Gestão educacional

Como o coronavírus mexe com o calendário escolar e acadêmico ao redor do mundo

0

O cronograma de aulas, a carga horária, os eventos, os feriados, as férias. Tudo isso – e mais – é considerado ao planejar um ano letivo. Mas o avanço da Covid-19, síndrome respiratória decorrente da pandemia do novo coronavírus, mudou completamente o calendário de milhares de instituições.

As aulas? Suspensas ou reformatadas para o modelo virtual. Eventos? Cancelados. Férias? Talvez nem existam. Segundo levantamento da Unesco, cerca de 90% da população estudantil (1,5 bilhão de pessoas) em todo mundo foi afetada por mudanças decorrentes do fechamento de escolas e faculdades.

Leia mais: Em 1918, gripe espanhola fez escolas aprovarem todos os alunos no Brasil

É um padrão: doenças virais impactam diretamente as sociedades. Empresas entram em recesso, o transporte público é alterado e o planejamento educacional é revisto. Efeitos colaterais desse processo incluem impacto negativo na aprendizagem, por exemplo. Há precedentes na história.

Na gripe espanhola de 1918, que matou mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, o Brasil cancelou aulas e obrigou escolas aprovarem todos os alunos. Na epidemia de Influenza A H1N1 (gripe suína), em 2009, quase 14 milhões de brasileiros foram afetados por suspensões temporárias em instituições de ensino.

E na pandemia da Covid-19: A seguir, o Desafios da Educação mostra como o coronavírus está mexendo com o calendário escolar e acadêmico ao redor do mundo.

China

Coronavírus mudou completamente o calendário das instituições de ensino. Crédito: Pexels.

EAD: coronavírus mudou completamente o calendário das instituições de ensino. Crédito: Pexels.

No país onde eclodiu os casos de coronavírus, cerca de 240 milhões de alunos tiveram que esperar um pouco mais que o normal para o reinício do ano letivo. Com a expansão do vírus, o governo chinês precisou projetar um modelo de aulas 100% a distância.

Foi através de uma plataforma online com mais de 160 lições de 12 disciplinas. Ao longo dos dias os conteúdos são atualizados com novos materiais. O país contou com a ajuda de grandes empresas chinesas, como Huawei, Alibaba e China Mobile, para garantir que essa plataforma suportasse até 50 milhões de alunos, simultaneamente. Além disso, os professores utilizaram o Dingtalk – plataforma de transmissão ao vivo da Alibaba – para dar aulas.

Além das escolas, as universidades também se adaptaram ao novo modelo de ensino. A universidade de Pequim, por exemplo, oferece mais de 500 aulas de graduação em plataforma digital, sendo 300 delas por webconferência. Ainda não há previsão de quando as aulas presenciais voltarão, mas uma coisa é certa: para os chineses a aprendizagem não pode parar.

Leia também: Como a China pôs 240 milhões de crianças e jovens a aprender pela internet

Itália

A Itália é o país com o maior número de mortes por Covid-19 – em 13 de abril, eram 20 mil. Estima-se que quase 11 milhões de italianos foram impactados com o fechamento de escolas e universidades devido à pandemia.

Muitas escolas migraram para o ensino a distância, mas outras apenas suspenderam as suas aulas, por falta de acesso a tecnologia. Diante do problema, o governo italiano lançou um projeto chamado solidariedade digital, que une empresas que querem oferecer seus serviços gratuitamente a população durante o período de quarentena. Algumas dessas plataformas aderiram à ideia e estão disponibilizando cursos e aulas virtuais para as instituições de ensino.

A Universidade de Siena e a Universidade Politécnica de Milão decidiram ministrar as suas aulas totalmente a distância, mudando todo o seu calendário acadêmico por causa do coronavírus. Na Universidade de Siena foram utilizados dois métodos de ensino: aulas ao vivo pela plataforma Gmeet e gravações de lições e materiais educacionais pelo Moodle.

