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Como as universidades vão se adaptar à Geração Z e garantir seu próprio futuro

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Restam poucas dúvidas de que é hora das universidades se reinventarem. De um lado, as novas tecnologias proporcionam – e quase exigem – novas abordagens de ensino e maior personalização das aulas para os alunos. De outro lado, há cada vez mais vozes levantado-se contra o modelo tradicional da sala de aula, em movimentos como o UnCollege e o ensino domiciliar. Para se firmarem nesse novo cenário, as faculdades precisarão compreender o que, afinal, a Geração Z espera obter na vida acadêmica, e o site EdSurge traz algumas pistas sobre os caminhos do futuro.

diplomaduvidaA angústia diante da faculdade pode ser uma insatisfação genuína
[FONTE: Think Advisor]

Os jovens de hoje têm dificuldade em se inserir na aula ortodoxa em forma de palestra: eles buscam interação, colaboração, equidade e (temendo futuras dívidas) mensalidades acessíveis. Um pacote difícil de oferecer, mas não impossível. Uma das saídas encontradas são os MOOCs (Massive Open Online Course, ou Cursos Abertos e Online em Massa, em tradução livre), além dos cursos híbridos e da maior inclusão de tecnologia na universidade. Uma experiência na universidade de Pasadena, na Califórnia, mostrou que, em pleno século 21, os estudantes separavam o ambiente de aprendizagem do ambiente de convivência, reservando o tempo de estudo para dentro dos prédios e usando as áreas externas apenas para descanso. Posturas como a disponibilização de wi-fi e tomadas nos pátios podem permitir aos alunos gerenciar melhor seu próprio tempo.

A equipe do EdSurge vai ainda mais longe e acredita que a criação de um campus virtual da universidade traria grandes benefícios para a integração entre os estudantes. Se a instituição contasse com uma esfera virtual aos moldes da rede Second-Life, os alunos circulariam com a mesma naturalidade pelos universos físico e virtual. Como não existem experiências nesse sentido, é impossível prever os resultados, mas a ideia serve de provocação para quem está pensando o futuro das instituições de ensino.

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Estudar no pátio da faculdade pode ser tão útil quanto dentro da sala
[FONTE: Global Educational Institutions]

Uma mudança de postura também será necessária para formar os profissionais das próximas décadas: o mercado não precisa mais de candidatos a carreiras longas e dispostos a apenas seguir ordens. O mundo exige mentes criativas, independentes e agentes de mudanças. Sobretudo, as empresas precisarão de equipes capazes de trabalhar em conjunto diante do imprevisto, e as universidades podem contribuir muito com o desenvolvimento do espírito coletivo nos alunos.

Ao invés de incentivarem a competição entre estudantes e, assim, estimularem o crescimento individual de cada um, os professores podem propor trabalhos em grupo, nos quais a comunicação seja a chave para o sucesso. Com um pouco mais de tempo, as equipes podem até empreender iniciativas reais e, de uma sala de aula, pode nascer uma startup.

As saídas do labirinto
Então, como as instituições contemporâneas estão se adaptando à geração que nasce com um dispositivo móvel debaixo do braço? O site Edudemic reuniu algumas das novas soluções encontradas até agora para manter o interesse dos alunos no conteúdo das aulas. O investimento em tecnologia é evidente, e o uso de modelos e simulações é uma das maneiras de transformar as instituições.

Se, antigamente, um professor de física precisava colocar em prática suas habilidades de desenho para demonstrar graficamente como as ondas sonoras se propagam, hoje ele pode contar com simulações em 3D, telas sensíveis a toque para que os estudantes interajam com a lição e aplicativos que permitem a criação de novos modelos. O abstrato se torna muito mais palpável.

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Se queremos que esse menino frequente a universidade, é preciso mudar já
[FONTE: e-ducate.us]

Ferramentas simples também podem contribuir com a avaliação dos alunos: as tarefas de casa podem ser feitas online em plataformas que permitam a colaboração com os colegas, consultas em tempo real aos professores e avaliações ágeis pelos mestres. Destas tarefas, é possível obter dados concretos sobre os níveis de retenção do conteúdo pelos alunos e usar essas informações para traçar novos planos de ensino. Em um futuro não tão distante, é possível que até mesmo as atividades cerebrais sejam medidas durante a aprendizagem.

O ponto central é que as interações humanas mais fundamentais – família, trabalho, amizades – estão se transformando com as novas tecnologias, e as universidades precisarão se adaptar aos novos tempos para manterem a relevância. Enquanto os mais alarmistas culpam as faculdades pelas dificuldades de adaptação à vida adulta da Geração Y, nós apostamos na transformação das instituições para criar a transformação da vida estudantil, do mercado de trabalho e, por que não, das relações humanas.

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Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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