nos indicadores do MEC (Ministério da Educação).
Isso faz sentido, pois acredito ser incoerente formar profissionais da área da saúde, por exemplo, totalmente a distância.
Porém, algumas universidades que formam profissionais nessa área no Brasil adotam alguns modelos diferentes na formação de seus estudantes, o que torna possível, viável e até pode enriquecer a formação ofertada.
Sei que a prática e a realidade estão de certa forma longe desse ideal, mas, a meu ver, é fundamental pensar primeiro no objetivo do curso como um todo:
para quem ele será oferecido, qual será a formação que se pretende dar ao cursista, o que é esperado desenvolver em quem o cursar, dentre outras coisas, para depois decidir sobre a porcentagem EaD do curso.
É necessário considerar alguns pontos, como a formação dos professores, os espaços de aprendizagens que serão criados (tanto os presenciais quanto os espaços virtuais à EaD) e as formas de construção, produção e transmissão (no sentido remoto) dos conhecimentos curriculares.
A ideia é investir em formação de pessoas e de equipes, além da
garantia de uma infraestrutura adequada às novas relações de aprendizagem. Por isso, os modelos sustentados são os mais indicados para começar a mudança, já que não causarão grandes impactos na transição.
Instituições que possuem condições melhores podem ousar em experimentar modelos disruptivos.
É imprescindível refletir constantemente sobre as práticas ofertadas na instituição, olhando para o seu projeto pedagógico, para a equipe, as possibilidades e necessidades de formação pedagógica para os professores, a infraestrutura disponível na instituição e para os alunos.
Para estes, a instituição deve pensar em como orientá-los a
assumir uma postura ativa, responsável, de comprometimento com a própria construção dos conceitos, tanto nos momentos de estudo individuais quanto nos momentos coletivos (virtuais ou presenciais).
Não é suficiente ofertar cursos nesses modelos sem acompanhar o estudante,
sem considerar uma orientação para a construção de uma postura adequada e desejada para o melhor aproveitamento do curso oferecido.
Do ponto de vista dos professores e tutores,
o planejamento com relação às experiências educacionais oferecidas aos alunos é, na minha opinião, o principal ponto.
Porque a motivação dos estudantes em um curso com essas características e as possibilidades de maximização do aprendizado proporcionadas pela personalização do ensino
devem ser observadas e consideradas pelos professores no momento do planejamento. Assim como a possibilidade de os alunos terem controle sobre o ritmo, o modo, o tempo e o local onde irão aprender, principalmente com o uso das tecnologias digitais.
O professor deve resgatar sua autoria na elaboração de aulas que mostrem para os alunos que
existem diferentes formas e meios de construir conhecimento. As tecnologias digitais poderão ser utilizadas para estimular e facilitar o processo de aprendizagem, mas cabe aos professores ensinarem os alunos como utilizá-las de
forma crítica e produtiva.
Os gestores devem acompanhar todo esse processo,
realizando avaliações e intervenções junto aos professores e alunos para construir uma cultura positiva de ensino e de aprendizagem nesse processo.
Quando a inovação passa a ser um projeto da instituição de ensino, os alunos, professores e gestores devem ser parceiros nesse processo. A equipe de gestão deve identificar as principais ações que promoverão
mudanças significativas no ensino e na escola.
Por Redação
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