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Empresas e IES criam iniciativas para suprir falta de profissionais de TI

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Até 2025, o mercado de trabalho vai demandar 797 mil profissionais de tecnologia da informação e comunicação (TIC). Entretanto, com apenas 53 mil pessoas formadas por ano na área, o Brasil deve ter um déficit anual de 106 mil profissionais – 530 mil em cinco anos.

Os dados são da última pesquisa “Demanda de talentos em TIC e Estratégia ΣTCEM”, realizado em 2021 pela Brasscom, entidade representativa das empresas do setor. “Quando comparado à edição anterior, publicada em 2019, o novo estudo demonstra que o problema de falta de talentos foi agravado”, afirma o presidente executivo da Brasscom, Sergio Paulo Gallindo.

O estudo aponta estratégias para suprir a falta de profissionais de TIC. Entre elas, a introdução de disciplinas eletivas de tecnologia em cursos que têm afinidade com as habilidades necessárias em programadores, como Matemática, Engenharia e Ciências. “As grades de ensino superior precisam estar mais bem alinhadas ao que o mercado de trabalho precisa”, justifica a coordenadora do estudo, a economista Helena Loiola.

Movimentos no ensino superior

Algumas iniciativas surgem, especificamente, para atender à exponencial demanda por talentos na área de TIC. Criado em 2020 pelo Fundo Abaporu, braço filantrópico da família Horn, o iTuring, por exemplo, se posiciona como um instituto de educação em tecnologia e negócios da era digital.

Segundo o diretor acadêmico da iTuring, Ronaldo Mota, a meta do projeto é formar 1 milhão de alunos nos próximos dez anos no formato online.

Por enquanto, a instituição oferece apenas cursos livres no modelo de nanodegrees, com duração média de 6 meses e foco na capacitação em habilidades específicas. Entre as formações disponíveis estão “Programação”, Engenharia de Software”, “Pensamento Analítico e Solução de Problemas”, “Monolito aos Microserviços”, “Cibersegurança” e “Fundamentos em Engenharia de Dados”.

A partir de 2023, o iTuring também contará com cursos de graduação – “Gestão de TI”, “Análise e Desenvolvimento de Sistemas” e “Ciência de Dados e Inteligência Artificial” – e pós-graduação – “Cibersegurança” e “Gestão de Negócios Digitais”. A instituição está em fase final de regulamentação e obteve conceito máximo do Ministério da Educação (MEC).

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“O iTuring, ao lado de outras elogiáveis iniciativas, pretendem suprir, conjugando escala e qualidade, a demanda por talentos na área. No nosso caso, em estreita parceria com as empresas”, afirma Mota.

Os cursos do iTuring são montados em parceria com grandes empresas de tecnologia, como Microsoft, Cisco, PwC, AWS, Loft e Refactory. Inclusive, profissionais dessas empresas participam do projeto como docentes.

Um caso parecido é o da Sirius, uma iniciativa criada também em 2020 por quatro colegas com larga experiência na área de TIC. Assim como o iTuring, a Sirius oferece cursos livres – e um programa de fellowship em Ciência de Dados – enquanto aguarda o credenciamento do MEC para a oferta de dois cursos de graduação: Ciências de Dados e Inteligência Artificial; e Desenvolvimento de Aplicações para a Internet.

“A Sirius quer olhar para onde ninguém está olhando, estimulando o desejo, a curiosidade e as habilidades certas para trazer para o jogo pessoas que estão excluídas do mercado” explicou o CTO e um dos fundadores da Sirius, Fernando Americano, em matéria publicada no ano passado pelo Desafios da Educação.

Leia mais: As previsões de Yuval Harari sobre educação e trabalho em 2050

Empresas fazem a sua parte

Enquanto as instituições de ensino se movimentam, empresas investem em capacitações para atrair e treinar profissionais de TIC internamente. É o caso da Embraer, que oferece bolsas de R$ 2.700 para profissionais estudarem em tempo integral, segundo reportagem do Jornal Nacional.

Já o movimento Tech reuniu mais de 20 empresas e entidades do setor de tecnologia para capacitar estudantes do ensino médio e desempregados em áreas como desenvolvimento de front-end e back-end, UX designer e segurança da informação. Grupo Boticário, XP e iFood estão entre as companhias envolvidas no projeto.

“Uma vez formados, os alunos vão para um banco de currículo, onde as empresas também publicam as vagas para fazer essa ponte de empregabilidade”, explica o vice-presidente de Pessoas e Sustentabilidade do iFood, Gustavo Vitti, em reportagem publicada pelo jornal O Globo.

A +A Educação, maior edtech para o ensino superior e profissional da América Latina, criou o +A Tech Talent, um programa de aceleração de talentos na área de tecnologia. O objetivo é encontrar profissionais que desejam trilhar carreira como desenvolvedores de software e impulsionar seus conhecimentos técnicos e comportamentais.

“Com a aceleração digital nas empresas, vimos a busca por profissionais de tecnologia ampliar e, com isso, a concorrência para atraí-los aumentar. Em contrapartida, o negócio ansiava por profissionais qualificados, com agilidade, o que se tornou um desafio para a área de RH”, explica a gerente de RH da +A Educação, Júlia Goldstein.

Os programas da edtech duram seis meses em um formato com 70% de aprendizagem prática, 20% de aprendizagem através de trocas e 10% de aprendizagem formal em sala de aula. Todos os formandos da última turma foram contratados pela empresa.

“Dessa forma, promovemos o aprendizado e o desenvolvimento dentro ‘de casa’, incentivando nossos valores de paixão pelo conhecimento, colaboração, mão na massa e inovação, além de atendermos as necessidades do negócio de forma ágil e assertiva”, completa Goldstein.

Leia mais: Fortnite: como jogos podem favorecer o aprendizado contínuo e soft skills

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