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Seis opiniões sobre como a tecnologia vai mudar o ensino superior

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Dizer que a tecnologia vai mudar a educação não é mais novidade. Tais transformações já estão acontecendo há algum tempo e devem se aprofundar com o passar dos anos. Um painel realizado recentemente na Universidade de Nova York reuniu grandes nomes da educação como John Sexton, da Escola de Negócios de Harvard, o professor Clayton Christensen e o CEO da Codecademy Zach Sims para traçar previsões sobre o futuro do ensino superior. Confira abaixo algumas das formas como esses pensadores acreditam que a tecnologia vai mudar para sempre a educação superior, com base na cobertura do evento feita pelo site Inc.

1. A tecnologia vai ajudar as universidades a descobrir talentos

Para John Sexton, presidente da Universidade de Nova York, a terceira instituição mais cara dos Estados Unidos, o modelo que a sua universidade segue está longe de ser perfeito. Há, em sua opinião, universidades cobrando demais dos estudantes por uma educação bastante fraca. No futuro, segundo ele, haverá uma grande consolidação de faculdades, ou seja, instituições menores de preços mais acessíveis. Isso não significa, porém, que a universidade tradicional irá desaparecer.

“O fato da ópera não ter o mesmo apelo para as massas que uma música do Jay-Z não quer dizer que a sociedade viveria melhor sem a ópera. Haverá ainda espaço para um dinossauro ou dois”, disse Sexton.

Mas, para essas universidades se sustentarem, elas terão que ir atrás de estudantes talentosos, mesmo que eles não possam pagar por uma instituição. E é nesse processo que entra a tecnologia. A própria Universidade de Nova York possui uma parceria com a Universidade do Povo, uma organização sem fins lucrativos que oferece educação online livre de taxa de matrícula para os alunos. Estudantes promissores da Universidade do Povo são elegíveis para o campus de Abu Dhabi da Universidade de Nova York.

2. Mais acessível, a educação online vai roubar alunos das universidades

Para o professor da Harvard Business School, Clayton Christensen, um estudioso da inovação, é possível fazer uma comparação do futuro do ensino superior com as indústrias do passado. Em qualquer processo de inovação formam-se dois círculos concêntricos de clientes: o círculo interno consiste nas classes altas, e o círculo exterior e maior, nas massas. Quando surge uma nova indústria, afirma ele, quase sempre ela começa no círculo menor. “Inicialmente, os produtos e serviços são tão caros e complicados que só os ricos têm acesso”, lembrou Christensen.

Foi o caso dos computadores na década de 1950 e do início dos televisores em 1960. As empresas que inovam e vendem para os mais endinheirados têm dificuldades de tornar sua tecnologia mais acessível, pois impacta a natureza do produto e do negócio. Neste cenário, concorrentes começam a buscar uma alternativa mais barata para atingir os menos ricos. Com isso, as empresas que antes só vendiam para o círculo menor, vão em busca dos concorrentes que estão vendendo para as massas. Foi assim quando o computador pessoal nasceu e assim será com a educação, na opinião de Christensen.

“Os primeiros a adotar a educação online foram aqueles que não podiam chegar à Universidade de Nova York. Era melhor do que nada”, disse ele. No entanto, de acordo com Christensen, a tecnologia de educação a distância foi ficando melhor e melhor, a ponto de roubar de algumas instituições seus alunos mais ricos. A questão não é se isso irá ocorrer, porque já está acontecendo, mas que papel as universidades irão desempenhar.

3. Os empréstimos serão pagos mais tarde

O medo de se endividar é uma das maiores barreiras para quem quer ingressar no ensino superior, ainda mais hoje, quando um diploma não significa necessariamente um emprego. É por isso que Andre Dua, que aconselha governos locais e escolas em sua função de diretor da McKinsey & Company, acredita que há muitas oportunidades no financiamento da educação. Em 2025, prevê ele, organizações que oferecem empréstimos pedirão o dinheiro de volta depois que o cliente atingir um determinado rendimento, e não imediatamente após terminar seus estudos.

4. Os estudantes vão exigir treinamento de habilidades práticas

Zach Sims fundou a Codecademy há dois anos, depois de abandonar a Universidade de Columbia, onde estudava ciência política. A educação que ele estava recebendo não o preparava para a vida no mundo real. Para Sims, o futuro do ensino superior passa por empresas como Codecademy, que ensina as pessoas a codificar online e que se tornaram alternativas mais viáveis à educação tradicional, mais próximas do mercado de trabalho.

5. A universidade será descentralizada

Quando a universidade nasceu, ela era a única opção de um estudante ouvir alguém falar. Era necessário estar na sala de aula. E, se alguém quisesse ler um livro, era preciso ir à biblioteca. Obviamente, disse Albert Wenger, da Union Square Ventures, uma empresa de investimentos, esse não é mais o caso. “Acabamos com um modelo de pacote”, disse ele, e agora é a hora de segmentar. De acordo com Wenger, novas empresas surgirão oferecendo algum elemento da experiência universitária. A Science Exchange, por exemplo, empresa apoiada pela Union Square Ventures, permite aos pesquisadores emprestar um espaço de laboratório a um colega em qualquer lugar do mundo.

6. A universidade do amanhã não será parecida com uma universidade

Para Clay Shirky, escritor ligado ao Instituto de Jornalismo da Universidade de Nova York, o atual modelo precisa mudar. Para ele, o futuro do ensino superior passa por escolas mais especializadas como a Universidade Rockefeller, que se concentra na pesquisa biomédica. Algumas instituições, inclusive, não parecerão em nada com uma universidade e serão mais semelhantes à Polymath, por exemplo, uma universidade online que está focada em educar os alunos para concluir um projeto.

Ele cita sete grandes pilares das universidades que não precisam mais existir: classe, curso, grade, crédito, graduação e departamento. Para Shirky, essas são construções do homem que não são intrínsecas à educação. “Sabe o que é real? Os alunos. Saber coisas. Ser capaz de fazer as coisas. As pessoas vão encontrar formas alternativas de ensinar essas coisas”.

O que fica desse painel é que não importa onde nem como, a educação e o aprendizado vão continuar existindo, e o papel da tecnologia é justamente o de tornar o ensino mais livre e disponível.

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Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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