As lições de Portugal, Inglaterra e Finlândia para a educação

Estudantes da Universidade Häme de Ciências Aplicadas, na Finlândia: protagonismo discente e flexibilidade para aprender são fundamentais nas IES europeias (FOTO: Ville Salminen/HAMK)

Por Adelar Hengemühle e Maristela Castro

Em janeiro deste ano, estivemos na Europa para uma missão educacional. Em nossa viagem, conhecemos instituições de referência, entre elas a Universidade Häme de Ciências Aplicadas e a Escola Saunahti, conhecida como a “Escola do Futuro”, ambas na Finlândia. Também fomos à Universidade do Porto e à Escola da Ponte, em Portugal, e à Universidade de Cambridge e à Escola Summerhill, na Inglaterra. Ao visitar esses lugares, aprendemos algumas lições importantes. Em comum, a prevalência da educação no gerúndio. Ou seja, os estudantes aprendem praticando, criando, falando e aplicando.

Educação pensada para um futuro incerto

Mais da metade das profissões como conhecemos hoje será extinta quando os estudantes da educação básica ingressarem no mercado de trabalho. E, nesses países, o ensino foca no desenvolvimento de competências que façam os alunos aprender a aprender. Assim, as instituições de ensino antecipam tendências e preparam os estudantes para novas profissões.

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Educação como projeto de nação

Aprendemos essa lição principalmente na Finlândia. O país saiu da pobreza e criou sua identidade a partir das reformas de ensino e da capacidade (e disciplina) para transformar ideias em ações. Hoje, percebe-se maior foco nos objetivos educacionais e harmonia entre as esferas, desde o Conselho Nacional de Educação e o Ministério da Educação até escolas, faculdades e sociedade.

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Flexibilidade curricular

As melhores escolas desses países flexibilizam seu modo operacional e estrutural. Desse modo, conseguem desconstruir a rigidez que as séries – ou níveis – de ensino reproduzem. A individualidade e a diversidade se tornam uma preocupação constante para exercitar a liberdade dos alunos.

A comunidade como sala de aula

Na sala de aula, os alunos aprendem a ter um olhar 360° sobre sua realidade. Na Finlândia, por exemplo, era comum ver crianças e professores se deslocando pelos museus e espaços abertos mesmo sob temperatura negativa e neve.

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O estudante como protagonista

Os estudantes aprendem desde pequenos a definir metas e a organizar o tempo da própria aprendizagem. É quando se sentem aptos, por exemplo, que comunicam ao professor o momento da avaliação. Eles também são ativos na organização, no planejamento da escola e no cuidado com os ambientes – em alguns casos, até a cantina limpam após as refeições.

Arquitetura e espaço

Os locais de estudo são produzidos por arquitetos e professores, juntos. Os espaços quase sempre são integrados – até as cores dos ambientes levam em consideração o perfil e o nível discente. Nas instituições que visitamos, encontramos ambientes especialmente formulados para desenvolvimento de conhecimento científico, mas também para práticas mais “artesanais” como marcenaria, pintura e dança.

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Sobre os autores

Maristela Castro é pedagoga, especialista em psicopedagogia e em educação mediada por tecnologias e mestre em Políticas Públicas. Adelar Hengemühle é graduado em Letras, possui doutorado e pós-doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Foto em destaque: Estudantes da Universidade Häme de Ciências Aplicadas, Finlândia. Crédito: Ville Salminen/HAMK.