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Tecnologia aperfeiçoa combate a fraudes acadêmicas

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Um levantamento realizado pelo jornal Folha de S. Paulo, em abril, identificou indícios de mais de 1,1 mil fraudes em provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entre 2011 e 2016. As suspeitas variam da cola tradicional, quando um candidato passa respostas para quem está ao lado, até modelos mais sofisticados, por meio da transmissão do gabarito da prova por sistemas de radiotransmissão.

Apesar do volume elevado de possíveis ocorrências no Enem, fraudes acadêmicas em exames e trabalhos estão longe de ser uma novidade – ou uma exclusividade brasileira.

Obrigatório para o ingresso em alguns dos principais cursos de negócios da Europa e dos Estados Unidos, incluindo MBA, o Graduate Management Admission Test (GMAT) também é alvo constante de trapaça. Várias burlas já foram identificadas, desde o envio de substitutos para realizar a prova no lugar do candidato até o uso de óculos com câmeras para que terceiros visualizem e resolvam a prova.

Em que pese a sofisticação dos métodos de fraude, ferramentas utilizadas para combatê-las também estão em processo de evolução. A tecnologia entrou em campo para tentar identificar os golpes, coibir os fraudadores e recuperar a lisuras nas avaliações.

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Um exemplo é o sistema desenvolvido pela Cousera, uma plataforma de tecnologia educacional americana, que permite o reconhecimento facial dos candidatos, inibindo que outra pessoa faça o exame no lugar do candidato.

Já o Graduate Management Admission Council (GMAC), responsável pela elaboração do GMAT, tem investido na elaboração de provas inteligentes. Em um teste de matemática, por exemplo, é possível utilizar algoritmos que personalizam as variáveis de uma equação, tornando a questão individualizada.

Segundo Sangeet Chowfla, executivo-chefe do GMAC, está é uma alternativa que previne tanto as fraudes quanto o compartilhamento das respostas durante a aplicação.

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Plágio também é problema

Além da cola, famosa em exames acadêmicos e provas de concursos públicos, o plágio em trabalhos e artigos é outra preocupação. O fácil acesso a estudos e trabalhos anteriormente publicados, disponíveis na internet, parece distorcer a diferença entre cópia ilegal de trechos de trabalho alheio e referência.

Um estudo realizado pela Unicamp mostrou que apenas 13% dos alunos que ingressam na universidade sabem o que configura plágio em trabalhos acadêmicos. No mesmo levantamento, 26% dos estudantes de graduação, pós-graduação e pós-doutorado admitiram já ter copiado conteúdos sem citar fontes.

De acordo com Munir Skaf, pró-reitor de pesquisa da Unicamp, o levantamento servirá de subsídio para a elaboração de políticas e estratégias para garantir a integridade acadêmica.

Para combater a cópia nos trabalhos, popularizou-se entre professores e instituições de ensino superior o uso de programas detectores de plágio. Softwares em operação no Brasil, como o Turnitin e o Urkund, são capazes de realizar varreduras em diferentes fontes de pesquisa e documentos. Além de apontar semelhanças com o material analisado, os softwares expõem os trechos e a porcentagem geral do texto plagiado.

Algo na mesma linha é feito pelo SafeAssign. A ferramenta permite que o instrutor verifique a originalidade do envio de uma lição de casa. Detalhe: via LMS – ou seja, através do ambiente virtual de aprendizagem.

“A tecnologia já vem embarcada no Blackboard – o que é algo bastante incomum, pois nenhum outro LMS tem uma ferramenta antiplágio de maneira nativa”, explica Pavlos Dias, gerente de unidade de negócios do Grupo A Educação, responsável pela operação brasileira da Blackboard.

O SafeAssign conduz automaticamente a verificação, comparando o exercício do aluno com um banco de dados de outros enviados. O sistema acusa em caso de cópia.

“Ser integrado ao fluxo de trabalho faz com que, de fato, a ferramenta seja amplamente utilizada”, acrescenta Dias. “Se o fluxo fosse muito difícil de utilizar, se os professores tivessem que baixar, instalar e colocar em uma outra base para testar, eles jamais usariam tanto quanto a utilizam no Blackboard.”

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*Com reportagem de Marcelo Barbosa e Leonardo Pujol. 

Redação
A redação do Desafios da Educação é composta de jornalistas, educadores e especialistas em educação superior.

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