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Parcerias favorecem abertura de polos de EAD, mas gestão tem desafios

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Unidade da Estácio, em Viçosa (MG): instituição carioca chegou a 600 polos de EAD. Crédito: divulgação.

A educação a distância (EAD) é o único segmento do ensino superior que acumula crescimento. Em 2017, a modalidade saltou 17,6%, totalizando 1,6 milhão de matriculas nas instituições privadas. E como esse contingente depende de ambientes presenciais para a realização de provas e outras atividades, o número de polos de EAD acompanha a expansão.

Entre 2014 e 2018, o volume de polos no Brasil triplicou. Chegou a 15.452, segundo o Mapa do Ensino Superior, divulgado pelo Semesp no ano passado.

O impulso ocorreu após o decreto Nº 9.057, de 2017. A nova lei tornou flexível o marco regulatório da modalidade, dando mais autonomia às instituições – que não dependem mais da vistoria prévia do Ministério da Educação (MEC) para o credenciamento dos polos, tampouco da obrigatoriedade de ofertar cursos presenciais simultâneos aos de EAD.

Além disso, quanto maior o Conceito Institucional (CI) dos cursos, mais polos as instituições podem inaugurar.

“Com a liberação das métricas vinculadas ao Conceito Institucional, observamos um fluxo repentino que em poucos meses fez o número de polos crescer”, explica Janes Tomelin, conselheiro da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed).

Na carioca Estácio, sexta maior universidade em número de matriculas na modalidade EAD – com 212 mil alunos –, o Conceito 4 permite a abertura anual de até 350 polos. Antes do decreto, a instituição mantinha 150. Hoje são 600 polos.

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Parcerias para avançar nos polos

A expansão do segmento abriu espaço para empreendedores. Na Estácio, nada menos que 515 polos de EAD (86% do total) utilizam a estrutura de parceiros. Eles são responsáveis pela administração e logística das aulas, processos seletivos, matrículas e atendimento financeiro.

Para as instituições de ensino, o modelo é mais em conta do que abrir uma sede. “Além disso, ganhamos agilidade no processo de expansão e conseguimos nos integrar mais rapidamente com a região de atuação do polo”, explica Flávio Murilo de Gouvêa, diretor de EAD da Estácio.

Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, entre 20% e 35% do valor das mensalidades é repassada aos parceiros da Estácio – presente em mais de 300 municípios do país. O tíquete médio dos cursos EAD da instituição é de R$ 251, valor 70% menor do que o de um curso presencial.

A Unicesumar, de Maringá (PR), também aposta no modelo. A instituição encerrou o ano passado com 500 polos. Onze deles, localizados em Santa Catarina e em São Paulo, são operados pelo Grupo Capacita.

Membros da UniCesumar em celebração: instituição fechou 2018 com 500 polos de EAD. Crédito: divulgação.

Segundo Helder Machado, gestor de polos de EAD do Grupo Capacita, assumir os polos da Unicesumar não foi tarefa trivial. “Tivemos que aprender a trabalhar uma gestão descentralizada, fortalecendo a atuação dos gestores de cada unidade”, explica. As equipes tiveram de receber um treinamento especial para manter o padrão de atendimento, bem como os bons índices de conversão de matrículas – que chegou a 60% em algumas unidades.

As parcerias também têm sido a opção de instituições de ensino técnico e de franquias, como as de escolas de idioma.

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Concorrência e saturação

Embora acompanhe um movimento de mercado, a expansão dos polos de educação a distância não será para sempre. Na verdade, conforme antecipado pelo portal Desafios da Educação, acredita-se que o número de unidades tende a diminuir.

“Algumas praças já estão saturadas pelo excesso de oferta. Vamos assistir uma retração de polos que não encontraram aderência”, diz Tomelin, da Abed.

A própria gestão das unidades apresenta desafios. Helder Machado, do Grupo Capacita, destaca os principais:

  • escolha do local do polo;
  • engajamento pedagógico do aluno;
  • e equilíbrio financeiro.

O último item é o mais preocupante. Com a expansão dos polos, também cresceu a pressão por promoções e pela diminuição no valor das mensalidades.

Em estudo recente, a Atmã Educar estimou que, em três anos, o valor médio das mensalidades em cursos a distância será de R$ 150. Atualmente, o tíquete médio é de R$ 256.

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Frente aos desafios da abertura e da gestão de polos de EAD, Machado, do Grupo Capacita, acredita que as instituições de ensino superior deverão reduzir os valores de repasse financeiro aos parceiros.

Janes Tomelin, conselheiro da Abed, também alerta que “uma expansão desordenada por instituições despreparadas para o crescimento pode comprometer a formação do estudante”.

O diretor de EAD da Estácio, Flávio Murilo de Gouvêa, ressalta que a manutenção da qualidade também passa por uma melhora dos processos de ensino e de aprendizagem – através da adoção de tecnologia e novas metodologias. De quebra, ele diz, a estratégia evitará que a instituição entre numa “guerra de preços”.

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