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Fórum de Lideranças: 4 perguntas para Ryon Braga

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No início de agosto, em São Paulo, mais de 200 gestores de instituições de ensino superior puderam ouvir Ryon Braga durante o Fórum de Lideranças: Desafios da Educação. Na ocasião, o educador compartilhou um pouco do seu mais novo caso de sucesso, a UniAmérica. O Blog Desafios da Educação* aproveitou sua presença para conversar um pouco mais com esse gestor que é tido como um dos nomes mais respeitados do País.

Ryon Braga é graduado em Medicina pela UFPR, com pós-graduação em Neuropedagogia, e mestrando em Educação pela Universidade de Jaén, na Espanha. É diretor-presidente da UniAmérica, sócio da Anima Educação SA e presidente do Conselho de Administração da Hoper Educação, do Instituto Hoper e do Instituto Anima. Publicou vários livros no segmento da educação, entre eles: Marketing Educacional; Planejamento Estratégico para Instituições de Ensino e irá lançar este ano um livro sobre ensino e aprendizagem na educação superior.

Ryon Braga no Fórum de Lideranças: Desafios da Educação. Fonte: Divulgação

Ryon Braga no Fórum de Lideranças: Desafios da Educação.
Fonte: Divulgação

Como você avalia o cenário atual da educação superior e da educação a distancia no Brasil?

A educação a distancia é um elemento que veio para ficar, mas, evidentemente, daqui a alguns anos, não existirá mais uma educação a distancia com este nome, pois ela nada mais é do que uma forma de trazer o que a tecnologia proporciona para a educação, além de componentes educacionais imediatos pela tecnologia. Então, num futuro próximo, teremos educação com componentes de alta tecnologia e com componentes presenciais, na proporção do que cada programa educacional necessitar. Não existirá mais esta divisão presencial e a distância, será uma educação híbrida. O grande avanço que a educação a distância trouxe para o cenário da educação como um todo foi o de mostrar a importância do uso da tecnologia em novas metodologias, e descortinar este leque de oportunidades que a educação presencial não tinha visto. Logo, as duas coisas vão se integrar. Hoje já temos modelos educacionais híbridos muito superiores ao que existia até então na educação presencial e na EAD isoladamente.

Em que pé você vê a educação superior em uns 10 anos?

Esta é uma questão bastante difícil e complexa, mas eu vejo uma a educação superior na qual os muros, não os muros da universidade ou da escola, mas as primeiras paredes da escola, as da sala de aula, perdem um pouco a sua função de enclausuramento. Digamos assim: em determinado processo, os muros da escola deixam de ser relevantes e a relação professor-aluno é colocada em perspectiva e passamos todos a termos um papel de educadores, no sentido destes estudantes aproveitarem as experiências de aprendizagem. O livro que estou publicando agora tem no título a expressão “experiência de aprendizagem”, para mostrar que o aprendizado pode se dar em qualquer lugar, a qualquer tempo, em qualquer situação, mas se ele for orientado, acompanhado, sistematizado em uma espécie de processo de preceptor guia. Ele é muito mais rico e muito melhor aproveitado se tiver alguém para ajudar o estudante desde criança, desde a educação infantil até seu doutorado, ensinando ele a fazer este percurso da forma mais inteligente possível, aproveitando todas as oportunidades de aprendizagem que a vida e o mundo lhe oferecem. Esse é o novo papel da universidade.

Fórum de Lideranças reuniu cerca de 200 gestores de IES em São Paulo. Fonte: Divulgação

Fórum de Lideranças reuniu cerca de 200 gestores de IES em São Paulo.
Fonte: Divulgação

Você poderia compartilhar algum case de sucesso?

As instituições de ensino têm um misto de problemas, nunca é um problema simples e pontual. E uma das principais demandas é que as instituições precisam fazer frente a essas mudanças todas e manter suas sustentabilidades financeiras, econômicas. No Brasil, há muitas instituições que passam por dificuldades financeiras e precisam de um saneamento. O paradoxo, o grande desafio que os donos de instituições trazem para a Hoper, é o como eu posso investir significativamente na melhoria da qualidade e ter uma qualidade realmente acima do que tenho hoje e, ao mesmo tempo, manter equilibrada a sustentabilidade financeira nos custos e despesas, sendo que eu já estou desequilibrado, então eu tenho que rever meu desequilíbrio e melhorar ao mesmo tempo. Eles me perguntam: “isto é possível ou é um paradoxo? Quer dizer que tenho que investir mais para ser melhor, mas eu já estou no prejuízo, como é que eu invisto mais?” Um dos papéis da Hoper é mostrar isto, sim é possível você melhorar muito e ter uma estrutura de gestão tão eficiente e profissionalizada que você consegue ter uma estrutura de custos compatível com a qualidade superior que você pode oferecer.

Se você pudesse propor um desafio da educação, qual seria?

Eu não faria um desafio, mas um convite a todas as universidades e faculdades a pensarem assim: é possível uma relação de ensino e aprendizado altamente eficiente sem aula e sem disciplina. Pensem nisso porque isso pode ser realmente um caminho muito interessante pra começar a mudança.

Ficou curioso com o que mais Ryon Braga tem a dizer sobre o futuro da educação? Acesse sua apresentação no Fórum de Lideranças: Desafios da Educação e assine nossa newsletter para ser avisado assim que o vídeo do evento for ao ar.

*entrevista a Luísa Ferreira.

Redação
A redação do Desafios da Educação é composta de jornalistas, educadores e especialistas em educação superior.

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