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Tecnologia e habilidades de leitura: celulares na luta contra o analfabetismo

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Educação e tecnologia já andam juntas há muito tempo, com resultados de sucesso e prognósticos mais que promissores. Mas essa não é a única dupla capaz de revolucionar a maneira em que nos relacionamos com o conhecimento e a aprendizagem. Juntar tecnologia e leitura também pode mudar o mundo, especialmente para as crianças e para as pessoas de países subdesenvolvidos.

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Estima-se que, no mundo, 6 bilhões de pessoas possuam um smartphone
[FONTE: TabTimes]

Um recente relatório da Unesco mostrou que os smartphones estão levando o hábito da leitura a países que, há centenas de anos, sofrem com altos índices de analfabetismo. Em pesquisa realizada em Gana, Etiópia, Índia, Quênia, Nigéria, Paquistão e Zimbábue, foram entrevistadas 5 mil pessoas que, em seus celulares, estão lendo mais – além de ler para seus filhos – e estão buscando mais conteúdo.

De acordo com a entrevista que o organizador da pesquisa Mark West concedeu ao The Verge, os celulares com acesso à internet permitem que as pessoas desenvolvam, mantenham e aprimorem suas habilidades de leitura. Todos os entrevistados para o estudo possuíam o aplicativo Worldreader, que disponibiliza e-books em países pobres de maneira gratuita ou a preços acessíveis. A mesma organização responsável pelo aplicativo já doou cerca de 1,7 milhão de Kindles a escolas de baixa renda.

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As mulheres dedicam mais tempo à leitura nos celulares
[FONTE: Visa]

O objetivo do Worldreader é precisamente chegar a países onde há pouca leitura e pouca verba para livros. Até agora, a experiência mostra que a tecnologia móvel já fez subir os níveis de alfabetização nas regiões onde o aplicativo é usado. Embora a maioria dos usuários sejam homens (cerca de 77%), as mulheres leem durante mais tempo: a leitura toma cerca de 277 minutos ao mês para elas, e apenas 33 minutos para eles. Em países especialmente machistas, essa diferença traz uma nova esperança: as mulheres ainda são a maioria entre os analfabetos do mundo e, em muitos países, elas têm menos acesso à educação por questões culturais. Mas com um smartphone nas mãos, elas têm a chance de compensar as lacunas educacionais e tomar as rédeas do próprio aprendizado.

O modelo híbrido de leitura na alfabetização infantil

Se em países pouco desenvolvidos a tecnologia faz diferença na hora de tirar o atraso e massificar o conhecimento, no mundo todo os dispositivos móveis fazem parte da construção do futuro. Além de contribuir com a alfabetização de adultos com pouca escolaridade, eles podem ser de grande ajuda no processo de alfabetizar crianças.

Segundo estudo do fundo nacional da alfabetização da Inglaterra, incentivar a leitura em meios impressos e digitais, sem impedir o acesso a nenhum deles, melhora o desempenho da criança na aquisição de habilidades de leitura. Os pequenos que interagem apenas com o papel são mais lentos na aprendizagem, mas quem costuma ler tanto no meio impresso quanto em celulares ou tablets tem mais facilidade em aprender a ler e também em desenvolver a capacidade de interpretação. O estudo foi realizado com crianças de três a cinco anos de idade que tinham acesso a palavras impressas – como em livros, revistas e jornais – bem como ao mundo virtual em dispositivos móveis.

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A junção de papel e tela é o melhor caminho para aprender
[FONTE: Harriet Sime]

Não é de se admirar que os pais entrevistados na Inglaterra tenham manifestado seu desejo de ter mais dispositivos móveis no lar. Afinal, parece que encontrar o equilíbrio entre os meios físicos e virtuais é a grande chave para acessar os diferentes caminhos do conhecimento e estar preparado para o futuro. E você, o que acha de adotar as leituras híbridas na sua instituição?

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Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino superior.

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