3 dicas para facilitar o desenvolvimento de estudantes com autismo

3 dicas para facilitar o desenvolvimento de estudantes com autismo

A inclusão de portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um desafio para os professores, independentemente da etapa educacional. Isso porque o autismo é caracterizado por comportamentos que podem dificultar a aprendizagem – como déficit de atenção e interação social limitada.

Os obstáculos, porém, não inviabilizam o trabalho dos docentes. “Assim como outros alunos com problemas de aprendizagem, os estudantes com autismo podem ser ajudados a compreender as suas próprias diferenças particulares”, explica o professor e psiquiatra norte-americano Fred Volkmar, ao Desafios da Educação.

Volkmar é um dos autores de Autismo – Guia essencial para compreensão e tratamento, livro lançado em 2018 pela Artmed.

>>BAIXE UMA AMOSTRA DO LIVRO “AUTISMO – GUIA ESSENCIAL PARA COMPREENSÃO E TRATAMENTO”<<

O psiquiatra explica que o comportamento inerente ao Transtorno do Espectro Autista costuma ser mais brando quando um jovem ingressa na faculdade. No entanto, as exigências dessa nova fase de ensino também são desafiadoras. Confira três dicas para facilitar o acolhimento e o desenvolvimento de estudantes com TEA.

1) Busque o apoio da instituição e dos pais

Hoje, o Brasil tem pelo menos 488 portadores do TEA matriculados em instituições de ensino superior (IES) – de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). E a responsabilidade de instruir cada um deles não é apenas do professor, mas também dos pais e da própria instituição.

Em geral, a abordagem ao estudante com autismo exige uma estratégia multidisciplinar. Muitas IES, como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), possuem núcleos voltados à acessibilidade educacional, com a participação de pedagogos, psiquiatras e pais. O suporte dessas áreas é fundamental para indicar caminhos e elaborar políticas de adaptação. “Nos Estados Unidos, as universidades direcionam os alunos conforme o caso. Alguns integram turmas comuns, enquanto outros frequentam aulas especiais”, conta Volkmar.

Lembre-se que os familiares são a melhor fonte para o professor encontrar informações sobre o discente – incluindo seu histórico de evolução estudantil e os principais costumes e carências.

2) Organização e comunicação direta são chaves do sucesso

Há duas características proeminentes nos alunos com autismo: eles têm dificuldade em entender a comunicação não-verbal e se sentem mais confortáveis com atividades que sigam um cronograma estabelecido.

O docente, assim, deve priorizar o uso da linguagem direta. É uma forma de facilitar a compreensão das ações propostas. Os estudantes com TEA analisam cada parte da informação de forma isolada e depois compõem o todo. Metáforas e temas abstratos podem confundi-los.

O mesmo vale para mudanças repentinas de programação. A tendência é que eles se sintam perdidos com alterações de agenda realizadas sem prévio aviso. Se possível, o professor pode fornecer-lhes o plano de conteúdos por antecipação.

Leia mais: Entenda a dislexia e aprenda a lidar com ela nas atividades de ensino

3) Estimule os pontos fortes

Os estudantes com autismo costumam ter interesses limitados. Ou seja, poucos temas cativam a sua atenção. Por outro lado, se um interesse for despertado, eles podem mergulhar fundo nele. Tornando-se, inclusive, verdadeiros experts. Vem daí a ideia das chamadas habilidades savant (sábio, em francês). A definição está relacionada à aptidão extrema em uma determinada área – como cálculos matemáticos, idiomas ou música. Alguns jovens com autismo chegam a ter níveis de superdotação.

O professor deve encorajá-los a ampliar o repertório de preferências e conhecimentos, mas sem desestimular seus pontos fortes. A vida em sociedade e o mercado de trabalho são questões naturalmente desafiadoras ao portador do TEA. E os pontos fortes podem ser o trunfo que irá garantir a autonomia deles após a universidade. “Indivíduos com autismo têm condições de serem ótimos profissionais, mas precisam de apoio”, finaliza o professor Fred Volkmar.

#Dica extra: A série Atypical pode oferecer referências importantes sobre o trabalho com portadores do TEA. Disponível na Netflix, a ficção mostra os conflitos e desafios de um jovem com autismo nos últimos anos de High School.

Leia mais: 5 maneiras criativas para ajudar alunos com TDAH

Ficha técnica

Título: Autismo – Guia essencial para compreensão e tratamento
Autores: Fred R. Volkmar e Lisa A. Wiesner
Editora: Artmed
Ano: 2018
Nº de páginas: 368
Preço médio: R$ 95