3 lições de Israel para o ensino superior

3 lições de Israel para o ensino superior

Por Felipe Flesch

Dez dias intensos de programação científica e cultural em Israel. Assim foi a missão técnica da Associação Brasileira das Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), promovida entre os dias 11 a 21 de outubro. Na delegação, gestores, mantenedores e líderes educacionais de diversas partes do Brasil.

Voltamos de lá impressionados. A capacidade de realização e o senso de comunidade presente na cultura judaica são admiráveis. Além disso, é de encher os olhos ver o que o povo fez em um estado com apenas 70 anos, clima bélico permanente e condições climáticas e geográficas desfavoráveis. Hoje, Israel é conhecida como a “nação das startups”.

Leia mais: Um modelo de escola – em plena Faixa de Gaza

No ensino superior, o Brasil está muito à frente no que diz respeito a ensino a distância. Isso tanto em metodologia quanto em tecnologia. Tratando-se de pesquisa, inovação e empreendedorismo, porém, nossas instituições de ensino superior (IES) estão anos-luz atrás das de Israel.

Grande parte do ensino de Israel é público e a proporção de recursos da IES vem 65% do governo e 35% das mensalidades e outras fontes de receita. Os investimentos em infraestrutura física são feitos majoritariamente por meio de doação PF (pessoa física) de membros da comunidade judaica ao redor do mundo.

Ao meu ver 3 pontos são fundamentais para o sucesso do ensino superior em Israel. São eles:

1) Apoio Governamental

As IES estão alinhadas à necessidade de Israel. Por isso, boa parte da teoria e pesquisa é voltada à demanda do estado. Estudos de agricultura em região desértica, de evolução militar (em função das ameaças constantes) e de fontes renováveis ou alternativas de energia, uma vez que não é possível depender do petróleo controlado pelos vizinhos, são exemplos dessa proximidade entre o governo e as instituições de ensino superior israelenses.

2) Cultura empreendedora e de inovação

Há um claro incentivo ao empreendedorismo e ao desenvolvimento de startups na maioria das IES. Isso tem muito a ver com a cultura judaica e também com uma premissa de criar soluções e empresas globais. Manter a competitividade num mercado interno limitado e pequeno não é fácil. É preciso enxergar além.

Leia mais: Uma entrevista com Cecília Waismann, da MindCet – centro de inovação e tecnologia voltado à educação em Israel

3) Maturidade dos alunos

O serviço militar obrigatório faz com que o aluno entre na IES com 24 anos e forte vivência prática naquilo que pretende cursar. Além de prover essa maturidade, o tempo prestado no serviço militar dá um bom retorno financeiro. Esse dinheiro é utilizado pelos alunos para pagar os estudos ou para criação de startups.

Leia mais: O que o Brasil pode aprender com as universidades da Austrália


Sobre o autor

Felipe Flesch é gerente comercial do Grupo A Educação, holding brasileira que reúne editoras de livros científicos e plataformas tecnológicas voltadas à educação, como Sagah, Symplicity e Blackboard. E-mail: fflesch@grupoa.com.br.