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O que muda com as novas diretrizes curriculares de Engenharia

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Entre os novos conceitos está a formação baseada por competências, o foco na prática e a maior flexibilidade curricular. Crédito: divulgação.

O Ministério da Educação (MEC) publicou, em abril, novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de graduação em Engenharia. Segundo o parecer da comissão do Conselho Nacional de Educação (CNE), a revisão do texto busca “atender as demandas futuras por mais e melhores engenheiros”.

Em comparação com a versão anterior do documento, de 2002, as DCNs de Engenharia trazem conceitos atuais como a formação baseada por competências, o foco na prática, a aprendizagem ativa e uma maior flexibilidade na constituição do currículo.

Abaixo, o Desafios da Educação lista os pontos centrais do documento – e sugere como as IES podem se adaptar à nova resolução.

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Formação por competências

O conceito de competências não é exatamente inédito nas DCNs de Engenharia. Mas a novidade é que o texto traz perspectivas mais atuais, detalhando sobretudo as características esperadas de um engenheiro recém-graduado.

Entre as habilidades e competências esperadas estão visão holística, atuação inovadora e empreendedora, além da criatividade na hora de resolver problemas da área.

A ideia é que as instituições de ensino superior (IES) formem profissionais mais completos. Em outras palavras, que os futuros engenheiros sejam dotados tanto de capacidades técnicas quanto de aptidões humanísticas.

Flexibilidade no currículo

As IES ganharam mais liberdade para compor a grade curricular – o texto das diretrizes de 2002 era engessado sobre o assunto.

Antes, conteúdos básicos deveriam ocupar 30% da carga horária mínima e conteúdos profissionalizantes corresponderiam a 15%. A margem para moldar a grade (com conteúdo específico) era de 55%.

Nas novas DCNs, a obrigatoriedade de uma porcentagem acabou. Cada curso pode balancear matérias como melhor entender, desde que não exclua conteúdos básicos, profissionais e específicos.

Desenvolver as competências pré-estabelecidas pelo curso deve ser o objetivo das disciplinas. “É mais importante pensar na qualidade e na pertinência do projeto pedagógico com o perfil do egresso do que na carga horária”, analisa Genisson Coutinho, doutor em Educação em Engenharia pela Universidade de Purdue, nos Estados Unidos.

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Foco na prática

 As atividades práticas, que mal apareciam nas antigas DCNs de Engenharia, são citadas nove vezes no último documento. O número é apenas um indício da importância que o conhecimento prático ganhou.

Passam a ser obrigatórias as atividades de laboratório tanto para as competências gerais quanto às específicas. O recurso é também um trunfo para a instituição atrair e reter alunos.

“O laboratório engaja o aluno, ajuda na atratividade da universidade e reduz a evasão. É um bom investimento porque dá retorno”, diz Vinícius Dias, CEO da Algetec.

Dias é sócio de Genisson Coutinho na Algetec. A empresa desenvolve soluções de ensino em Engenharia. Entre os produtos estão as bancadas didáticas físicas e suas versões digitais.

Laboratório virtual da Algetec. Crédito: divulgação.

Os laboratórios virtuais são uma tendência entre as IES. “Nos Estados Unidos, é comum fazer a prática virtual antes. Assim, o aluno não perde tempo com roteiro no laboratório físico e foca no experimento, na aprendizagem”, explica Coutinho.

A solução otimiza o tempo do aluno, que chega mais preparado para extrair o melhor das atividades no ambiente real.

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Outras novidades nas DCNs de Engenharia

Aprendizagem ativa – O uso deste tipo de metodologia é previsto no novo texto. A intenção é “promover uma educação mais centrada no aluno”. A autonomia também surge como forma de aprendizado contínuo na carreira dos futuros profissionais.

Interdisciplinaridade – As IES são encorajadas a implementar atividades acadêmicas que estimulem síntese de conteúdos, integração de conhecimentos e articulação de competências. É mais um recurso para encantar os estudantes.

Acolhimento estudantil – De acordo com parecer da CNE, a evasão nos cursos de Engenharia é de 50%. Pensando nisso, as DCNs de Engenharia preveem sistemas de acolhimento e nivelamento estudantil. Tais medidas podem ser realizadas por meio de cursos extracurriculares, acompanhamento psicopedagógico ou mesmo adaptando metodologias ao perfil do aluno.

Avaliação formativa – As avaliações devem ter caráter de reforço ao aprendizado. O modelo ocorre ao longo do período de ensino para que o aluno tenha a oportunidade de crescer com a avaliação.

Prazo de implantação – As IES com cursos de graduação em Engenharia têm prazo de três anos a partir da data da publicação das DCNs (23 de abril de 2019) para implementar a resolução. A mudança pode ser gradual ou imediata, desde que os estudantes sejam previamente informados.

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