Leia mais: Como estudar a distância em tempos de coronavírus? Aqui estão 5 dicas para os alunos

Reino Unido

O primeiro ministro, Boris Johnson, decretou o fechamento de todas as escolas como medida para conter o coronavírus no Reino Unido. A medida começou a valer em 20 de março e segue em vigor – por tempo indeterminado. Por isso, os exames finais não ocorrerão mais no fim do primeiro semestre, que é quando as instituições britânicas encerram o ano letivo.

Apesar do cancelamento das aulas, as escolas ainda estão recebendo os filhos de trabalhadores em setores considerados essenciais, como saúde, segurança e transporte. O governo não estabeleceu nenhuma norma sobre como será o processo de aprendizagem durante esse período, portanto as instituições estão tomando suas próprias decisões sobre o ensino dos seus estudantes. Ao todo, são 15 milhões de alunos fora das escolas no Reino Unido.

As universidades do Reino Unido também fecharam as suas portas e suspenderam as aulas presenciais. A Universidade Global de Londres (UCL) suspendeu o ensino presencial pelo resto do ano letivo e todas as atividades que iriam acontecer em sala de aula serão substituídas por alternativas virtuais. A Universidade de Oxford cancelou todos os exames que aconteceriam do dia 16 de março até o dia 2 de abril, que serão organizados e aplicados remotamente.

Leia mais: Coronavírus: 5 dicas para os professores que irão migrar para o EAD

Austrália

Líderes dos estados de Queensland, Austrália do Sul e Austrália Ocidental anteciparam as férias escolares e planejam retornar às atividades através de ensino a distância. As atividades só foram mantidas para os filhos de pais que têm empregos essenciais, como profissionais de saúde e segurança.

As universidades da Austrália passarão a contar com atividades online durante todo o semestre. A Universidade de Queensland disponibilizou mais 1,3 mil cursos online. Avaliações foram canceladas para que não haja necessidade de os estudantes comparecerem ao campus.

Leia mais: Michael B. Horn: os impactos de longo prazo da Covid-19 na educação superior

Estados Unidos

Entre as pioneiras a suspender aulas presenciais e substitui-las pela modalidade online, nos Estados Unidos, está a Universidade Harvard, que decidiu ministrar todas as suas aulas em EAD a partir do dia 23 de março. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) cancelou todas as suas aulas até o dia 15 de maio – final do ano acadêmico – e aumentou os cursos online.

Em Nova York, as aulas estão ocorrendo mesmo com as escolas fechada. Foram distribuídos 175 mil laptops e iPads para garantir que os estudantes de instituições públicas pudessem ter acesso ao ensino virtual. O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, anunciou que as escolas ficarão fechadas até o fim do ano letivo.

O ano letivo nos EUA é diferente do Brasil. lá, ele termina entre maio e junho, quando começam as férias de verão. Aqui, as aulas geralmente terminam em dezembro.

Leia mais: Reflexões (e reações) sobre o impacto do coronavírus na educação e no trabalho

Brasil

No Brasil, todos os estados decidiram suspender aulas. Escolas e instituições de ensino superior tomaram as decisões de forma independente ou de acordo com ordens estaduais e municipais.

A rede do Rio Grande Sul, por exemplo, planeja continuar o ensino dos estudantes enviando conteúdos e atividades por meio de plataformas digitais. As escolas públicas do estado estão fechadas por decreto.

O Ministério da Educação publicou no dia 18 de março uma portaria que flexibiliza a substituição de aulas presenciais por aulas a distância. O MEC também possibilitou que as instituições que não migrarem para o ensino a distância possam alterar o seu calendário acadêmico, para conseguirem repor os dias letivos em outro momento.

Leia também

>> Estudantes de baixa renda são os mais prejudicados na quarentena

>> As ações do MEC para lidar com o coronavírus

>> Gestores analisam as lições do coronavírus e os desafios das faculdades brasileiras

>> A guerra das mensalidades: entre a saúde financeira dos pais e das escolas

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.