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Enade: por que os cursos de EAD têm pior nota que os presenciais

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A educação a distância (EAD) só cresce. Em 2017, de acordo com a última edição do Censo EAD, a expansão da modalidade foi de 17,6% em comparação ao ano anterior – o maior salto desde 2008. Agora, são 1,8 milhão de alunos, o equivalente a 21,2% do total de matrículas em todo o ensino superior.

Apesar da ampliação, a modalidade tem um desempenho inferior à modalidade presencial. Ao menos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), realizado no ano passado. Os dados foram divulgados nesta semana.

Apenas 2,4% dos cursos de EAD alcançaram o Conceito 5 – os cursos são classificados em uma escala chamada Conceito Enade, que varia de 1 a 5 (da pior para a melhor nota). Na modalidade presencial, a pontuação máxima da prova foi alcançada por 6,1% dos cursos.

A maioria dos cursos de EAD (45,7%) posicionou-se nos Conceitos 1 e 2, considerados insatisfatórios pelo Ministério da Educação (MEC).

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Indo além, o Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), que avalia o valor agregado pelo curso ao desenvolvimento dos alunos na reta final da graduação, demonstra que 6,4% dos cursos de EAD tiveram notas 4 e 5. Entre os presenciais, o índice é de 21,6%.

As razões

Para o ministro da Educação, Rossieli Soares, os cursos de EAD funcionam como ferramenta de inclusão. Portanto, não é tarefa simples compará-los como os do formato presencial.

“Temos claramente públicos distintos buscando essas duas modalidades”, disse durante coletiva de imprensa na segunda-feira (9). “Os mais jovens estão em maior número na educação presencial. Já no ensino a distância, é aquela pessoa que está mais estabilizada, trabalhando e que quer continuar crescendo na carreira.”

O que Soares quis dizer é que, via de regra, a maior parte dos alunos de EAD são trabalhadores que estudam; não estudantes que trabalham. Praticamente 80% do público da EAD trabalha, enquanto o mesmo índice é de 57% nos cursos presenciais.

Mas isso por si só não explica os resultados – e esmiuçar os dados a nível de cada instituição também é válido. Será que uma ou outra grande IES pode desequilibrar os dados para pior?

O fato é que a solidificação de um ensino com pouca qualidade preocupa o setor. Tanto que o ministro da Educação anunciou o lançamento de uma campanha de avaliação especial para melhorar o nível geral de desempenho.

“Faremos um levantamento fino das instituições de educação superior que estão ofertando cursos de forma irregular”, afirmou Soares. “Reforçaremos a avaliação das condições dos polos de EAD. A ação também é uma resposta ao alto número de denúncias de falsificação de diplomas.”

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Outra constatação do Enade é a queda no desempenho dos professores em formação – o que gera impacto sobre o desenvolvimento dos futuros alunos. Os alunos de formação docente tiveram, em geral, resultados inferiores aos demais. A média dos estudantes de pedagogia, por exemplo, foi de 48,1 pontos. Já os alunos de engenharia civil registraram 55,5.

“O mais importante agora é as instituições de educação superior se apropriarem dos dados para melhorar seus projetos pedagógicos”, afirmou Maria Ines Fini, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O Enade é realizado anualmente por alunos formandos de instituições públicas e privadas no Brasil. O exame avalia conhecimentos, competências e habilidades desenvolvidas ao longo da graduação de uma área do conhecimento a cada três anos. Em 2017, participaram 537.360 estudantes de 10.570 cursos presenciais e a distância de ciências exatas, licenciaturas e áreas afins, como engenharia e arquitetura.

Redação
A redação do Desafios da Educação é composta de jornalistas, educadores e especialistas em educação superior.

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