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Mensalidade acessível e flexibilidade atraem alunos para EAD

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O custo da graduação foi o primeiro critério de escolha de Claudir Zin, 57 anos. Mas quando pesquisou os preços nas instituições de ensino de sua região – em Erechim, no norte do Rio Grande do Sul –, Zin concluiu que as coisas não seriam bem como pensava: frequentar uma sala de aula física seria inviável do ponto de vista financeiro.

“Ou eu nunca iria fazer uma faculdade, ou iria retardar o início”, relembra sobre suas ponderações. Por fim, ele optou por fazer um curso a distância.

Como Zin, que em 2019 se forma em Processos Gerenciais, muitos estudantes optam pela educação a distância (EAD) por razões financeiras – entre elas o medo de assumir dívidas e fugir do alto valor das mensalidades presenciais.

De fato, a discrepância entre uma modalidade e outra é grande. Uma pesquisa, divulgada recentemente pela Hoper Educação, mostrou que o valor médio da mensalidade EAD teve queda de 5,7% em 2018, chegando a R$ 270,89. Já a mensalidade dos cursos presenciais, embora apresente queda real nos últimos três anos, custa quase o triplo: R$ 796.

Evolução do preço médio da mensalidade EAD no Brasil. Fonte: Hoper Educação.

A diferença pode ser ainda maior, dependendo da instituição de ensino superior (IES) e do curso escolhido.

O portal Desafios da Educação comparou os preços do curso de Administração em uma IES privada com 25 mil alunos matriculados. Na modalidade EAD, o custo mensal é de R$ 434,00 (para 24 créditos, ou 6 disciplinas). Já o curso a mensalidade presencial custa R$ 2.577,56 – isto é, seis vezes menos.

Leia mais: EAD: preço é importante, mas não fundamental

Flexibilidade e crescimento

De acordo com um estudo da plataforma Quero Bolsa, divulgado em 2017, 27% dos entrevistados apontam os custos menores como principal atrativo da EAD. Mas não só isso.

Outra razão, apontada por 44% dos entrevistados, é a flexibilidade de horários. “Atuo profissionalmente com comércio, transporte e agricultura. Em um curso presencial, não teria como acordar para levar minha filha na escola às 7 horas da manhã e desempenhar minhas atividades”, explica o estudante Claudir Zin.

“Tenho apenas um dia de aula presencial e o resto faço com liberdade em casa, conforme o meu tempo e a disposição”, acrescenta.

Até 2023, o número de matrículas em graduações EAD deve superar os de cursos presenciais, segundo Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES).

Hoje, um em cada cinco estuda a distância no Brasil (em nível superior) – são 1,8 milhão de alunos no total. Entre 2008 e 2018, o crescimento da modalidade foi de 375%. No mesmo espaço de tempo, o número de matriculados no ensino presencial subiu 33,8%.

Leia mais: Cursos de mestrado a distância serão avaliados ainda em 2019

Descontos e concorrência baixam preços

A analista da área de estudo de mercado da Hoper, Karen Sawa, associa os preços cada vez mais baixos da mensalidade EAD ao maior número de players no mercado.

“A alta competitividade fez com que muitas IES adotassem promoções para captação de alunos como estratégia”, destacou Sawa, em artigo publicado no site da Hoper.

Normalmente, essas promoções garantem isenções na matrícula, na primeira mensalidade e até nos primeiros meses do curso. A prática é comum tanto em instituições de ensino pequenas quanto nas de grande porte.

Educadores também dizem que o fato do professor lecionar para mais estudantes no ambiente virtual acaba baixando o custo de pessoal e de infraestrutura, o que permite as IES trabalharem em escala e com preço mais acessível.

Leia mais: Por bolsas e descontos, alunos concluem matrículas em março

*Com reportagem de Luiz Eduardo Kochhann

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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