Inovação é chave para excelência em educação

O aluno começa a estudar em casa – talvez em um parque ou café, se achar melhor. Teleconferências, jogos online e e-books garantem que ele disponha de todas as ferramentas necessárias para assimilar o conteúdo, disponível agora em tempo integral. A tradicional sala de aula cede lugar ao novo e se torna um ambiente onde o aluno coloca em prática o conhecimento adquirido anteriormente. O professor, por sua vez, não é mais um orador, que despende horas falando. Agora, ele atua como um coach. É o que propõe o ensino híbrido – uma metodologia pedagógica que promete revolucionar a educação superior.

Ainda recente no Brasil, o hibridismo – modelo que combina práticas online e presencial para um ensino personalizado – tem, aos poucos, ganhado espaço nas instituições de ensino no país. As dificuldades e os desafios ligados ao assunto serão abordados durante a palestra Inovação no ensino superior na era da disrupção: a importância do ensino híbrido nas estratégias acadêmicas de inovação no ensino, que acontece em 19 de setembro no Congresso Internacional ABED de Educação a Distância (CIAED), em Foz do Iguaçu.

O modelo híbrido, também conhecido como blended learning, não é propriamente novidade. Há pelo menos dez anos já se falava mundo afora em um ensino disruptivo, que elevaria a qualidade da educação superior a um novo patamar. “Quando se entra em uma sala de aula dessas, todos estão discutindo, trabalhando. Em uma sala de aula convencional, mais da metade da turma está dormindo ou entediada. Com o modelo híbrido é diferente, nós temos muito mais resultado”, garante Carlos Longo, pró-reitor acadêmico da Universidade Positivo e diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED).

Hibridismo na prática

À frente da palestra, Longo apresentará os resultados da inovação do modelo híbrido, que começou a ser aplicado na Universidade Positivo há três anos. Ele descreverá, ainda, como o modelo pode ser benéfico para professores, alunos e universidades, que passam a ter mais rendimento utilizando sistemas educacionais abertos dentro e fora da aula. O maior desafio, entretanto, é fazer com que as instituições abram mão do conservadorismo e apostem em outras metodologias. Mudar o modelo mental de ensino-aprendizagem entre professores e alunos também é um fator essencial.

Apesar das sucessivas críticas dos alunos à monotonia do ensino convencional, um estudo dos pesquisadores Russel Craig, da Universidade Nacional da Austrália, e Joel Armenic, da Universidade de Toronto, constatou que o uso do PowerPoint ainda é preferido pelos estudantes. Essa preferência, na realidade, pode esconder um sintoma mais profundo: a acomodação. “Temos um problema que é bem particular no Brasil: o aluno, muitas vezes, estuda para passar”, avalia Longo. “É assim no ensino médio, é assim em cursos pré-vestibulares, que ensinam macetes, e não conhecimento que vai ser útil quando o estudante for para a universidade. É preciso mudar essa mentalidade.”

O hibridismo, como um sistema que confere autonomia e exige demonstração de aprendizado (toda aula tem uma avaliação), atinge esse paradigma em cheio. “Ele deixa de estudar para a prova e se prepara para compreender o assunto. Isso provoca o aluno. Ele discute, debate e constrói conhecimento em torno da matéria”, garante o professor, que é doutor em gestão pela Universidade Newcastle, na Inglaterra. Até 2022, todos os alunos da Universidade Positivo terão pelo menos parte das disciplinas no modelo híbrido – a prova de que esse futuro não está tão longe assim. Menos formal e mais focado no conteúdo – independentemente da plataforma –, o ensino híbrido proporcionará a construção de um conhecimento colaborativo e plural.