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O fim do bullying vai de políticas à tecnologia

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Não faz muitos anos que a palavra bullying chegou ao Brasil. Sua rápida adoção, no entanto, mostra como esse tipo de agressão já era conhecido por aqui, faltando-lhe apenas um nome definitivo. Tão recente quanto a palavra são os debates em torno do assunto e, sobretudo, as estratégias para combater essa postura violenta que prejudica milhares de estudantes, professores e gestores todos os dias.

É importante salientar que o problema, embora visível em colégios, não deixa de ocorrer nas universidades. Recentes estudos canadenses apontam que adolescentes violentos, muitas vezes, mantêm o comportamento na faculdade. O bullying no universo adulto, todavia, traz consequências até mais graves. De acordo com dados do Canadá, as intimidações ocorrem entre estudantes, entre professores, de estudantes para professores e vice-versa, e podem afetar carreiras profissionais, reputações e o futuro acadêmico da vítima. Naquele país, um quinto dos 2 mil entrevistados afirmou já ter sofrido bullying.

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[FONTE: Brock]

Nos Estados Unidos, o projeto de lei que regularia o bullying ainda não foi aprovado, e as universidades criam suas políticas conforme a necessidade surge. Algumas apostam em punições severas, enquanto outras preferem trabalhar com “abordagens informais”, reprimendas que não afetam a carreira acadêmica do estudante. Os dados norte-americanos também são alarmantes: estima-se que, a cada dia, 160 mil estudantes faltam às aulas por medo de serem vítimas de agressões.

Na tentativa de conter a violência, universidades têm criado políticas internas para reprimir o bullying. As estratégias variam, mas, no geral, são focadas na punição e pouco investem na prevenção de atos intimidatórios. No Brasil, instituições de ensino que não tomam providências ou não denunciam casos de bullying podem até ser obrigadas a pagar multa, embora a legislação varie de estado para estado e ainda não exista lei nacional sobre o assunto.

Tecnologia, uma via de mão dupla

Se o bullying é um problema antigo que existe desde antes de ganhar uma denominação, o cyberbullying pode ser considerado um problema velho com uma nova roupagem, outra forma de agressão que surge com as novas tecnologias.

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[FONTE: Tech trends] 

A intimidação via redes sociais, SMS e outras formas de mensagens online como WhatsApp é tão grave e perigosa quanto a violência física ou verbal. Felizmente, as mesmas tecnologias usadas para as agressões podem ser usadas para a prevenção e a denúncia de casos.

Nos Estados Unidos, mais de 80% dos adolescentes têm um telefone celular e perfil em alguma rede social. As estatísticas apontam que 1 a cada 6 jovens foi vítima de cyberbullying no último ano e, destes, apenas 10% procurou ajuda. A fim de facilitar a prevenção e a denúncia de casos de abuso, a Blackboard cedeu a todas as escolas interessadas do país um aplicativo que permite o relato anônimo de agressões.

Pelo celular, o estudante que sofre ou presencia o bullying, acessa o T!PTXT e envia um SMS anônimo à equipe responsável pela gerência do aplicativo na instituição. Eles poderão conversar em tempo real e tomar medidas imediatas. Toda a conversa fica gravada para posterior análise pela coordenação da universidade ou escola. O mais importante é que o anonimato encoraja aqueles que desejam denunciar, mas temem receber represálias.

Estas agressões sistemáticas podem ocorrer em qualquer ambiente, seja ele frequentado por crianças ou adultos. Cabe às instituições tomar providências para evitar que essas situações gerem traumas irreversíveis tanto no corpo docente como entre os discentes. Nessa jornada, a colaboração entre equipe e estudantes será fundamental, e quanto mais ferramentas estiverem à disposição daqueles que precisam de ajuda, maiores as chances de um resultado positivo. Se você tiver experiências relacionadas ao tema e quiser compartilhar conosco, escreva nos comentários.

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Redação
A redação do Desafios da Educação é composta de jornalistas, educadores e especialistas em educação superior.

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1 Comentário

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