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Educação a distância e necessidades especiais: a inclusão pela tecnologia

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As questões referentes à acessibilidade e ao deslocamento praticamente desaparecem, no caso do aluno de EAD. Crédito: reprodução.

As mudanças que a ideia de um ensino realizado no meio online trouxe para a educação são muitas. Não são poucos os casos de estudantes agraciados com a possibilidade de concluir seus estudos sem sair de casa: essa é uma grande vantagem tanto para os que não têm acesso a uma universidade, quanto para aqueles que não têm tempo, muitas vezes estudantes em formação tardia que já estão inseridos no mercado de trabalho.

No entanto, uma parcela da população pode ser especialmente beneficiada com esse tipo de ensino: as pessoas com necessidades especiais. Da inclusão social ao ensino personalizado, muitas características inerentes à EAD podem ser justo o que o aluno especial precisa para dar continuidade à sua educação ou voltar a estudar.

Para os estudantes com mobilidade reduzida, os problemas referentes à acessibilidade e ao deslocamento são basicamente removidos da equação. Com a EAD, até mesmo o aluno cuja condição o torna incapaz de se levantar, sentar ou deslocar, participa ativamente do processo de aprendizado.

Afinal, no ensino digital, no qual tempo e espaço tornam-se bastante relativos, todos os alunos encontram-se na mesma posição em relação a colegas e professores e têm acesso aos mesmos aplicativos, conteúdos e plataformas. Nesse sentido, outra característica inerente à educação a distância, que é a personalização do ensino, é extremamente inclusiva, pois o ensino pode ser adaptado às necessidades especiais de cada estudante, sendo elas tanto de ordem física quanto cognitiva.

O interessante é perceber que, ao passo que a tecnologia está cada vez mais inserida na área da educação, são justo as possibilidades de individualização do ensino que o tornam mais inclusivo. Parece ser contraditório, mas, ao passo que alunos têm seu ritmo de aprendizado respeitado, com o uso de ferramentas que permitem focar nos pontos mais críticos do processo, os estudantes são nivelados: todos têm acesso aos mesmos benefícios.

E isso vale para o aluno com e sem necessidades especiais. Se um não pode deslocar-se até a biblioteca, todos podem acessá-la digitalmente. Se um não pode estudar nos horários tradicionais por força da jornada de trabalho, todos podem optar pelo melhor período para realizar seus estudos individualmente. Esse é um dos princípios da inclusão: vale para todos e não deve ser confundida com privilégio.

O site Getting Smart reuniu uma lista de ferramentas e práticas do ensino digital e do ensino híbrido que foram elencadas por um conselho de gestores de educação especial na Flórida (EUA) como muito excitantes para a área. Dentre as ferramentas citadas, estão as plataformas para videoconferência, aplicativos que aumentam a produtividade e todos os recursos de tecnologia assistiva, que incluem vocalização de textos para pessoas cegas e o auxílio na digitação, por exemplo.

Os especialistas também citaram a sala de aula invertida e a ideia de uma menor disciplinarização e um maior engajamento por parte dos alunos, o que resulta em empoderamento dos estudantes. Além disso, os profissionais ressaltam a quebra de barreiras como um dos benefícios do ensino online para o aluno com necessidades especiais: esse é um dos poucos tipos de ensino em que a educação especial e a educação geral são exercidas de forma realmente integrada.

Sem dúvida, a acessibilidade no ensino e a flexibilidade de horários (em especial, se tratando de pacientes ainda em tratamento) são benefícios bastante óbvios nessa relação entre estudante e formato de ensino. No entanto, é interessante perceber que a inclusão social é o que mais se destaca nas possibilidades que a EAD traz ao aluno especial. Parte essencial de qualquer aprendizado, o desenvolvimento de uma maior autonomia que a estrutura do EAD proporciona é algo extremamente benéfico não apenas para esse público, mas para todos os estudantes.

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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1 Comment

  1. como ensinar em EAD um aluno com TDH?

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