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Unisuam: uma trajetória de pioneirismo e inovação

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Instituição de ensino superior mais antiga do país, fundada no começo do século 19, a Escola Naval era o sonho de muitos estudantes brasileiros quando, em 1933, o professor Augusto Motta abriu o Colégio Luso-Carioca, no Rio de Janeiro. O objetivo do curso, localizado na zona da Leopoldina, hoje bairro do Bonsucesso, era um só: preparar alunos para os exames da Marinha. Estava lançada a pedra fundamental do que viria a se tornar, 50 anos depois, o Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam).

A visão empreendedora, aliada à vontade de melhorar os níveis sócio-educacionais da região, levaram Motta a ampliar o escopo dos trabalhos. Logo o Luso-Carioca passou a contar com uma Escola de Formação de Professores e com os cursos Primário, Técnico em Contabilidade e de Admissão ao Propedêutico. Mesmo após a morte do fundador, nos anos 1960, seus planos foram levados adiante pela família.

O primeiro passo nesse sentido foi dado em 1968, com a criação da Escola Normal Luso-Carioca, comandada pela esposa dele, a professora Amarina Motta, e seus dois filhos, Augusta e Arapuan Motta. O reconhecimento no meio educacional carioca fez com que, já no ano seguinte, os Motta fundassem a Sociedade Unificada de Ensino Superior Augusto Motta (Suam). No começo, havia apenas a Faculdade de Ciências Contábeis e Administrativas.

Um novo divisor de águas aconteceria 30 anos depois, com a diversificação dos cursos superiores e a denominação de Faculdades Integradas. Em seguida, a Suam tornou-se o primeiro centro universitário brasileiro. A Unisuam soma hoje 22 mil alunos, quatro polos educacionais, quase 50 cursos de graduação e dezenas de pós – incluindo mestrados e um doutorado. Com um detalhe: a instituição segue sob o controle da família.

Familiar, mas profissionalizada

A Unisuam beira os 90 anos com saúde de ferro. E esse diagnóstico passa diretamente pela maneira como a família mantenedora posiciona a marca no segmento educacional: com visão empreendedora, profissionalização, alinhamento a tendências de mercado e uma boa dose de ousadia. Este último atributo diz respeito, por exemplo, à decisão de, em 2008, a reitoria ter sido assumida por Arapuan Netto. Na época, ele tinha apenas 25 anos de idade.

Leia mais: Arapuan Netto: o professor não está ameaçado, mas desafiado a inovar

Arapuan Netto, reitor da Unisuam (Foto: divulgação)Membro da quarta geração, “o reitor mais jovem do Brasil” carregava uma relação muito próxima com a operação da Unisuam. Aos 14 anos ele trabalhava na área de manutenção de computadores da instituição. Até assumir como reitor, passou por praticamente todos os setores e cargos executivos. “Cresci e construí a minha carreira profissional dentro da Unisuam”, ele diz.

No cargo máximo da instituição, Arapuan afirma que seu maior compromisso é manter saudável a estrutura organizacional, dando plena liberdade aos gestores para fazerem mudanças e adequações necessárias à dinâmica do mercado. “Funcionamos em um mix de método Falconi com OKR”, diz ele, referindo-se à consultoria de um dos maiores gurus da administração brasileira, Vicente Falconi, e o framework objectives and key-results (OKR), preconizado por startups e gigantes da tecnologia mundial. Assim, a Unisuam trabalha com balizadores propostos por equipes multidisciplinares, estabelecimento de objetivos e o desenho de plano estratégico para cumprir suas metas – revisitadas em prazos mais curtos do que nos tradicionais manuais de administração e acompanhados em tempo real pelos times.

Vice-reitor de Tecnologia da Informação, Projetos e Infraestrutura Acadêmica, Bruno Teixeira acredita que a dinâmica familiar não impede o avanço das boas práticas de governança na organização. Pelo contrário: “Há clareza nos objetivos e cobrança quanto às ações planejadas e os seus resultados”.

Desde que assumiu como reitor, há dez anos, Arapuan preza pela profissionalização da gestão. “Nem sempre foi assim, mas hoje o processo é levado de forma tranquila e natural”, conta. O reitor acrescenta que, ao iniciar o processo de profissionalização, o maior desafio estava em mostrar ao mercado que a Unisuam poderia ser um lugar adequado para a construção de carreiras de sucesso. E esse aspecto, diga-se, é também um dos trunfos da instituição para atrair alunos.

Atração, retenção e competitividade

No atual cenário do ensino superior brasileiro, a captação e a retenção de estudantes figuram entre os maiores desafios das instituições. Concorrendo com grandes grupos, muitos dos quais têm crescido na base da guerra de preços, Unisuam projeta nos relacionamentos um de seus diferenciais. “Aprendemos nesse tempo que não adianta bater de frente, porque somos menores e nichados”, revela Arapuan.

Ele se refere ao modelo de ‘proximidade com o aluno’, que ajuda não apenas a atrair estudantes e professores, mas também controla a evasão. Em 2018, por exemplo, a principal ferramenta de captação e retenção foi o modelo de preço fixo durante todo o curso.

A mudança tem como objetivo reduzir o índice de evasão para menos de 10%. Seria algo positivo em meio a um contexto de queda generalizada: de acordo com o Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior de São Paulo (Semesp), no primeiro semestre de 2018 houve redução de 5% no número de matrículas nas instituições privadas brasileiras, sobre o mesmo período do ano anterior.

Leia mais: Repensando o ensino superior privado no Brasil

Outro diferencial, segundo Arapuan, está na empregabilidade dos egressos. “Não aceitamos um aluno formado e desempregado”, afirma. Em 2016, a Unisuam criou um núcleo especializado na prestação de consultoria para estudantes ou egressos.

Com a Unisuam Carreiras, é possível traçar um perfil profissional e estabelecer uma conexão com vagas que estão de acordo com etapa da vida de cada indivíduo. “Somos totalmente dedicados em mostrar aos empresários a força e a capacidade dos nossos alunos”, diz o reitor.

No entanto, nada disso faria sentido se a instituição não aliasse ensino e prática mercadológica em seus currículos, lembra Teixeira. O modelo de ensino se estrutura com base no conceito de trilha de carreira – que vai da graduação às pós-graduações, incluindo ainda os cursos livres e de extensão. O método gera uma sequência que possibilita desenhar caminhos, partindo da etapa em que o aluno está e mirando onde, efetivamente, ele pretende chegar. “Damos a eles as ferramentas e o apoio necessário para se tornar um protagonista do processo de aprendizagem”, diz Teixeira (foto abaixo).

Bruno Teixeira, Vice-reitor de Tecnologia da Informação, Projetos e Infraestrutura Acadêmica da Unisuam (Foto: divulgação)

Para mais, um dos principais desafios do ensino superior, de acordo com Arapuan, é anterior a chegada do aluno na faculdade. “O ensino básico continua sendo o nosso grande desafio”. Segundo ele, no momento em que o Brasil passar a ter uma educação de base melhor estruturada, o ensino superior passará a ser melhor referenciado por todos. Assim, os indicadores mudariam de quantidade para qualidade no seto

Já para o vice-reitor, vencer as barreiras tecnológicas é imprescindível para que o modelo de ensino possa se aproximar dos anseios e demandas dos alunos. “Hoje, eles procuram pelos conhecimentos necessários nãos só para atender às exigências do mercado de trabalho, mas para enfrentar desafios e realizar sonhos”, diz.

 

Foto em destaque: Unidade da Unisuam em Bonsucesso. Créditos: divulgação.

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